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2019-04-09T18:36:56-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
De volta aos 96 mil pontos

Ibovespa cai mais de 1% em dia de tensão no exterior e cautela com Previdência

Sinais de atrito nas relações comerciais entre Estados Unidos e União Europeia trouxeram preocupação aos mercados. Por aqui, o noticiário político inspirou precaução

9 de abril de 2019
10:22 - atualizado às 18:36
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa voltou à faixa dos 96 mil pontos; dólar tem leve alta - Imagem: Seu Dinheiro

Uma das primeiras coisas que me ensinaram quando eu comecei a acompanhar os mercados financeiros — eu ainda estava na faculdade de Jornalismo, veja só — é que fatores internos e externos podem influenciar as oscilações do Ibovespa no dia a dia.

E o que acontece quando esses dois vetores apontam para a mesma direção? Bom, o pregão de hoje é um ótimo exemplo: a combinação entre pessimismo lá fora e cautela aqui dentro fez o Ibovespa fechar em queda de 1,11%, aos 96.291,79 pontos, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas.

E olha que o principal índice da bolsa brasileira terminou o dia longe das mínimas: no pior momento do dia, o Ibovespa chegou a cair 1,93%, tocando os 95.487,57 pontos.

O dólar à vista também refletiu esse ambiente desfavorável, embora tenha mostrado variação bem menos intensa: terminou a sessão em alta de 0,1%, a R$ 3,8533.

Sinal de alerta

"As bolsas lá fora estão feias, o petróleo está caindo... o tom é de venda". A frase, dita hoje cedo pelo gerente da mesa de operações da H. Commcor, Ari Santos, resume bem o sentimento dos mercados nesta terça-feira.

E isso porque a guerra comercial voltou a pautar as negociações no exterior: desta vez, os Estados Unidos entraram em rota de colisão com a União Europeia, ameaçando sobretaxar uma lista de US$ 11 bilhões em produtos importados do velho continente. A iniciativa seria uma resposta aos prejuízos causados por subsídios do bloco às aeronaves da Airbus.

"Essas ameaças parecem estar relacionadas à Boeing. Desde os acidentes com os aviões, há pressão na carteira de pedidos da empresa, alguns clientes começaram a cancelar as compras ou exigiram contrapartes", diz um analista. "O Trump gosta dessa política de primeiro ameaçar e depois sentar para conversar".

A notícia disparou um sinal de alerta no exterior, uma vez que as preocupações em relação à guerra comercial vinham diminuindo nas últimas semanas, com os sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e China — e a perspectiva de abertura de uma nova frente de disputas reaqueceu as preocupações.

Nesse contexto, as bolsas americanas mantiveram-se no campo negativo desde o início do dia: o Dow Jones fechou em queda de 0,72%, o S&P 500 caiu 0,61% e o Nasdaq teve perda de 0,56%. Projeções menos otimistas do FMI para o crescimento da economia global contribuíram para trazer ainda mais cautela às negociações lá fora.

O dia também foi negativo para as commodities: o petróleo WTI fechou em queda de 0,65% e o Brent teve perda de 0,69%. O minério de ferro recuou 0,47% na China.

Cautela, cautela

Além dos ventos desfavoráveis do exterior, o Ibovespa também foi influenciado negativamente pela cautela local em relação ao noticiário político e à reforma da Previdência.

Declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmando que não vai "apanhar e ficar achando que está bom", trouxeram certo desconforto aos mercados, por sinalizar novas fragilidades na articulação política — o que, consequentemente, dificultaria a tramitação da reforma no Congresso.

"Isso certamente soa negativo. Foi um dia de contexto ruim lá fora e com ruído político aqui dentro", diz Glauco Legat, analista-chefe da Necton. "Faltam fatores positivos para que a bolsa possa ir além do nível atual".

Quanto à tramitação da proposta em si, o mercado acompanhou a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para apreciação do parecer sobre a admissibilidade da reforma — mas, até o fim do pregão, a leitura do documento ainda não havia começado. E, num dia cheio de fatores negativos, o tom foi de cautela em relação às discussões em Brasília.

"A base aliada precisa se mostrar mais organizada", diz Cândido, lembrando que a que os deputados de oposição dominaram a sabatina do ministro da Economia, Paulo Guedes, na semana passada.

E o dólar?

Ao olhar o desempenho do dólar à vista — alta de 0,1%, ante queda de mais de 1% do Ibovespa —, pode-se ficar com a impressão de que o mercado de câmbio quase não foi afetado pelo ambiente de estresse.

No entanto, Cândido ressalta que o dia foi de perda de força do dólar ante as moedas emergentes, como o peso mexicano, o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso argentino. Assim, o real destoou do restante — e isso porque as tensões locais trouxeram cautela extra ao mercado de câmbio no Brasil.

O mercado de juros também acompanhou o tom de maior precaução. Os DIs com vencimento em janeiro de 2020 fecharam em alta, de 6,475% para 6,49%, e os com vencimento em janeiro de 2021 avançaram de 7,05% para 7,09%. Entre as curvas longas, as para janeiro de 2023 foram de 8,20% para 8,25%.

Petrobras em queda

As ações da Petrobras mantiveram-se em queda ao longo do pregão desta terça-feira. Além do recuo do petróleo, o mercado mostrou certo receio em relação às negociações entre a União e a estatal envolvendo a revisão dos contratos de cessão onerosa — há a expectativa de que as partes cheguem num consenso em breve. Os papéis PN da empresa caíram 0,31% e os ON tiveram perda de 0,89%.

Exterior pressiona Vale e siderúrgicas

Com os temores em relação à guerra comercial e aos impactos na demanda global por minério de ferro e aço, os papéis de mineradoras e siderúrgicas fecharam o dia no campo negativo. Vale ON caiu 1,95%, CSN ON teve perda de 2,51%, Usiminas PNA recuou 0,95% e Gerdau PN terminou em baixa de 1,58%.

Gol vai mal

A Gol divulgou algumas projeções operacionais e financeiras referentes ao primeiro trimestre deste ano — e as ações não reagiram positivamente: os papéis PN da companhia aérea fecharam em queda de 2,07%.

Segundo a Gol, a margem Ebitda deve ficar entre 29% e 30% entre janeiro e março deste ano, acima dos 28% contabilizados no primeiro trimestre de 2018. Por outro lado, os custos operacionais, excluindo as despesas com combustível (Cask ex-combustível), também devem aumentar 3% na comparação anual, em meio à depreciação do real entre os períodos.

Disputa pela Netshoes

Possíveis compradoras da Netshoes, Magazine Luiza e B2W viram suas ações encerrarem o dia em queda, embora com desempenhos bastante distintos. Enquanto os papéis ON do Magazine Luiza recuaram 0,26% — desempenho superior ao do próprio Ibovespa —, os ativos ON da B2W tiveram perda de 2,94%.

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