Menu
2019-10-14T14:32:12-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Queda rápida

O Ibovespa caiu e perdeu os 100 mil pontos pela primeira vez em mais de um mês

Numa sessão marcada pela tensão do mercado em relação à guerra comercial, o Ibovespa perdeu força na reta final do pregão e terminou abaixo do nível dos três dígitos

8 de outubro de 2019
10:30 - atualizado às 14:32
Torre parque de diversões
O Ibovespa continuou em queda e perdeu o nível dos 100 mil pontosImagem: Shutterstock

O Ibovespa passou os últimos 24 pregões acima dos 100 mil pontos. Mas, nesta terça-feira (8), essa sequência foi interrompida: ao registrar uma baixa de 0,59% na sessão de hoje, o principal índice da bolsa brasileira fechou aos 99.981,40 pontos — o menor nível de encerramento desde 3 de setembro (99.680,83 pontos).

O desempenho do Ibovespa nesta terça-feira não foi tão ruim assim, já que, nos Estados Unidos, as bolsas tiveram perdas de mais de 1%. No entanto, o mercado acionário brasileiro tem um início de mês bastante negativo, amargado uma queda súbita de 4,55% apenas em outubro — em 30 de setembro, o índice estava na faixa de 104 mil pontos.

E, por mais que fatores internos tenham influenciado essa derrocada, especialmente os atrasos e enfraquecimentos da reforma da Previdência no Senado, boa parte desse movimento descendente se deve ao exterior. Lá fora, os sinais de desaquecimento da economia global, somados à instabilidade na guerra comercial entre EUA e China, desencadearam uma onda de aversão ao risco.

E, hoje, não foi diferente: às vésperas do encontro entre autoridades de alto escalão de Washington e Pequim, numa nova rodada formal de negociações entre os países, o noticiário referente ao estado das relações entre americanos e chineses deu as cartas para os mercados globais.

O único detalhe: desde ontem, as notícias não têm sido exatamente animadoras, trazendo volatilidade às operações e inspirando cautela aos agentes financeiros.

Nesta terça-feira, novos ruídos no front das negociações acabaram trazendo pessimismo aos mercados. Ontem, o governo americano colocou 28 empresas chinesas do setor de tecnologia numa "lista negra", alegando que tais companhias estariam usando serviços de reconhecimento facial para ajudar o governo do país asiático a oprimir minorias muçulmanas na região de Xinjiang.

E, de acordo com a Bloomberg, autoridades de Pequim estariam considerando a possibilidade de retaliar a medida — o que fez as bolsas de Nova York reagirem negativamente nesta terça-feira. Após passarem o dia todo no vermelho, o Dow Jones (-1,19%), o S&P 500 (-1,56%) e o Nasdaq (-1,67%) fechara em queda firme.

"É claro que, às vésperas da negociação, cutucar o oponente é negativo", pondera um operador. E, neste fim de tarde, um novo desdobramento trouxe ainda mais cautela às negociações: o governo americano impôs restrições de visto a alguns oficiais que estariam envolvidos com abusos às minorias muçulmanas no norte do país.

Essa última camada de pessimismo acabou fazendo com que o Ibovespa cedesse de vez à aversão global ao risco: o índice brasileiro até tentou se sustentar no campo positivo — na máxima, subiu 0,72%, aos 101.296,28 pontos —, mas não conseguiu resistir às baixas intensas dos mercados de Nova York, virando para queda e perdendo os 100 mil pontos.

Nesse cenário, as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, foram pouco repercutidas pelos agentes financeiros — ele voltou a sinalizar que a instituição vai agir para sustentar a expansão da economia, acenando com a compra e títulos do Tesouro e outras medidas para garantir a liquidez.

Preocupações domésticas

Por aqui, o noticiário político continuou sendo acompanhado de perto pelos agentes financeiros, que aguardavam eventuais avanços nas negociações no Congresso a respeito da partilha dos recursos do leilão do pré-sal — fator considerado fundamental para destravar a pauta e permitir o avanço da tramitação da reforma da Previdência.

Mas a falta de avanços mais concretos na resolução desse imbróglio acabou deixando os mercados locais mais cautelosos, sem mostrar grande disposição para assumir riscos desnecessários. Assim, por mais que o Ibovespa já tivesse recuado quase 2% ontem, as incertezas domésticas e externas continuaram pressionando o índice.

Dólar em baixa

O dólar à vista teve uma sessão mais tranquila: a moeda americana fechou em queda de 0,31%, a R$ 4,0916, destoando do mercado de câmbio no exterior — na mínima, chegou a cair a R$ 4,0741 (-0,74%).

Lá fora, o dólar ganhou terreno em escala global, tanto em relação às divisas fortes quanto as de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano. Vale lembrar, no entanto, que o dólar à vista subiu mais de 1% na sessão de ontem, o que abriu espaço para um movimento de alívio hoje.

Esse tom mais calmo do dólar acabou contagiando as curvas de juros, que fecharam em baixa nesta terça-feira. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 4,87% para 4,82%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,02% para 5,97%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,64% para 6,61%.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

O melhor do Seu Dinheiro

Os atalhos do campo financeiro

Se você gosta de futebol (se não, peço desculpas, o texto já já vai chegar no ponto), sabe que a crônica esportiva é cheia de jargões, metáforas e frases prontas para explicar o jogo e a atuação dos jogadores.  Uma metáfora que vira e mexe aparece nos textos é o tal “atalhos do campo”. Essa […]

débito ou crédito?

Lucro do PagSeguro soma R$ 430 mi no trimestre; maior da história da companhia

O recorde, contudo, não foi suficiente para evitar que o PagSeguro terminasse 2020 em queda. O lucro líquido ajustado da empresa caiu 2,4% em comparação a 2019, ao alcançar R$ 1,434 bilhão

internet mais rápida

Anatel aprova edital do leilão do 5G

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao do 4G

Esquenta dos Mercados

Inflação nos EUA atrai a atenção dos mercados globais e dita o tom das bolsas

Os dados saem às 10h30 e perspectivas do mercado afirmam que, não importa a direção, o índice de preços ao consumidor deve surpreender os investidores

substituição

Localiza anuncia escolha de novo CEO em meio à combinação de negócios com Unidas

Bruno Lasansky, diretor de operações, assume posição no lugar de Eugenio Mattar, que se tornará presidente do conselho de administração

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies