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Estados Unidos e China irão promover uma nova rodada oficial de negociações em outubro, o que reduziu a tensão nos mercados e impulsionou o Ibovespa
O Ibovespa e as bolsas globais não tiram os olhos da tela. Vidrados, os agentes financeiros fazem de tudo para ganhar uma sobrevida — tentam traçar uma estratégia de antemão, rotacionam as peças e distribuem-nas pelos dois lados, tentando acomodá-las da melhor maneira possível. Mas, desde o mês passado, o Tetris dos mercados entrou no nível hard.
Parece que, de uma hora para outra, apenas blocos desfavoráveis começaram a cair. Tweets agressivos de Donald Trump, revides do governo chinês, sobretaxas de importação, protestos em Hong Kong, Brexit, commodities em baixa, incerteza quanto às taxas de juros no mundo... as peças foram se empilhando.
E quanto mais os problemas se acumulavam, mais tensos ficavam os mercados, temendo que um game over encerrasse prematuramente uma partida que parecia tão boa na primeira metade do ano. Tudo que os agentes financeiros queriam era aquele bloco salvador — aquele, em formato de "I", que limpa a tela.
Pois esse bloco finalmente apareceu — e vários deles caíram em sequência. Com isso, o Ibovespa e os mercados acionários globais finalmente conseguiram respirar aliviados, tirando boa parte da tensão que ocupava o campo de jogo.
Nesta quinta-feira (5), o principal índice da bolsa brasileira fechou em alta de 1,03%, aos 102.243,00 pontos — o maior nível de encerramento desde 13 de agosto. Com isso, o Ibovespa acumulou ganhos de 2,57% nas últimas duas sessões.
Lá fora, o dia também foi de tranquilidade: o Dow Jones subiu 1,41%, o S&P 500 teve alta de 1,30% e o Nasdaq avançou 1,75% — ontem, as três bolsas também fecharam no campo positivo. Por fim, as principais praças da Europa também tiveram o segundo dia de ganhos.
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Na sessão de hoje, a peça redentora atende pelo nome de guerra comercial — no caso, a redução nas tensões entre Estados Unidos e China, que vinham trazendo enorme preocupação aos agentes financeiros. Assim, a tela dos mercados, que já tinha dado um respiro após o alívio de ontem, ficou ainda mais tranquila hoje.
Lá fora, os mercados abriram um sorriso ao ver os avanços nas negociações entre Estados Unidos e China, no âmbito da guerra comercial. Mais cedo, a imprensa chinesa informou que uma nova rodada formal de negociações ocorrerá em outubro — o encontro foi acertado após conversas telefônicas entre autoridades de alto escalão dos dois países.
Originalmente, esse diálogo era esperado para ocorrer já em setembro. No entanto, após tanto os EUA quanto a China colocarem em prática novas tarifas de importação no início deste mês, os mercados passaram a temer uma deterioração ainda maior na relação entre as potências, o que poderia inviabilizar quaisquer encontros oficiais.
Assim, a percepção de que tanto Washington quanto Pequim se esforçam para evitar uma escalada nas tensões foi comemorada pelos agentes financeiros nesta quinta-feira — e limparam mais algumas linhas na tela dos mercados.
Vale lembrar que, ontem, os mercados também receberam peças favoráveis: a redução nas tensões em Hong Kong, a recuperação do setor de serviços da China e os sinais de que o Brexit — o processo de saída do Reino Unido da União Europeia — não deve ocorrer sem um acordo entre as duas partes ajudaram a trazer alívio ao jogo.
É claro que essa sinalização mais amigável por parte da China e dos EUA não quer dizer que um acordo definitivo será firmado em outubro. Mas a simples leitura de que as conversas ao menos estão progredindo já serviu para tirar boa parte do estresse das negociações.
No mercado de câmbio, o Tetris segue bastante difícil, embora também tenha passado por algum alívio nos últimos dias. O dólar à vista até chegou a cair 0,86% mais cedo, a R$ 4,0699, mas terminou o dia em alta de 0,11%, a R$ 4,1100.
Contudo, vale lembrar que, na segunda-feira (2), a moeda americana terminou cotada a R$ 4,1828. Assim, nas últimas três sessões, o dólar à vista já acumula perdas de 1,74%.
Essa virada da divisa ocorreu em linha com o comportamento visto no exterior. Lá fora, o dólar começou o dia perdendo terreno em escala global, tanto em relação às moedas fortes quanto as de países emergentes. Mas, ao longo da sessão, esse movimento perde intensidade.
Divisas como o peso mexicano e o rublo russo, que também começaram o dia se valorizando em relação ao dólar, perderam força e terminaram em baixa, um tom semelhante ao visto no real.
O setor bancário apareceu entre os destaques positivos do Ibovespa nesta quinta-feira. Itaú Unibanco PN (ITUB4) subiu 2,84% e foi acompanhado pelos demais papéis do segmento: Bradesco PN (BBDC4) teve alta de 2,31%, Bradesco ON (BBDC3) avançou 2,45%, Banco do Brasil ON (BBAS3) teve ganho de 3,49% e as units do Santander Brasil valorizaram 2,82%.
Um operador pondera que o bom desempenho dos bancos não se deve a algum fator que influencia especificamente o setor. Para ele, as ações do segmento bancário "ficaram para trás" em relação a outros papéis relevantes, como Petrobras e Vale — e, hoje, o mercado aproveitou para corrigir essa distorção.
Esse operador destaca que, mesmo com a alta firme desta quinta-feira, as ações dos bancos têm desempenhos relativamente tímidos no acumulado da semana: Bradesco ON registra baixa no período, enquanto Banco do Brasil ON sobe 2,3%. Esse saldo ainda é inferior ao das ações da mineradora ou da estatal petrolífera.
Petrobras PN (PETR4), por exemplo, subiu 0,50% hoje e acumula ganhos de 3,5% na semana, enquanto Petrobras ON (PETR3) avança 0,62%, o que implica num salto de 2,5% desde segunda-feira. Já Vale ON (VALE3) ficou estável — na semana, a valorização chega a 2%.
"Quando há um movimento como o de hoje, em que há um ímpeto de compra, o mercado procura os papéis que estão mais baratos, em termos relativos", diz o operador. "E, entre as ações mais líquidas, os bancos estavam mais em conta".
Outro destaque positivo do Ibovespa foi Gol PN (GOLL4), em alta de 6,28%. Ontem, a companhia aérea divulgou um crescimento de 17,1% na demanda em agosto, em relação ao mesmo mês de 2018 — a oferta subiu 9,5% na mesma base de comparação. Assim, a taxa de ocupação cresceu 5,3 pontos percentuais, para 82,3%.
Os papéis PN da Azul (AZUL4) também tiveram um dia positivo, subindo 4,48%. A demanda da empresa em agosto subiu 26,4% e a oferta aumentou 25,6% — a taxa de ocupação avançou 0,6 ponto percentual, para 83%.
Em linha com o alívio visto lá fora e os ânimos mais calmos no dólar à vista, as curvas de juros fecharam a sessão desta quinta-feira no campo negativo. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 5,41% para 5,39%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,46% para 6,43%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,99% para 6,98%.
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