Menu
2019-10-03T17:46:02-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Até tu, Brutus

Sinais de fraqueza da economia dos EUA derrubam o dólar a R$ 4,08; Ibovespa fecha em alta

O setor de serviços dos EUA teve um desempenho abaixo do esperado em setembro, o que mexeu com a confiança do mercado e fez o dólar perder força em escala global

3 de outubro de 2019
10:26 - atualizado às 17:46
EUA queda
Imagem: Shutterstock

Os mercados já estavam com a pulga atrás da orelha. No início da semana, dados da indústria dos EUA ficaram abaixo do esperado e acenderam um sinal de alerta: será que a economia americana está começando a desacelerar? Pois nesta quinta-feira (2), mais um indicador reforçou essa tese — e, como resultado, o dólar caiu forte.

No segmento à vista, a moeda americana recuou 1,08%, terminando o dia cotada a R$ 4,0890 — é o menor nível de encerramento desde 13 de setembro (R$ 4,0865). Em termos percentuais, foi a maior queda numa mesma sessão em quase um mês: em 3 de setembro, o dólar terminou em baixa de 1,76%.

O comportamento do mercado de câmbio local ficou em linha com o visto lá fora: o dia foi de enfraquecimento generalizadas do dólar em comparação com as moedas de países emergentes, como o peso chileno, o rublo russo, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outras.

E mesmo na comparação com as divisas fortes, a sessão foi de enfraquecimento do dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo — como o euro, a libra e o iene, entre outras — caiu 0,12%.

Todo esse alívio nas negociações de câmbio se deve à divulgação, nesta manhã, do índice de atividade do setor de serviços dos EUA. O indicador caiu de 56,4 em agosto para 52,6 em setembro — resultado bastante abaixo da expectativa dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam uma baixa menos intensa, para 55,3.

O dado do setor de serviços, assim, juntou-se aos números mais fracos da indústria americana: no início da semana, foi reportado que o índice de atividade industrial do país caiu para 47,8 em setembro, o nível mais baixo desde junho de 2009.

Esses dois indicadores, em conjunto, aumentaram a tensão dos mercados em relação ao estado da economia dos EUA — o país vinha conseguindo sustentar dados relativamente sólidos, em meio à desaceleração vista na China e na Europa. Os números atuais, contudo, indicam que a atividade americana também começa a patinar.

Desdobramentos nas bolsas

Num primeiro momento, a divulgação do dado mais fraco do setor de serviços nos EUA trouxe enorme pessimismo aos mercados acionários globais: pouco depois das 11h00, o Ibovespa chegou a cair 1,19%, aos 99.826,30 pontos — o índice não aparecia abaixo dos 100 mil pontos desde 4 de setembro.

No entanto, o Ibovespa rapidamente se recuperou e, por volta das 12h20, bateu os 101.560,23 pontos (+0,52%), num movimento em linha com o visto lá fora: o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq também viraram para o campo positivo, após terem chegado a cair mais de 1% logo após a publicação do dado do setor de serviços.

Essa recuperação se deve à leitura de que, em meio à fraqueza sinalizada pela economia americana nesta semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) será forçado a promover mais cortes de juros, de modo a estimular a atividade no país.

Em linhas gerais, juros mais baixos reduzem a atratividade da renda fixa, obrigando os investidores que querem continuar obtendo rendimentos interessantes a procurar alternativas mais arriscadas — entre elas, as ações. Assim, essa perspectiva de corte de taxas nos EUA deu impulso às bolsas.

No entanto, no meio da tarde, o Ibovespa e as bolsas americanas seguiram caminhos diferentes. Enquanto os índices de Nova York mantiveram-se em alta firme, o mercado acionário brasileiro perdeu força e se aproximou da estabilidade.

Tudo isso porque o noticiário político acabou trazendo preocupação aos agentes financeiros locais. Por aqui, não foi bem recebida uma declaração do senador Chico Rodrigues (DEM-RJ), um dos vice-líderes do governo na Casa.

De acordo com ele, a votação da reforma da Previdência em segundo turno pelo Plenário do Senado não acontecerá antes do dia 22 de outubro — os mercados trabalhavam com um cronograma que estabelecia o dia 15 como data-limite para esta etapa.

Nesse cenário, o Ibovespa permaneceu perto do zero a zero praticamente até o fim do dia. No entanto, durante o leilão de fechamento, um movimento comprador acabou dando força ao índice — que, como resultado, conseguiu encerrar a sessão com alta de 0,48%, aos 101.516,04 pontos.

Assim, a bolsa brasileira acabou fechando o dia mais ou menos em linha com os mercados americanos: o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 avançou 0,80% e o Nasdaq teve ganho de 1,12%.

Juros recuaram

A baixa mais intensa no dólar à vista fez com que a curva de juros também passasse por uma correção negativa nesta quinta-feira: na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 4,94% para 4,88%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,05% para 5,98%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,67% para 6,61%.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

prévias

Eztec tem queda de 48% nas vendas no quarto trimestre

Lançamentos da empresa atingiram R$ 380,8 milhões, chegando a R$ 1,150 bilhão no ano – 85% a mais do que no terceiro trimestre

seu dinheiro na sua noite

2 milhões de mortos, 2 trilhões em estímulos e uma queda de mais de 2%

Se a primeira semana de 2021 nos mercados refletiu o otimismo geral com o novo ano que se iniciava, com perspectivas de vacinação contra o coronavírus e recuperação econômica, na segunda semana do ano, os investidores optaram pela cautela. Por ora, 2020, o ano do qual todos queríamos nos livrar, ainda não ficou para trás. […]

FECHAMENTO

Atritos políticos e covid-19 voltam para assombrar o mercado e Ibovespa recua mais de 2%; dólar sobe forte

Existe uma certa desconfiança de que o plano de US$ 1,9 trilhão apresentado por Biden encontre dificuldades de ser aprovado pelo Congresso, ainda que o democrata tenha conquistado a maioria das duas casas. No Brasil, situação do coronavírus reacende a pressão sobre o cenário fiscal

match com o mercado?

Concorrente do Tinder, Bumble pode levantar US$ 100 milhões em IPO

Ações da empresa estreiam em fevereiro na Nasdaq; companhia, que é dona do Badoo, não deu lucro no ano passado

pandemia

Itamaraty confirma que Índia atrasará entrega de vacinas

Chanceler indiano atribuiu o atraso na liberação a “problemas logísticos” decorrentes das dificuldades de conciliar o início da campanha de vacinação no país de mais de 1,3 bilhão de habitantes

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies