Menu
2019-11-26T16:55:36-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Análise

Goldman Sachs inicia cobertura de Hapvida e considera ação boa, mas meio cara

Analistas estão otimistas com potencial das aquisições efetuadas pela companhia, mas têm recomendação neutra e preço-alvo levemente abaixo do preço de mercado atual

26 de novembro de 2019
16:24 - atualizado às 16:55
Hapvida
IPO da Hapvida: empresa foi à bolsa mais de uma vez passar o chapéu para aquisições. - Imagem: B3

O Goldman Sachs iniciou, nesta semana, a cobertura das ações da Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 54 por ação, uma desvalorização de cerca de 5% frente ao preço de mercado nesta terça-feira (26), na faixa dos R$ 57. Os prognósticos dos analistas para a empresa são bons, mas pelas suas observações, eles consideram a ação meio cara quando comparada a seus pares latino-americanos e globais.

"Nós consideramos que a companhia vai continuar a crescer em um ritmo forte, conforme incorpora suas aquisições recentes e continua a consolidar um setor fragmentado", diz o relatório assinado pelos analistas Tito Labarta, Jonathan Uriel Schajnovetz e Ashok Sivamohan.

Para o período entre 2019 e 2020, eles projetam, para a companhia, uma taxa de crescimento anual composto (CAGR, a taxa de retorno suavizada) de 33% para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e 21% para o lucro por ação (EPS ou LPA).

Mas fazem uma ressalva com o indicativo de que a ação está cara: "no entanto, a ação disparou 83% neste ano (24% acima do Ibovespa). Deste modo, a ação está negociando a 39,4 vezes o lucro projetado para 2020 (P/E ou P/L) e 27,9 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa sobre a geração de caixa medida pelo Ebitda), ambos os indicadores bem acima de seus pares latino-americanos e globais", diz o relatório.

Otimismo com as aquisições

A Hapvida - que atua no segmento de saúde suplementar, com plano de saúde e rede hospitalar e ambulatorial própria - abriu o capital em 2018 e desde então vem focando na estratégia de crescer via aquisições.

Neste ano, fechou dois grandes negócios, as compras do Grupo América por R$ 426 milhões e do Grupo São Francisco por R$ 5 bilhões, completada no dia 1º de novembro.

A aquisição do Grupo São Francisco trouxe para a Hapvida 1,8 milhão de clientes, o que representa hoje 44% do seu total de usuários, e foi a porta de entrada da companhia nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Anteriormente, a atuação da empresa se restringia às regiões Nordeste e Norte.

Para os analistas do Goldman, há boas oportunidades de criação de sinergias, o que deve "ajudar a elevar o crescimento da receita para 40% em 2020 e 14% em 2021", diz o relatório. "Nós também esperamos crescimento da margem Ebitda de 19% em 2020 para 21% em 2021", completam.

Quanto à aquisição do Grupo América, ainda não completada, ela tem o potencial de trazer mais 190 mil clientes para a Hapvida.

O potencial das futuras aquisições planejadas pela companhia, que recentemente captou cerca de R$ 2 bilhões numa nova oferta de ações (follow-on), também é visto com bons olhos pelos analistas.

Segundo o relatório, as novas compras podem contribuir para uma maior consolidação da presença da Hapvida nas regiões Sul e Sudeste, onde "os dez principais provedores têm menos de 50% de participação de mercado e a Hapvida tem menos de 2%". Em outras palavras, o mercado de saúde suplementar ainda é bastante fragmentado, com bom espaço para consolidação.

Tito Labarta, Jonathan Uriel Schajnovetz e Ashok Sivamohan destacam, no entanto, que a estratégia de crescimento via aquisições tem riscos de execução e integração.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Novidade na área

Caixa confirma parceria om Visa em cartões

Acordo marca o primeiro negócio fechado pelo banco público para constituir um braço de meios de pagamentos

Ano trágico

Vale tem prejuízo de US$ 1,7 bilhão em 2019; provisões e despesas por Brumadinho chegam a US$ 7,4 bilhões

A Vale fechou 2019 com um prejuízo bilionário, fortemente pressionada pelas provisões relacionadas ao rompimento da barragem em Brumadinho — efeitos que superaram em muito os ganhos relacionados à valorização do minério de ferro no ano

Gigante do varejo

Carrefour registra lucro líquido a controladores de R$ 636 milhões no 4º trimestre de 2019

Resultado representa uma alta de quase 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior

Adiou de vez

Bolsonaro confirma envio de reforma administrativa só depois do carnaval

Presidente disse que a reforma administrativa está “madura”, embora ainda não esteja pronta

Na ponta do lápis

Vale, SulAmérica, Carrefour e B2W: os balanços que movimentam o mercado no pré-Carnaval

Na maratona de balanços anuais de 2019, novos peso-pesados do mercado anunciaram seus números

Retorno maior com juro baixo

Menos liquidez, mais diversificação: como os clientes ricos do Itaú andam investindo

Com juro baixo, clientes private do Itaú vêm reduzindo alocação em renda fixa pós-fixada e migrando para ativos com mais risco de mercado ou liquidez, como ações, multimercados e investimentos de baixa liquidez.

Seu Dinheiro na sua noite

Hoje tem recorde do dólar?

Tem, sim senhor. Em mais um dia sem a presença do Banco Central no mercado, a moeda do país de Donald Trump tirou tinta dos R$ 4,40, mas perdeu um pouco de força e fechou aos R$ 4,391, alta de 0,60%. A alta recente do dólar, um movimento que na verdade começou lá em agosto […]

Sem alívio

Mais uma sessão, mais um recorde: dólar segue em alta e chega pela primeira vez aos R$ 4,39

O mercado de câmbio continuou pressionado pelo coronavírus e pela fraqueza da economia doméstica. Nesse cenário, o dólar à vista ficou a um triz de bater os R$ 4,40, enquanto o Ibovespa caiu mais de 1% e voltou aos 114 mil pontos

Ele fica

Ministro chama de ‘maior mentira’ história de pedido de saída de Guedes

Ruído sobre eventual saída do titular da Economia do governo se espalhou pelos mercados nesta semana

Ponto de luxo

Empresário do setor de educação transformará mansão de Edemar Cid Ferreira em escola

Projeto seguirá a linha da Ad Astra School, desenvolvido por Elon Musk

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements