Governo anuncia mudanças em normas trabalhistas
A NR 1 e a NR 12 tiveram a redação revisada. Já a NR 2 foi revogada; demais alterações, segundo o governo federal, serão anunciadas durante os próximos meses; economia pode chegar a R$ 68 bilhões em 10 anos

O governo federal anunciou nesta terça-feira, 30, a revisão de 36 normas reguladoras (NRs) de proteção da saúde e da segurança de trabalhadores. O objetivo é gerar uma economia que deve chegar a pelo menos R$ 68 bilhões nos próximos dez anos, considerando as primeiras mudanças, segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia.
A NR 1, que trata das disposições gerais sobre saúde e segurança no trabalho, e a NR 12, que dispõe sobre a segurança na operação de máquinas e equipamentos, tiveram a redação revisada. Já a NR 2, que previa inspeções prévias, foi revogada.
As demais alterações, segundo o governo federal, serão anunciadas durante os próximos meses.
Segundo o secretário especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, as 36 NRs somam mais de 6 mil linhas distintas de autuação que têm impacto direto na produtividade das empresas.
“Não podemos conviver com regras anacrônicas que nos atrasam, atrapalham e nos inibem. O empreendedor brasileiro tem uma âncora nos pés na hora de competir com os chineses”, discursou em evento no Planalto.
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Mudanças
A NR 1 terá tratamento diferenciado para os pequenos empregadores, flexibilizando as regras de segurança e de saúde. As micro e pequenas empresas serão dispensadas de elaborar programas de prevenção de riscos ambientais, de controle médico e de saúde ocupacional, caso não atuem em atividades com riscos químicos, físicos ou biológicos.
O novo texto da NR 1 também muda as regras de capacitação. O tema que, estava disperso em 232 itens, subitens, alíneas ou incisos de outras NRs, agora terá um capítulo exclusivo dentro da norma. Será permitido o aproveitamento total ou parcial de treinamentos quando um trabalhador muda de emprego dentro da mesma atividade. Segundo a SPE, essas medidas devem gerar economia de R$ 25 bilhões em dez anos.
Criada na década de 1970 e revisada em 2010, a NR 12, conforme a comissão tripartite, era considerada de difícil execução, pois não estava alinhada com normas internacionais de proteção de máquinas e trazia insegurança jurídica por dúvidas sobre a correta aplicação. De acordo com a SPE, a atualização reduzirá os custos para a indústria em R$ 43,2 bilhões nos próximos dez anos, resultando em aumento de 0,5% a 1% da produção industrial.
Com redação de 1983, a NR 2 exigia uma inspeção do trabalho prévia para abrir pequenos negócios, como lojas em shopping. De acordo com o Ministério da Economia, a revogação diminui a burocracia e reduz a intervenção estatal na iniciativa privada.
Consolidação
O governo também anunciou a consolidação de cerca de 160 decretos sobre normas de trabalho em quatro textos. Um primeiro grupo de decretos abrange 19 textos que tratam de direitos trabalhistas dispostos em várias leis, como gratificação natalina, vale-transporte e autorização para desconto em folha de pagamento, entre outros. O segundo texto agrupa 51 decretos que regulamentam 36 profissões. Oito decretos que tratavam de legislações antigas, sem efeitos nos dias atuais, foram revogados.
O terceiro texto agrupa os decretos relativos às convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Até o momento, o Brasil ratificou 97 convenções, das quais 77 estão em vigor. Os textos originais dos decretos e a ordem cronológica em que foram adotadas no país foram mantidos.
Por fim, a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia propõe a edição de decreto para regulamentar o Conselho Nacional do Trabalho e a Comissão Tripartite Paritária Permanente. De acordo com o governo, o texto pretende viabilizar o diálogo social relativo às relações de trabalho e às normas de segurança e saúde no trabalho.
*Com Agência Brasil
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