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2019-12-05T22:33:56-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Novos recordes à vista?

Gestores de fundos falam em Ibovespa em até 250 mil pontos em 2022

Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim, segundo os gestores

6 de dezembro de 2019
5:25 - atualizado às 22:33
Gestores de fundos em evento promovido pela XP Investimentos
Gestores de fundos em evento promovido pela XP Investimentos - Imagem: Divulgação/ Cleiby Trevisan

Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim. Pelo menos essa é a visão de gestores de fundos de ações que participaram de um evento promovido pela XP Investimentos.

O mais otimista do grupo é José Rocha, sócio da Dahlia Capital. Ele provocou um pequeno frenesi na plateia ao afirmar que o Ibovespa, principal índice de ações da B3, pode chegar a 250 mil pontos em 2022. Esse patamar representaria uma alta de 126% em relação ao recorde de 110.622 pontos alcançado nesta quinta-feira.

Rocha citou quatro fatores que podem impulsionar a bolsa a atingir a marca daqui a três anos. O primeiro é o crescimento dos lucros das empresas, que ele estima em 15% ao ano nos próximos anos, o que segundo ele já representaria um potencial de alta de 50% para as ações.

O segundo é a perspectiva de uma redução ainda maior dos juros reais, representados pelas taxas dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B). Esse movimento levaria à queda na taxa de desconto das empresas listadas na bolsa e a uma reprecificação das ações.

O gestor da Dahlia mencionou ainda a aprovação da reforma tributária, com a redução da alíquota de imposto pago pelas empresas – apesar da contrapartida da taxação dos dividendos – e a expectativa de que a China implemente um novo pacote de estímulos a partir do ano que vem como potenciais gatilhos para novas altas do Ibovespa.

Quem assumiu o papel mais cauteloso foi André Laport, sócio-fundador da Vinland Capital. Ele ponderou que o cenário para a bolsa depende de eventos como o desfecho da guerra comercial e das eleições nos Estados Unidos. Ainda assim, ele se disse otimista e que o Ibovespa pode alcançar os 180 mil pontos daqui a três anos.

André Ribeiro, sócio da Brasil Capital, também disse que não compartilha de um otimismo "tão contagiante" quanto o colega da Dahlia. Mas também aposta em uma alta das ações com a melhora na avaliação que os investidores fazem das empresas.

Enquanto a bolsa brasileira é negociada a um múltiplo equivalente a 12 vezes o lucro, a média de outros mercados, como Índia, Indonésia e Grécia, aponta para 16 vezes.

Ribeiro lembrou, porém, dos problemas enfrentados recentemente por outros países da região são um alerta para o Brasil. "A gente vive num continente que é uma selva", afirmou, ao destacar que o Chile era considerado a Suíça da América do Sul e a Argentina teria todos os problemas resolvidos após a eleição de Mauricio Macri em 2015.

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O que tem na carteira?

Embora se classifique como um pessimista, João Braga, sócio e gestor de renda variável da XP Asset, também revelou uma visão positiva para a bolsa. A maior posição da gestora hoje é no setor de consumo, mais especificamente na Via Varejo. A gestora também detém ações da Qualicorp, administradora de planos de saúde coletivos.

Em ambos os casos, a aposta não está ligada apenas ao processo de recuperação da economia, mas também da reestruturação implementada pela gestão das companhias. "A gente gosta de investir em turnaround [reestruturação] nas fases boas do ciclo econômico", afirmou.

O gestor da XP Asset que também destacou o momento como favorável para investir em ações de empresas estatais, como Copel, Banrisul e Banco do Brasil.

"Se eu não tiver ação de estatal agora, como um governo liberal, vou ter quando?", afirmou.

Ainda na linha das estatais, André Ribeiro, da Brasil Capital, afirmou que pela primeira vez desde a fundação da gestora, há 11 anos, tem ações da Petrobras na carteira.

Ribeiro também vê perspectivas positivas para o setor de infraestrutura e tem posição em empresas como Cosan, Rumo e Alupar. Entre os setores ligados ao consumo, ele destacou as ações como Yduqs (educação), Hapvida e SulAmérica (saúde), além de Centauro (artigos esportivos) e Aliansce Sonae (shopping centers).

Quarta virada?

Para o gestor da XP Asset, o cenário político representa uma das principais ameaças para a continuidade do bom desempenho da bolsa. Braga afirmou que a agenda para as reformas pode empacar a partir do ano que vem, com as eleições municipais e o fim do mandato de Rodrigo Maia como presidente da Câmara.

Aqui, o papel de otimista coube mais uma vez a José Rocha. Para defender sua visão, o gestor da Dahlia fez referência ao livro "The Fourth Turning", dos historiadores norte-americanos William Strauss e Neil Howe. Os autores defendem que a história se move em ciclos, e se repete de tempos em tempos.

O que isso significa? Que três décadas após o ciclo cujo marco principal foi a Constituição de 1988, a pauta do Brasil deu uma guinada à direita a partir da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. "O Brasil está vivendo a sua quarta virada. A reforma tributária e as outras reformas serão aprovadas", afirmou.

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