Gestores de fundos falam em Ibovespa em até 250 mil pontos em 2022
Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim, segundo os gestores

Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim. Pelo menos essa é a visão de gestores de fundos de ações que participaram de um evento promovido pela XP Investimentos.
O mais otimista do grupo é José Rocha, sócio da Dahlia Capital. Ele provocou um pequeno frenesi na plateia ao afirmar que o Ibovespa, principal índice de ações da B3, pode chegar a 250 mil pontos em 2022. Esse patamar representaria uma alta de 126% em relação ao recorde de 110.622 pontos alcançado nesta quinta-feira.
Rocha citou quatro fatores que podem impulsionar a bolsa a atingir a marca daqui a três anos. O primeiro é o crescimento dos lucros das empresas, que ele estima em 15% ao ano nos próximos anos, o que segundo ele já representaria um potencial de alta de 50% para as ações.
O segundo é a perspectiva de uma redução ainda maior dos juros reais, representados pelas taxas dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B). Esse movimento levaria à queda na taxa de desconto das empresas listadas na bolsa e a uma reprecificação das ações.
O gestor da Dahlia mencionou ainda a aprovação da reforma tributária, com a redução da alíquota de imposto pago pelas empresas – apesar da contrapartida da taxação dos dividendos – e a expectativa de que a China implemente um novo pacote de estímulos a partir do ano que vem como potenciais gatilhos para novas altas do Ibovespa.
Quem assumiu o papel mais cauteloso foi André Laport, sócio-fundador da Vinland Capital. Ele ponderou que o cenário para a bolsa depende de eventos como o desfecho da guerra comercial e das eleições nos Estados Unidos. Ainda assim, ele se disse otimista e que o Ibovespa pode alcançar os 180 mil pontos daqui a três anos.
Leia Também
André Ribeiro, sócio da Brasil Capital, também disse que não compartilha de um otimismo "tão contagiante" quanto o colega da Dahlia. Mas também aposta em uma alta das ações com a melhora na avaliação que os investidores fazem das empresas.
Enquanto a bolsa brasileira é negociada a um múltiplo equivalente a 12 vezes o lucro, a média de outros mercados, como Índia, Indonésia e Grécia, aponta para 16 vezes.
Ribeiro lembrou, porém, dos problemas enfrentados recentemente por outros países da região são um alerta para o Brasil. "A gente vive num continente que é uma selva", afirmou, ao destacar que o Chile era considerado a Suíça da América do Sul e a Argentina teria todos os problemas resolvidos após a eleição de Mauricio Macri em 2015.
[captacao]
O que tem na carteira?
Embora se classifique como um pessimista, João Braga, sócio e gestor de renda variável da XP Asset, também revelou uma visão positiva para a bolsa. A maior posição da gestora hoje é no setor de consumo, mais especificamente na Via Varejo. A gestora também detém ações da Qualicorp, administradora de planos de saúde coletivos.
Em ambos os casos, a aposta não está ligada apenas ao processo de recuperação da economia, mas também da reestruturação implementada pela gestão das companhias. "A gente gosta de investir em turnaround [reestruturação] nas fases boas do ciclo econômico", afirmou.
O gestor da XP Asset que também destacou o momento como favorável para investir em ações de empresas estatais, como Copel, Banrisul e Banco do Brasil.
"Se eu não tiver ação de estatal agora, como um governo liberal, vou ter quando?", afirmou.
Ainda na linha das estatais, André Ribeiro, da Brasil Capital, afirmou que pela primeira vez desde a fundação da gestora, há 11 anos, tem ações da Petrobras na carteira.
Ribeiro também vê perspectivas positivas para o setor de infraestrutura e tem posição em empresas como Cosan, Rumo e Alupar. Entre os setores ligados ao consumo, ele destacou as ações como Yduqs (educação), Hapvida e SulAmérica (saúde), além de Centauro (artigos esportivos) e Aliansce Sonae (shopping centers).
Quarta virada?
Para o gestor da XP Asset, o cenário político representa uma das principais ameaças para a continuidade do bom desempenho da bolsa. Braga afirmou que a agenda para as reformas pode empacar a partir do ano que vem, com as eleições municipais e o fim do mandato de Rodrigo Maia como presidente da Câmara.
Aqui, o papel de otimista coube mais uma vez a José Rocha. Para defender sua visão, o gestor da Dahlia fez referência ao livro "The Fourth Turning", dos historiadores norte-americanos William Strauss e Neil Howe. Os autores defendem que a história se move em ciclos, e se repete de tempos em tempos.
O que isso significa? Que três décadas após o ciclo cujo marco principal foi a Constituição de 1988, a pauta do Brasil deu uma guinada à direita a partir da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. "O Brasil está vivendo a sua quarta virada. A reforma tributária e as outras reformas serão aprovadas", afirmou.
FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus