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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Novos recordes à vista?

Gestores de fundos falam em Ibovespa em até 250 mil pontos em 2022

Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim, segundo os gestores

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
6 de dezembro de 2019
5:25 - atualizado às 9:33
Gestores de fundos em evento promovido pela XP Investimentos
Gestores de fundos em evento promovido pela XP Investimentos - Imagem: Divulgação/ Cleiby Trevisan

Desde o início do atual ciclo de alta, a bolsa brasileira praticamente triplicou de valor. Mas o movimento ainda pode estar longe do fim. Pelo menos essa é a visão de gestores de fundos de ações que participaram de um evento promovido pela XP Investimentos.

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O mais otimista do grupo é José Rocha, sócio da Dahlia Capital. Ele provocou um pequeno frenesi na plateia ao afirmar que o Ibovespa, principal índice de ações da B3, pode chegar a 250 mil pontos em 2022. Esse patamar representaria uma alta de 126% em relação ao recorde de 110.622 pontos alcançado nesta quinta-feira.

Rocha citou quatro fatores que podem impulsionar a bolsa a atingir a marca daqui a três anos. O primeiro é o crescimento dos lucros das empresas, que ele estima em 15% ao ano nos próximos anos, o que segundo ele já representaria um potencial de alta de 50% para as ações.

O segundo é a perspectiva de uma redução ainda maior dos juros reais, representados pelas taxas dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B). Esse movimento levaria à queda na taxa de desconto das empresas listadas na bolsa e a uma reprecificação das ações.

O gestor da Dahlia mencionou ainda a aprovação da reforma tributária, com a redução da alíquota de imposto pago pelas empresas – apesar da contrapartida da taxação dos dividendos – e a expectativa de que a China implemente um novo pacote de estímulos a partir do ano que vem como potenciais gatilhos para novas altas do Ibovespa.

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Quem assumiu o papel mais cauteloso foi André Laport, sócio-fundador da Vinland Capital. Ele ponderou que o cenário para a bolsa depende de eventos como o desfecho da guerra comercial e das eleições nos Estados Unidos. Ainda assim, ele se disse otimista e que o Ibovespa pode alcançar os 180 mil pontos daqui a três anos.

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André Ribeiro, sócio da Brasil Capital, também disse que não compartilha de um otimismo "tão contagiante" quanto o colega da Dahlia. Mas também aposta em uma alta das ações com a melhora na avaliação que os investidores fazem das empresas.

Enquanto a bolsa brasileira é negociada a um múltiplo equivalente a 12 vezes o lucro, a média de outros mercados, como Índia, Indonésia e Grécia, aponta para 16 vezes.

Ribeiro lembrou, porém, dos problemas enfrentados recentemente por outros países da região são um alerta para o Brasil. "A gente vive num continente que é uma selva", afirmou, ao destacar que o Chile era considerado a Suíça da América do Sul e a Argentina teria todos os problemas resolvidos após a eleição de Mauricio Macri em 2015.

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O que tem na carteira?

Embora se classifique como um pessimista, João Braga, sócio e gestor de renda variável da XP Asset, também revelou uma visão positiva para a bolsa. A maior posição da gestora hoje é no setor de consumo, mais especificamente na Via Varejo. A gestora também detém ações da Qualicorp, administradora de planos de saúde coletivos.

Em ambos os casos, a aposta não está ligada apenas ao processo de recuperação da economia, mas também da reestruturação implementada pela gestão das companhias. "A gente gosta de investir em turnaround [reestruturação] nas fases boas do ciclo econômico", afirmou.

O gestor da XP Asset que também destacou o momento como favorável para investir em ações de empresas estatais, como Copel, Banrisul e Banco do Brasil.

"Se eu não tiver ação de estatal agora, como um governo liberal, vou ter quando?", afirmou.

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Ainda na linha das estatais, André Ribeiro, da Brasil Capital, afirmou que pela primeira vez desde a fundação da gestora, há 11 anos, tem ações da Petrobras na carteira.

Ribeiro também vê perspectivas positivas para o setor de infraestrutura e tem posição em empresas como Cosan, Rumo e Alupar. Entre os setores ligados ao consumo, ele destacou as ações como Yduqs (educação), Hapvida e SulAmérica (saúde), além de Centauro (artigos esportivos) e Aliansce Sonae (shopping centers).

Quarta virada?

Para o gestor da XP Asset, o cenário político representa uma das principais ameaças para a continuidade do bom desempenho da bolsa. Braga afirmou que a agenda para as reformas pode empacar a partir do ano que vem, com as eleições municipais e o fim do mandato de Rodrigo Maia como presidente da Câmara.

Aqui, o papel de otimista coube mais uma vez a José Rocha. Para defender sua visão, o gestor da Dahlia fez referência ao livro "The Fourth Turning", dos historiadores norte-americanos William Strauss e Neil Howe. Os autores defendem que a história se move em ciclos, e se repete de tempos em tempos.

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O que isso significa? Que três décadas após o ciclo cujo marco principal foi a Constituição de 1988, a pauta do Brasil deu uma guinada à direita a partir da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. "O Brasil está vivendo a sua quarta virada. A reforma tributária e as outras reformas serão aprovadas", afirmou.

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