E aí, foi bom? Veja os primeiros resultados das empresas de maconha
Os números receberam bastante atenção pelo fato de ser o primeiro período completo depois que o Canadá legalizou o uso recreativo da planta. Mercado observa desempenho e avanço na regulação para estimar preço-alvo das ações.

Após os enormes ganhos que as ações do setor de maconha tiveram no ano passado e nos primeiros meses de 2019, será que elas têm fôlego para subirem mais?
Esta é a pergunta que os investidores e especialistas estão se fazendo após o término da temporada de resultados e a forte correção nas últimas semanas.
Os balanços das principais companhias divulgados entre fevereiro e abril mostraram um certo padrão para a indústria legal de cannabis no quarto trimestre do ano passado.
Eles receberam bastante atenção pelo fato de ser o primeiro período completo depois que o Canadá legalizou o uso recreativo da planta, tornando-se o primeiro país do G7 a fazer isso.
Um olhar sobre os números do trimestre
Sem mais delongas, passarei rapidamente pelos resultados de três das maiores empresas do setor, começando pela líder Canopy Growth (NYSE: CGC).
Canopy Growth
A maior produtora mundial de maconha divulgou uma receita líquida de 83 milhões de dólares canadenses no trimestre, subindo 282% na comparação anual.
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Seu prejuízo ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, no entanto aumentou para 75,1 milhões, contra expectativa de 45 milhões dos analistas.
Os responsáveis foram os custos maiores relacionados a subsidiárias de cultivo que não estavam totalmente implementadas, ao desenvolvimento de produtos comestíveis e bebidas, além dos preços médios menores para a cannabis recreativa em relação à medicinal.
O CFO da empresa, Tim Saunders, disse durante a teleconferência que acredita que as margens brutas melhorarão nos próximos trimestres, quando todas as suas instalações de cultivo estiverem em pleno funcionamento.
É importante ter em mente que prejuízos são normais para empresas que acabaram de deixar a fase pré-operacional, ainda arcando com custos pesados de investimentos.
Por outro lado, isso aumenta a necessidade de se confiar no avanço da legalização e no consequente amadurecimento do mercado para quem deseja investir no setor – preferencialmente com foco no longo prazo.
Neste sentido, Saunders afirmou que novas formas de consumo de cannabis, como produtos comestíveis e bebidas, devem ajudar a impulsionar as margens “acima de 50 por cento nos próximos trimestres”.
Mesmo com a correção recente, as ações de Canopy sobem 78% em 2019 e 127% nos últimos doze meses.
Mas ainda estão abaixo dos 48,60 dólares que a Constellation pagou no ano passado para elevar sua fatia na companhia para 38%, o que para mim é um indicativo extra de que ainda vale a pena comprar o papel.
Aurora Cannabis
A história não foi muito diferente para a Aurora Cannabis (NYSE: ACB).
A empresa também viu suas margens encolherem após o aumento dos custos para desenvolver novos produtos e a queda dos preços.
Enquanto as vendas saltaram 362%, para 54,2 milhões de dólares canadenses, o prejuízo líquido de 238 milhões reverteu um pequeno lucro conquistado um ano antes.
Mesmo assim, o otimismo prevalece na companhia. Ela, que capturou 20% do mercado canadense no trimestre, vê uma grande oportunidade nas vendas medicinais ao redor do mundo.
“Se eu perder o sono por alguma coisa, será por causa da nossa capacidade de abastecer o mercado global de cannabis”, declarou de forma até um pouco arrogante Terry Booth, CEO da Aurora, na teleconferência.
A Aurora opera em 21 países e possui uma forte presença na União Europeia. A companhia anunciou, no início deste mês, que o investidor bilionário Nelson Peltz será seu assessor estratégico.
As ações da Aurora sobem 81% desde o início do ano, principalmente por conta da expectativa de que a empresa encontre um grande parceiro global para concretizar seus planos de expansão.
Tilray
Por fim, a Tilray (NASDAQ: TLRY), também entre as principais da indústria, revelou um padrão similar quando divulgou seus resultados há cerca de um mês.
Suas vendas trimestrais cresceram de 5,1 milhões de dólares americanos para 15,5 milhões na comparação anual, superando a estimativa consensual de 14,1 milhões.
Mas seu prejuízo no período saltou de 2,9 para 31 milhões, ficando bem acima da previsão de 13 milhões.
Para 2019, a empresa declarou que sua receita pode triplicar em relação aos 43 milhões registrados no ano passado.
O otimismo se deve ao fato de ela estar posicionada para atender a demanda crescente do canabidiol, o composto não intoxicante e psicoativo da planta, através da sua recente aquisição da Manitoba Harvest.
Ao contrário das concorrentes, a Tilray vê sua ação cair 28% no ano.
Isso porque o mercado passou a questionar fortemente o valuation da empresa após o papel ter chegado a multiplicar por mais de dez vezes o valor meses após o IPO.
Resumo da Ópera
Com base nos resultados divulgados por essas grandes produtoras, fica claro que elas estão no caminho certo para impulsionar suas vendas, mas ainda enfrentam dificuldades para controlar seus custos nos estágios iniciais da indústria.
O que é bastante normal para companhias inseridas em setores novos com ciclo de alto crescimento.
O que está no radar além dos resultados?
Vale lembrar que o mercado ainda padece de um histórico mais robusto de resultados para estabelecer métricas de valuation (metodologia que analisa o valor das empresas e de suas ações) e conseguir avaliar de forma mais segura os papéis do setor.
Hoje, as análises levam muito mais em consideração as projeções de vendas futuras que podem vir – ou não – a partir da onda global de legalização.
Este é o principal motivo de as ações de maconha serem extremamente voláteis, sujeitas a solavancos despertados por batalhas jurídicas e notícias sobre regulação.
Como comprar e minimizar riscos
Deixo mais uma vez o alerta de que investir em ações de maconha, sobretudo com foco no curto prazo, é bastante arriscado. As empresas ainda precisam encontrar um caminho para a rentabilidade, o que em minha opinião vai acontecer com o tempo.
Muitas também morrerão no meio do caminho, motivo pelo qual sugerimos que os investidores se atenham aos grandes nomes e busquem o melhor ponto de entrada ou comprem “cestas de ações”.
Existem maneiras bastante eficientes de se expor à indústria com um risco reduzido, seja através dos ETFs ou de uma carteira que contemple os principais players de cannabis.
De qualquer forma, temos sim um mercado multibilionário se abrindo bem diante dos nossos olhos. E agora talvez seja a sua última grande oportunidade de ganhar um bom dinheiro com ele, mesmo que você tenha pouco para começar.
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