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Apesar do potencial que as empresas de menor valor de mercado podem ter, é preciso atenção para não cair em furadas
Por mais que já tenham se passado mais de dez anos desde a crise de 2008, o que não faltam são histórias sobre fundos e empresas que sofreram bastante com a recessão mundial. Fábio Alperowitch, que é gestor da Fama Investimentos, sabe bem o que é isso.
Hoje, ele é responsável pela gestão de um fundo que trabalha com empresas que negociam mais do que R$ 4 milhões por dia.
Ao conversar comigo, Alperowitch disse que não gosta de colocar rótulos do tipo small, mid e large caps. Mas que, na época, as aplicações que possuía em empresas "ilíquidas" provocaram uma mudança de pensamento na gestora.
Apesar da valorização expressiva do índice de small caps (SMLL), que avançou quase 27% nos últimos 6 meses até a última sexta-feira (1º), é preciso atenção na hora de escolher a sua companhia preferida.
"Não é sempre que vale a premissa que, quanto mais líquida, mais vale uma empresa, mas a liquidez importa sim. Quando a companhia vai bem, isso é menos problemático, porém quando ela vai mal, não há saída a preço nenhum", diz Alperowitch.
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Mas não foram só os fundos que investiam em companhias menos líquidas que foram impactados após a crise de 2008. Segundo o gestor, o grande problema é que diante de um mundo com menor liquidez, os investidores globais cortaram o apetite pelo risco e passaram a buscar ativos considerados mais seguros.
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Com isso, a demanda pelos fundos que investiam em empresas menos líquidas caiu bastante e a alternativa dos gestores foi diminui-lo gradativamente até o seu fechamento. Outra questão é que muitas empresas começaram a ir mal porque deixaram a ter acesso ao crédito.
"Para completar, ainda houve a questão da alavancagem. Havia fundos com o patrimônio muito alavancado e que quebraram ou fecharam quando a situação ficou feia", destaca o gestor.
Mas qual seria a melhor forma de investir em small caps? Além de Alperowitch, conversei com outros especialistas para entender as melhores possibilidades entre as small caps e como aproveitar o possível boom delas na bolsa.
Depois de comentar sobre os riscos de se investir em fundos que trabalham especificamente com small caps, uma opção interessante pode ser o investimento por meio dos Exchange Traded Funds (ETFs). No caso das empresas menos líquidas, a opção disponível é o SMAL11. Os ETFs permitem o investimento fracionário ou pelo lote padrão (que equivale a adquirir dez cotas do fundo).
Na prática, ao comprar uma cota, o investidor fica exposto às variações do índice sem ter que se preocupar com a negociação das ações. Por isso, você paga ao gestor uma taxa de administração anual, que é abatida diariamente na cota do produto.
E essa é a melhor opção na opinião do analista-chefe da corretora Necton, Glauco Legat. Na conversa que tive com ele, o especialista me contou que a vantagem de se investir no SMAL11 é a possibilidade de diversificação, se compararmos com o investimento em ações de forma individual.
O segundo ponto é que é difícil ganhar do mercado, especialmente quando o investidor é pessoa física. A razão é que o investidor pode fazer uma análise bem boa, mas corre o risco de errar na alocação.
"Por meio do ETF, ele vai ser bem menos impactado pela taxa de corretagem. Isso porque se ele aplicar em cerca de dez ações, ele terá dez boletos de compra e dez de venda. Logo, o custo será muito maior", destaca Legat.
O analista ressalta que o SMAL11 possui empresas mais atreladas à atividade doméstica. No caso delas, a expectativa é que elas sejam mais impactadas positivamente agora com retomada do crescimento e por conta da alavancagem operacional.
Outro ponto de atenção é com os custos. Ao investir em ETFs, o investidor paga uma taxa de custódia, de corretagem e também precisa contribuir com emolumentos. Ao analisar as opções oferecidas na XP, Ativa, Modal, Guide e Genial, Clear e BTG Pactual, achei a Clear melhor por não cobrar taxa de custódia e nem corretagem. Existe apenas o pagamento de emolumentos à B3.
Apesar das apostas de Legat serem em ETFs, há quem tenha uma visão bem diferente. Em vez de investir nas clássicas empresas que estão listadas no índice de small caps, Werner Roger, gestor da Trígono Capital, prefere ir atrás de papéis que estão fora do radar dos demais investidores.
"Ao investir fora deste espectro, nossas oportunidades são maiores e nos afastamos do efeito manada característico dos movimentos simultâneos de mercado que nada tem a ver com o valor ou fundamentos das empresas, mas tão somente espelham fluxo e liquidez", afirma.
Mas para entrar na jogada é preciso ter visão de médio prazo. O gestor me contou que trabalha focado em resgates entre três e cinco anos depois de aplicar o valor. Por isso, ao buscar um fundo, nada de olhar apenas para os 12 últimos meses.
O fundo Trígono Absoluto Small Caps está disponível na plataforma do BTG. A aplicação inicial dele é de R$ 5 mil, com movimentação mínima de R$ 1 mil. A taxa de administração cobrada é de 2% ao ano.
Além dele, há o fundo Fama FIC Ações, da Fama Investimentos, sob gestão de Fábio Alperowitch.
O fundo investe em empresas que negociam mais do que R$ 4 milhões por dia, que não tenham risco de crédito e balanço forte. A taxa de administração é de 2% ao ano mais 20%.
O investimento inicial, por sua vez, é de R$ 5 mil e a aplicação adicional é de R$ 5 mil.
Mas quem preferir se arriscar um pouco mais de forma individual pode optar por investir em ações logo. Fora do radar do índice de small caps, os papéis que estão no radar de Roger são Ferbasa e Tupy. A primeira é uma empresa produtora de minério de ferro e que deve se beneficiar da recuperação nos preços do ferro cromo, que é o seu principal produto.
Segundo o que me contou, a África do Sul e China estão reduzindo a produção, o que provoca aumento de preços. Outro ponto é que a empresa utiliza os preços europeus como base de negociação com seus clientes e é bem provável que eles tenham forte reajuste em abril.
Além disso, o gestor defende que a companhia paga bons dividendos aos seus clientes com yield acima de 5%, possui balanço forte e pode ter potencial de valorização de 100% em dois anos.
Outra aposta de Roger é na fundidora Tupy. Ela é líder mundial na produção de blocos de ferro fundido, e mais de 80% das suas vendas são para veículos comerciais médios e pesados. O ponto é que o desastre em Brumadinho está levando à subida no preço dos minérios e à revisão da seguranças das minas em alguns países. Esse movimento deve desencadear maior demanda por máquinas pesadas e caminhões no Brasil e no mundo, o que favorece a Tupy.
A companhia paga bons dividendos, com yield acima de 8%, e o mercado norte-americano continua forte, assim como a indústria de petróleo e construção são grandes demandantes de máquinas e veículos que usam produtos Tupy em seus motores.
Se optar por esse tipo de investimento, o investidor precisará arcar com taxas de corretagem, custódia e emolumentos. A melhor opção nesse caso é optar pelas corretoras Inter e Clear, que não possuem taxa de custódia e nem de corretagem.
Independentemente da opção que o investidor decidir, todos os investimentos precisam ser declarados no Imposto de Renda. No caso do ETF, o IR incide no momento da venda das cotas. A alíquota cobrada é de 15% sobre o ganho de capital que o investidor obteve (diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição).
Nos fundos classificados como de ações, a alíquota é a mesma do ETF, e não há a incidência do chamado "come cotas" como nas carteiras de renda de renda fixa e multimercados.
Se você não conseguiu decidir a maneira mais interessante para você, o melhor é pensar qual é o seu perfil de investidor e entender que, se você está começando, talvez uma forma mais inteligente de entrar será por meio de ETFs ou fundos.
Na minha opinião, o mais arriscado é optar pelo investimento em ações de forma individual. Além de o fato de que as taxas de corretagem costumam ser mais altas, há a possibilidade que o investidor erre na alocação e não consiga diversificar tanto.
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