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Entre os destaques está o fato de que a construção cresceu 2,0%, o que seria o primeiro resultado positivo após 20 trimestres consecutivos de queda na base de comparação do IBGE
Ainda que a expectativa do mercado fosse de cautela, o diagnóstico do Produto Interno Bruto (PIB), que foi feito hoje (29), parece contar uma história um pouco melhor para a economia brasileira. De acordo com os dados do IBGE, o indicador cresceu 0,4% nos últimos três meses, em comparação com o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal.
O mercado esperava por uma expansão em torno de 0,2% e os mais pessimistas alentavam um risco de recuo no PIB, o que colocaria a economia brasileira em recessão técnica.

Já na comparação com o segundo trimestre de 2018, o PIB cresceu 1,0%. Em valores correntes, o principal indicador da economia brasileira totalizou R$ 1,78 trilhão.
Ainda que o resultado tenha vindo melhor do que o esperado, a economia ainda dá sinais de que sofre com a falta de combustível para ganhar tração de verdade.
De acordo com os dados do IBGE, a expansão leve do indicador foi puxada em grande parte pelos ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%).
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O crescimento na indústria foi influenciado pela expansão das indústrias de transformação (2,0%) e construção (1,9%). Já as indústrias extrativas registraram recuo (-3,8%) no período.
Na fala da gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, “juntas, as indústrias de transformação e construção respondem por cerca de 70% do setor. Além disso, a indústria de transformação tem peso no segmento de bens de capital, que contribuem para os investimentos internos e externos”.

Já as indústrias extrativas registraram recuo (-3,8%) em comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Já o setor de serviços teve um resultado positivo, especialmente por conta das atividades imobiliárias (0,7%), comércio (0,7%), informação e comunicação (0,5%) e outras atividades (0,4%).

A agropecuária, por sua vez, caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2019, graças a lavouras como a do algodão e do milho, que tiveram crescimento na estimativa de produção anual de 32,5% e 21,4%, respectivamente.

Um dos pontos que chamam a atenção dentro da expansão da indústria é o fato de que a construção cresceu 2,0%, o que seria o primeiro resultado positivo após 20 trimestres consecutivos de queda na base de comparação do IBGE.
Se olharmos alguns dados, como construção, temos a impressão de que o resultado veio melhor que a catástrofe antecipada pelo mercado. Ainda assim, uma observação positiva não constitui tendência, embora ajude na construção de condições para uma retomada, mesmo que gradual
Em compensação, na outra ponta, a indústria extrativa teve a contração mais acentuada na série histórica, de 9,4%.
Pela ótica da despesa, as variações positivas ficaram com as despesas de consumo das famílias (0,3%) e a formação bruta de capital fixo (3,2%). Por outro lado, é interessante também ver que as despesas de consumo do governo recuaram 1,0%.
Assim como aconteceu no último trimestre, o consumo das famílias permaneceu puxando o avanço, com expansão de 1,6%, nono trimestre seguido de resultados positivos. A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 5,2%.
“Mais uma vez, vemos o consumo das famílias influenciando a demanda, além de ter puxado o aumento do comércio varejista. Já o comércio por atacado cresceu graças às indústrias de transformação, principalmente a metalurgia e produção de máquinas e equipamentos. Junto com a importação, a produção doméstica de bens de capital e a construção explicam a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo”, conclui Claudia Dionísio.
Assim como já tinha sido mostrado pelo Boletim Focus nas últimas semanas, a expectativa do mercado era de cautela.
Na última segunda-feira (26), por exemplo, o Focus estimou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 de 0,80%, abaixo da previsão da semana passada, de 0,83%. Para 2020, a estimativa dos economistas passou de 2,20% para 2,10%.
No fim de junho, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 2,0% para elevação de 0,8%.
Da mesma forma, o banco suíço UBS divulgou nesta semana que espera um crescimento de 0,8% do PIB neste ano, ante a previsão inicial de 1%.
E não foi só isso. Os analistas também revisaram para baixo a expectativa de expansão do indicador no próximo ano que passou de 2,2% para 1,5%. Em sua avaliação, os especialistas disseram que o "céu está escurecendo" no Brasil.
Entre as razões para o maior pessimismo está o fato de que os níveis de investimento permaneceram extremamente baixos, mesmo depois de terem caído cerca de 30% durante a recessão brasileira.
"Nós não vimos uma recuperação substancial dos investimentos, que é uma das condições necessárias para que o Brasil volte a crescer 2%", destacaram os analistas.
Os especialistas também pontuaram que nem a redução dos desequilíbrios macroeconômicos nem a aprovação de várias reformas foram suficientes para fazer com que as taxas de crescimento passassem de 1% no país, - níveis que foram vistos no país últimos três anos.
Com isso, os números positivos devem ser olhados com cautela. Os fracos resultados dos atividade econômica e o nível elevado do desemprego ao longo do primeiro semestre não empolgam.
Assim como nem a aprovação de uma reforma da Previdência robusta no Congresso pode ter forças para acelerar o ritmo de crescimento do país no próximo trimestre e a retomada da economia pode ficar de fato para 2020.
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