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O PESO DA GUERRA

Selic mais alta no radar? Santander revisa projeções de inflação com disparada do petróleo

Banco eleva projeções de inflação após alta do petróleo e alerta para impactos no real, taxa de juros e economia brasileira

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Selic - Imagem: Rmcarvalho/iStock - Montagem: Giovanna Figueredo

Com a tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã se arrastando sem perspectiva clara de solução, o Santander recalibrou o cenário para o petróleo — e não foi para baixo. A casa passou a trabalhar com a commodity acima dos US$ 100 por mais tempo.

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Nesta sexta-feira (27), o barril do Brent, referência para a Petrobras (PETR4), girava na casa dos US$ 107.

Para os economistas do banco, a alta pode até melhorar as receitas do governo, ajudando a manter o real mais controlado. Ainda assim, isso não é suficiente para equilibrar as contas, o que pode bater no câmbio.

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“Nesse ambiente, iniciou-se um ciclo de redução da Selic, mas o choque de oferta reduziu o espaço para flexibilização”, afirma o Santander.

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Mais inflação e mais juros, aponta Santander

Com esse cenário, o Santander elevou a projeção da Selic para 2026 de 12,25% para 12,50%. Para 2027, o banco passou a ver a taxa básica de juros em 12%, ante 11,50%.

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Para este ano, a equipe também revisou para cima a projeção de inflação medida pelo índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA). Agora, o banco estima alta de 4,5% (antes, 3,9%). Para 2027, a projeção de 4% foi mantida.

Em ambos os casos, as estimativas seguem acima da meta do Banco Central de 3%.

“O efeito direto se dá principalmente via combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação”, explica o banco.

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Além disso, o Santander vê impactos potenciais sobre tarifas de energia elétrica — via maior despacho de usinas térmicas — e sobre fertilizantes, o que pode afetar a área plantada e a produtividade da safra 2026/27.

“Indiretamente, preços mais elevados do petróleo pressionam custos de produção e fretes, além de reforçarem a inércia inflacionária”, aponta o relatório.

Esse cenário se soma ao risco de deterioração adicional das expectativas em um ambiente já marcado por desancoragem, “o que tende a ampliar a difusão do choque sobre os preços ao consumidor”.

O alívio pode vir em 2027, quando um real mais estável e a ausência de nova deterioração das expectativas de longo prazo podem ajudar a dissipar o choque e gerar efeitos desinflacionários.

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Bancos centrais em compasso de cautela

O relatório destaca ainda que, por ora, os principais bancos centrais têm reagido com cautela, evitando ajustes precipitados enquanto monitoram os impactos sobre atividade e inflação.

O presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil entra no atual choque geopolítico em uma posição relativamente mais confortável do que outros países.

“No Brasil, o choque do petróleo tem efeitos mistos sobre o setor externo: eleva o valor exportado e melhora a balança comercial, mas o déficit em conta corrente ainda permanece elevado”, destaca o banco.

Segundo o Santander, o real foi favorecido no curto prazo, embora haja espaço limitado para ganhos sustentados no médio prazo. O banco manteve a projeção de depreciação gradual da moeda, para R$ 5,60/US$ em 2026 e R$ 5,70/US$ em 2027.

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Na política fiscal, o petróleo mais alto tende a melhorar a arrecadação, tanto pelo impacto direto sobre o setor quanto pelo efeito de um Produto Interno Bruto (PIB) nominal mais elevado.

“Vemos como mais factível o cumprimento da banda da meta primária neste ano. O risco segue sendo a adoção de novas medidas para mitigar os efeitos do choque energético. Além disso, o impulso fiscal ainda é relevante para sustentar a atividade, e a dívida pública segue em trajetória de alta”, destacam os analistas.

*Com informações do Money Times

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