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Vice-presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, atendeu a um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro e determinou a suspensão da investigação sobre movimentações de Queiroz
O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta sexta-feira, 18, que o presidente Jair Bolsonaro é “vítima” de um processo de tentativa de desgaste envolvendo a repercussão das investigações sobre a movimentação atípica do ex-assessor do seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ontem, o Supremo Tribunal Federal paralisou a apuração do Ministério Público do Rio aberta após o Estado revelar o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Para Onyx, é preciso ter “cautela” e aguardar a manifestação da Justiça.
“O governo, do ponto de vista do presidente Bolsonaro, tem muita tranquilidade, porque isso não tem rigorosamente nada a ver com o que envolve o presidente. Ele é, mais uma vez, vítima desse processo”, afirmou Onyx ao jornal "Estado de S. Paulo".
O vice-presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, atendeu a um pedido da defesa de Flávio e determinou a suspensão da investigação sobre movimentações de Queiroz. A decisão de Fux paralisa a apuração e vale até o ministro Marco Aurélio Mello, relator do processo no Supremo, analisar o caso depois que o tribunal retomar as suas atividades, em 1.º de fevereiro.
Onyx minimizou o movimento da defesa, afirmando que não prejudica o governo. “Esse é um caso circunscrito a um funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Eu acho que existe, como eu disse, um grande esforço no sentido de desgastar o presidente Bolsonaro. O que o presidente Bolsonaro tem a ver com essas questões, né? Houve uma decisão do Supremo Tribunal Federal exatamente porque viu que tem alguns problemas nessa questão e na condução. Acho que temos de aguardar a manifestação da Justiça e o presidente tem absoluta tranquilidade, serenidade em relação a isso. E por mais que alguns veículos e alguns setores da sociedade brasileira forcem a barra, o governo não vai perder seu rumo não”.
Apesar da defesa do ministro, o pedido feito por Flávio causou mal-estar no Palácio do Planalto. Nos bastidores, auxiliares do presidente Jair Bolsonaro e ministros disseram que a estratégia usada pela defesa tem potencial para provocar mais desgaste ao novo governo. Ao solicitar a suspensão das apurações, a defesa de Flávio alegou que o cargo de senador lhe confere foro especial no STF. Contudo, a argumentação contradiz discurso do presidente, que sempre disse ser contrário ao foro privilegiado.
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Questionado se, por ele ser filho do presidente, o ato não prejudicaria a imagem do governo, Onyx negou: “Sim, mas ok. É filho dele. Mas, vamos lá. O filho dele nem é investigado. Olha a dimensão que tomou, sem o filho ser investigado. Ele não é réu, não tem processo aberto, não tem inquérito. Por isso que eu digo que precisamos ter cautela”.
Onyx também minimizou os desencontros do início do governo. “Podemos pegar o Real Madrid, ou o Palmeiras aqui no Brasil. Quando começa a Champions League, ou o Campeonato Brasileiro, o desempenho apresentado ao final é complemente diferente do que existe no início. É desconectado. Ou seja, por mais craques que existam num time de futebol, sempre leva um tempo para fazer os ajustes. Ainda mais em um governo, onde a maioria absoluta, quase unanimidade, nunca teve experiência no Executivo. Esses ajustes são normais. O problema é que, no Brasil, quando terminou o segundo turno das eleições, uma parte das mídias brasileiras, no dia 29, que sempre estiveram alinhadas com aqueles que estiveram no poder movidos pela parceira ideológica de esquerda, começou um terceiro turno eleitoral e que continua até o dia de hoje.
Para ele, a eleição ainda “não terminou”: "O terceiro turno eleitoral não terminou. Então, por exemplo, coisas muito pequenas e que não tem relevância alguma, ganham uma dimensão absurda. Estampam manchetes, depois tem os desdobramentos nos blogs, radio e TV. Mas isso é parte da democracia e precisamos conviver com isso com bastante humildade para reconhecer que em algum momento podemos errar. Mas temos a firme determinação do presidente de acertar todos os dias e eles nos mobiliza a todos para que façamos um governo que sirva aos brasileiros e brasileiras".
O ministro também afirmou que a falta de experiência como parlamentar do futuro líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), não vai ser um problema. Para ele, basta “treino”.
“Olha, o Major, apesar de ser novato, é um homem muito inteligente. Ele passou num concurso público duríssimo como assessor da Câmara dos Deputados, já tem um conhecimento sobre como funciona a Câmara e nós vamos ajudar. Lembrar que, se somar o tempo do presidente na Câmara com o meu, da mais de meio século. Vamos dar uma boa treinada e vai dar tudo certo”.
O ministro falou ainda que não vai interferir na eleição no Congresso: “O governo tomou uma decisão: ele não intervir nas eleições da Câmara e do Senado. O governo vai respeitar a autonomia e independência dos poderes. Todos os governos recentes que tentaram influenciar fortemente nas eleições legislativas, não funcionou. Queremos um governo de muito dialogo, trabalhar pelo convencimento. E se queremos um governo de diálogo, seria incoerente tentar interferir na eleição de outra casa. É uma definição das bancadas e congressistas. A decisão que for tomada, vamos respeitar”.
*Com Estadão Conteúdo
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