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Não chegue atrasado

Ouro sobe 17,9%, mas investir agora pode ser arriscado

Especialistas indicam ainda que as condições para que o ouro siga em alta passam por uma relativa piora no cenário internacional.

Ouro
Imagem: Shutterstock

O ouro fechou o mês de agosto como o ativo de maior valorização no mercado financeiro. O crescimento em relação a julho foi de 17,95%, bem acima do segundo colocado, o dólar, que subiu 8,46% no período. No acumulado do ano, o metal segue na liderança, com alta de 34,13%.

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A subida acompanhou o mercado internacional, onde o ativo atingiu a maior cotação desde 2013 para os contratos futuros, sendo negociado a US$ 1.527,80 a onça-troy (unidade de medida americana que corresponde a 31,1035 gramas) para o mês de dezembro. Quem quiser aproveitar essa valorização para melhorar os rendimentos, porém, pode chegar atrasado.

"O investidor sempre é atraído pelo que subiu. O que o faz comprar na alta e vender na baixa, ao contrário do que deveria acontecer. Hoje, o ouro é um investimento arriscado, porque já se valorizou. Logo, não dá para dizer se vai continuar nesse movimento ou não", diz o administrador de investimentos Fabio Colombo, responsável pelo ranking dos ativos mais rentáveis no mês.

Os especialistas indicam ainda que as condições para que o ouro siga em alta passam por uma relativa piora no cenário internacional. E prever se isso vai acontecer não é tarefa fácil.

"Os bancos centrais do mundo todo têm baixado as taxas de juros para tentar estimular a atividade econômica. Essa receita deu certo após a crise de 2008, mas o mundo mudou muito e ainda contamos com a tensão comercial entre Estados Unidos e China. Não tem como saber se o resultado será o mesmo", diz Fernando Fridman, responsável pela área de produtos da Ouroinvest.

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Extremo

"O queridinho do mundo para se proteger sempre foi o Tesouro americano. Com a curva de juros dos EUA no longo prazo tão baixa, porém, o ouro passa a ser uma opção", diz Rodrigo Franchini, responsável pela área de produtos da assessoria de investimentos Monte Bravo.

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O fenômeno que Franchini observa é o de inversão de curva dos juros pagos aos títulos do tesouro americano. Os papéis com vencimento daqui a dez anos estão com rendimento menor do que os que vencem em dois anos. Esse mecanismo é visto como um sinal de que os investidores projetam crescimento econômico fraco no futuro e inflação baixa.

Nesse contexto, a fuga para o ouro acontece sem perspectivas de ganho, mas sim de proteção contra grandes oscilações do mercado, um processo conhecido como hedge. "Como o ouro não está ligado diretamente a nenhuma economia, recorre-se a ele nesses momentos", diz Franchini.

O investidor pode olhar o desempenho desse ativo como um termômetro do mercado, que, para os especialistas, se encontra em estado de atenção.

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"Ouro é para quando o mundo está em guerra. Hoje estamos em sinal laranja, entre o amarelo e o vermelho, para o mercado financeiro", explica a consultora de investimentos da Órama Sandra Blanco.

Ela lembra que, fora desses momentos de muitas incertezas em relação à desaceleração global, o ouro é um ativo que não rende ou se valoriza. "Ele estava parado desde 2013, só recuperou o valor agora."

Custa caro

Como se trata de uma commodity, que não paga dividendos nem rende juros, o ouro pode custar caro para a carteira do investidor comum.

"Ouro não é investimento, é reserva de valor", diz o planejador financeiro Michael Viriato. Ele explica que o ativo só é uma opção viável para a carteira de investidores com nível de diversificação global, que separam uma pequena parte de seus montantes para esse metal.

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"O investidor menor pode ter ganhos nessas janelas de insegurança, mas isso é para investidores que focam em negociações de curto prazo mais arriscadas."

Ele comenta que, como o mercado de ouro tem poucos investidores, as negociações mudam rapidamente seu preço e, para ganhar dinheiro, é preciso antecipar esses movimentos. "Os gestores profissionais de fundos conseguem aproveitar essas oportunidades com mais eficiência", afirma Viriato.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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