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Análise

Maia e Guedes declaram guerra às “Fake News” sobre Previdência

De acordo com o presidente da Câmara, estratégia é não deixar que algumas corporações trabalhem com informações falsas

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Eduardo Campos/SeuDinheiro

Tão ou até mais importante que definir idade mínima, regras de transição ou sistema de capitalização, aprovar uma reforma da Previdência passa por uma dura batalha de comunicação.

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O deputado não vai votar um projeto se a percepção geral, mesmo que formada por “memes” e vídeos com continhas duvidosas no “YouTube”, trouxer a eterna e por vezes equivocada batalha de classes. Mentiras confortantes e ilustradas causam estragos, por vezes, irreparáveis.

Os detentores de “direitos adquiridos” e outros “justos privilégios” mostram enorme capacidade de usar os pobres como uma barreira para impedir mudanças nos sistemas de previdência e de tributos. É uma das facetas da “tirania do status quo”.

Por isso, o ponto que chamou atenção nas falas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi justamente a ênfase em combater informações falsas e descoladas da realidade, as famigeradas “Fake News”. E sabemos bem que a velocidade de propagação de uma informação é inversamente proporcional à sua veracidade.

Maia foi enfático ao dizer que o problema não é a reforma, mas sim “as mentiras que se falam sobre a reforma”. A estratégia, segundo o presidente da Câmara é não deixar que algumas corporações, de entes públicos notadamente, trabalhem com informações falsas.

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“Nosso problema no debate da previdência no governo Michel Temer foram as falsas informações que algumas categorias levaram à sociedade”, disse.

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De acordo com Maia, se o brasileiro soubesse que o trabalhador que se aposenta com um salário mínimo, aos 65 anos, pois não conseguiu cumprir o prazo de 15 anos de contribuição, financia a aposentadoria de quem se aposenta com 55 anos e ganhando mais, talvez o Brasil tivesse uma crise de relacionamento, “quase uma guerra civil”.

“Se os brasileiros tivessem a informação correta de que é o pobre que paga a aposentadoria dos que ganham mais, talvez os brasileiros entrassem em processo de muita revolta”, disse.

Segundo Maia, aquele que está se aposentando mais cedo e com maior salário vai para imprensa dizer que é o trabalhador que ganha salário mínimo que será prejudicado. De acordo com ele, a proposta não tira nada dos que ganham menos e organiza para os que ganham mais.

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Vimos essa batalha de desinformação acontecer em vídeos e campanhas de corporações ao longo do governo Michel Temer e essa campanha de desinformação já volta a se articular.

“Temos mais experiência, hoje, e não vamos deixar que algumas corporações tratem a reforma com falsas verdades. Vamos tratar dela com a verdade. Se tratarmos com as verdades, vamos ganhar essa batalha”, disse Maia.

Para Maia, o vazamento de um desenho da proposta da reforma, na segunda-feira, já é o início do trabalho para desorganizar a votação do projeto. Guedes também atacou o vazamento.

“Quando o brasileiro souber que o maior sistema de transferência de renda do mundo é a Previdência brasileira, vamos ter o apoio da sociedade”, afirmou Maia.

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Guedes voltou a falar que a Previdência brasileira tem sido uma fábrica de desigualdades, perpetuando privilégios e acentuando diferenças e desigualdades sociais. O que se busca, segundo o ministro, é uma reforma que “atenue”, que “reduza” isso.

Segundo Guedes, é preciso difundir que a reforma é “virtuosa” e não cair na “armadilha corporativista dos que se beneficiam com isso, daqueles que vazam e tentam atacar o tempo inteiro”.

Aposta

Segundo Maia, a reforma é essencial para o equilíbrio das contas públicas e o governo tem de chegar a um modelo que garanta um impacto fiscal capaz de garantir a redução ou estabilização da relação dívida/PIB no curto prazo.

"Eu aposto com vocês que se a gente aprovar a Previdência, o Brasil vai crescer nos 12 meses seguintes mais de 6%", disse Maia.

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A projeção é do próprio presidente da Câmara que disse ter certeza de que "pelo PIB potencial que o Brasil tem hoje, vamos crescer mais de 6% [taxa anualizada] nos 12 meses seguintes" à aprovação.

"Aposto muito que a reforma vai tirar muitos brasileiros do desemprego, do desalento e da pobreza, porque ela vai garantir o equilíbrio fiscal de longo prazo", disse.

Chamando a responsabilidade

Maia disse que a proposta do governo é muito boa e que ele não precisa do texto final para entender o escopo da reforma. "Quando chegar na Câmara, a responsabilidade será minha", disse.

Antes disso, ele já tinha dito que "estou aqui para ajudar o ministro Paulo Guedes", que é um "grande economista",  que tem "orgulho de tê-lo" como ministro da economia e que vai "ajudar como presidente da Câmara".

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Segundo Maia, a base de apoio do governo está em discussão, mas ela pode chegar a 350 deputados. Para Maia, o problema não é o tempo de tramitação ou se a proposta de Temer, que já está na Câmara, será usada. "O que temos de garantir é voto."

Com relação ao prazo de votação, Maia fez uma suposição. Se a Câmara trabalhar com o mês de maio como limite, o Senado pode voltar já em junho, pois o ritmo de tramitação é mais curto por lá. Para Maia, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, é um "liberal" e membro do Democratas (DEM) e não há dúvida que Alcolumbre vai defender a aprovação da reforma também.

Economia de trilhão

Segundo Guedes, assim que o presidente Jair Bolsonaro retornar a Brasília, serão apresentadas duas ou três versos diferentes de reformas que já estão com simulações feitas. Dependendo do cenário, a economia pode ser de R$ 1 trilhão ao longo de dez anos.

O desafio, segundo o ministro da Economia, não é só salvar a Previdência antiga, mas impedir e livrar as gerações futuras desse mecanismo atual e perverso de transferência de renda, "desse sistema que piora a desigualdade e destrói empregos em massa".

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Ainda de acordo com Guedes, teremos um novo regime previdenciário e trabalhista. Na campanha, o programa defendido por Guedes e Bolsonaro falava na criação de um carteira de trabalho "verde e amarela", que seria ofertada aos novos entrantes no mercado de trabalho, atrelado à redução de impostos para as empresas, e sistema de capitalização na aposentaria. Sobre esse regime de contas individuais de previdência, Guedes disse que será um "segundo capítulo".

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