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apesar da economia do país

Frota própria puxa venda de caminhões

De janeiro a maio, vendas registraram alta de 47%; movimento das empresas é motivado pela elevação dos custos em função da tabela de frete

Caminhão transporta soja na BR-163, de Santarém para Cuiabá
Caminhão transporta soja na BR-163, de Santarém para Cuiabá - Imagem: Shutterstock

Apesar da estagnação da economia, as vendas de caminhões no País somaram 39 mil unidades nos cinco primeiros meses do ano, alta de 47% ante igual período de 2018, sinalizando que está se consolidando um movimento de investimentos das empresas em frotas próprias, na esteira da elevação de custos com o preço tabelado do frete. Os dados foram divulgados ontem pela Fenabrave, entidade que representa concessionárias de veículos.

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A produtora de soja e milho Amaggi, da família do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, o frigorífico JBS e a fabricante de alimentos Predilecta já fizeram investimentos do tipo. A processadora de grãos americana Cargill estuda seguir o mesmo caminho desde o ano passado - a empresa informou que ainda não tomou uma decisão, pois aguarda a posição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade da tabela. A concorrente Bunge informou que aguarda uma decisão do Supremo "avaliando diversas possibilidades em relação ao frete de seus produtos" e disse, em nota, que "confia que o Poder Judiciário afastará a tabela de fretes mínimos o mais rápido possível".

O tabelamento do preço do frete foi instituído por lei em agosto, após a greve de caminhoneiros que paralisou o País, em maio de 2018. Diversos setores reclamaram da medida, por causa do custo. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de 2018, estimou que os gastos com transporte rodoviário subiram em média 12%. A medida acabou questionada no Supremo, mas, enquanto as ações não são julgadas, vale a tabela, conforme decisão liminar da corte.

Ao longo do segundo semestre de 2018, as vendas de caminhões foram crescendo mês a mês e fecharam em 76,4 mil unidades, alta de 46,8% ante 2017, conforme a Fenabrave.

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Para Bráulio Borges, economista sênior da LCA Consultores, não há outra "explicação plausível" para a continuidade do crescimento nas vendas que não seja a demanda das empresas investindo em frotas próprias. Isso porque a atividade está estagnada não só na economia como um todo, mas o fluxo de caminhões nas rodovias com pedágio, calculado pela ABCR, entidade que representa as concessionárias, não cresce desde o início de 2018.

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Movimento generalizado. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transportes (Anut), Luis Henrique Baldez, o investimento em frotas próprias é um movimento "natural" e "generalizado", embora as estratégias das empresas variem. Em alguns casos, as empresas recorrem a outras modalidades de transporte, como a cabotagem e as ferrovias. Em outros, compram ou alugam caminhões.

A Amaggi, por exemplo, anunciou a compra de 300 caminhões da Scania em novembro passado. À época, a montadora sueca informou que tinha outras 400 encomendas, de clientes variados. O frigorífico JBS confirmou a aquisição de 360 caminhões após a greve. Procurada, a companhia não quis informar sobre planos de novos investimentos na frota.

Após a greve dos caminhoneiros, a fabricante de alimentos Predilecta viu o frete terceirizado ficar de 20% a 25% mais caro, segundo Antônio Carlos Tadiotti, sócio-diretor da empresa. A empresa comprou então 15 caminhões, acelerando a estratégia de manter frota própria, que já fazia sentido econômico antes. "Hoje, temos 180 caminhões. Pretendemos chegar a 200", disse o diretor.

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Segundo Tadiotti, a estratégia faz sentido porque permite otimizar a logística, já que os caminhões que entregam produtos em todo o País podem voltar carregados de matéria-prima, como tomate e milho - a empresa tem nos molhos de tomate um de seus carros-chefe.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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