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Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Novo ciclo

Crédito cresce 5,5% em 2018 e marca primeira alta real desde 2014

Desempenho reverte quedas nominais de 0,5% em 2017 e de 3,5% em 2016. Crédito livre e bancos privados puxam a recuperação

Eduardo Campos
Eduardo Campos
29 de janeiro de 2019
11:09
Montagem mostra uma "bandeira" com uma nota de 100 reais no meio de uma cidade cheia de prédios
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Depois de dois anos de contração nominal e três de retração real (descontada a inflação), o mercado de crédito apresentou recuperação em 2018. A alta nominal do estoque foi de 5,5%, para R$ 3,26 trilhões. Em termos reais o avanço foi de 1,7%.

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Em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB) esse estoque representa 47,4%, breve alta em comparação com os 47,2% de 2017, e interrompendo uma sequência de dois anos de retração. Na máxima recente, o crédito/PIB esteve ao redor de 53%.

Os dados de 2018 mostram uma profunda transformação do mercado, que parece estar em condições de experimentar um novo ciclo de crescimento sustentado depois da “ressaca” promovida pelo exagero de atuação estatal que se observou desde a crise de 2008.

O crescimento do ano é creditado exclusivamente ao mercado livre, que teve crescimento de 11,2%, para R$ 1,762 trilhão, maior desde 2012, enquanto o crédito direcionado recuou 0,6%. A perda dinamismo do crédito direcionado vem desde o fim de 2016 e reflete não as condições de mercado, mas sim uma decisão do governo que reduzir o tamanho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e deixar de usar os demais bancos públicos como instrumento de política para fiscal.

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O conjunto dos bancos públicos completou o terceiro ano seguido de retração, com a carteira encolhendo 0,5%, para R$ 1,664 trilhão. Os privados nacionais tiveram crescimento de 11,7%, para R$ 1,110 trilhão, melhor resultado desde meados de 2012. Os estrangeiros tiveram avanço de 14,2%, para R$ 485 bilhões.

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No auge das políticas anticíclicas de Guido Mantega e Dilma Rousseff, a expansão da carteira dos bancos públicos chegou a ser de 40%. O movimento foi liderado pela expansão, em mesmo ritmo, do crédito do BNDES, que fecha 2018 com baixa de 8,9%, marcando o terceiro ano de retração.

A tese é que quanto maior o crédito direcionado, que é definido pelo governo, maior o custo do dinheiro para os demais tomadores que não têm acesso às linhas do BNDES e de outros programas governamentais. É a teoria da “meia entrada”, quem acessa o crédito direcionado paga meia entrada nos juros, enquanto o restante paga a entrada inteira e mais um pouco para compensar esse favorecimento a setores escolhidos.

Juros

A taxa média de juro do sistema fechou o ano em 23,3% contra 25,6% no fim de 2017 e 32,2% no encerramento de 2016. Considerando os recursos livres para as pessoas físicas, a taxa média ficou em 35,6%, recuando de 40,3% em 2017 e de 51,8% em 2016.

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O famigerado spread, diferença entre o custo do dinheiro para o banco e para o tomador final, encerrou o ano em 17 pontos percentuais, contra 18,9 pontos um ano antes. Já a taxa de captação dos bancos foi de 6,3% ao ano, recuando de 6,7% em 2017.

Inadimplência

A taxa média de calotes fechou 2018 em 2,9%, entres as menores da série histórica. Olhando a inadimplência com recursos livres para pessoas físicas, a taxa foi de 3,8%, também entre as menores, recuando de 4,9% em 2017 e 5,6% em 2016.

No lado das empresas, os dados mostram um retorno às médias históricas depois de um período taxas recordes e calotes na linha dos 6%. A taxa média fechou o ano em 2,7%, sugerindo uma “limpeza” de balanços, que já vem permitindo uma retomada do crédito, que avançou 11,3%, para R$ 974 bilhões, considerando recursos livres.

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