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Chegou a hora de governar

Bolsonaro cede, abre negociação a políticos e atende “no varejo”

Reuniões com 57 nomes da política nacional ao longo da semana representaram o gesto mais explícito do presidente ao Congresso desde a sua posse

Jair Bolsonaro DEM
Presidente da República, Jair Bolsonaro, com Onyx Lorenzoni, Ministro-Chefe da Casa Civil, Ronaldo Caiado, Governador do Estado de Goiás, e ACM Neto, prefeito de Salvador e Presidente Nacional do DEM. - Imagem: Marcos Corrêa/PR

Crítico do que chama de "toma lá, dá cá" e das negociações por cargos, o presidente Jair Bolsonaro recebeu nas últimas duas semanas um total de 57 políticos, entre líderes partidários, deputados e senadores.

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Nesses encontros, Bolsonaro fez acenos aos parlamentares e atendeu, inclusive, o pequeno varejo. As reuniões representaram o gesto mais explícito do presidente ao Congresso desde a sua posse.

Bolsonaro vinha sendo cobrado a participar mais ativamente da articulação política e fez uma investida que tem como principal meta consolidar uma base parlamentar aliada para aprovar a reforma da Previdência.

[captacao]

Do total de 57 políticos recebidos - entre eles um senador do PT -, só quatro ex-colegas de Câmara tiveram acesso exclusivo ao presidente, em reuniões particulares, sem a presença dos ministros da articulação no Congresso. Encontraram um Bolsonaro relaxado, que contou piadas, prometeu acatar alguns pedidos e chegou a se comprometer a visitar seus Estados. "Eu pego o helicóptero e vou lá", disse ao deputado José Nelto (Podemos-GO), que o convidou para participar de uma audiência pública em Porangatu (GO), para tratar da rodovia Belém-Brasília.

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Sempre sentado no sofá e sem computador ou bloco de anotações por perto, Bolsonaro não tem o hábito de registrar os diálogos. Raramente mantém o celular ao lado. Um ajudante de ordem - que acompanha praticamente todas as reuniões - se encarrega de passar o telefone quando alguma ligação não pode esperar. Já os convidados deixam os celulares do lado de fora, em uma gavetinha, e carregam as suas listas de pedidos.

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José Nelto disse ter aconselhado o presidente a não enviar para os governadores os recursos do pré-sal e usar o dinheiro para atender as prefeituras.

"Estou sendo muito pressionado, viu", rebateu Bolsonaro ao deputado. O parlamentar então sugeriu usar os recursos do pré-sal na educação de tempo integral. "Nessa hora, ele mandou o ajudante anotar a ideia. Acho que vai acatar", relatou Nelto.

O perfil amistoso e divertido de Bolsonaro nas reuniões surpreendeu até mesmo o presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, que ouviu ter recebido o voto dele para presidente em 2006. "Votei em você, duas vezes", brincou Bolsonaro, quebrando o gelo com o tucano.

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A conversa se enveredou para Juiz de Fora, onde nasceu o secretário nacional do PSDB, Marcus Pestana, e cidade onde Bolsonaro foi esfaqueado.

Na transmissão ao vivo pelo Facebook, anteontem, Bolsonaro elogiou a sugestão do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), de liberar emendas parlamentares para municípios endividados.

Os débitos travavam a entrada de recursos, com base em entendimento da Advocacia-Geral da União (AGU). "Foi uma ideia trabalhada pelo líder e pelo ministro André (Luiz Mendonça, da AGU)", disse o presidente.

Cada contato é vital para Bolsonaro, que contabiliza votos para a reforma da Previdência. A forma de trabalhar por esses votos contrasta com a dos últimos ocupantes do Palácio do Planalto.

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Parlamentares afirmam que Michel Temer era o presidente do "vamos conversar, veja bem". Dilma dificilmente recebia. Lula fazia com que todos saíssem com a certeza de que seriam atendidos. Pouco, de fato, ocorria.

Horário de verão

Ao anunciar o fim do horário de verão, na semana passada, o presidente disse ter atendido ao desejo de um parlamentar.

A proposta surgiu do deputado João Campos (PRB-GO) e foi discutida com o Ministério de Minas e Energia. A justificativa seria a redução na economia gerada, de R$ 405 milhões para R$ 159 milhões.

Numa audiência privada que durou uma hora e meia, o deputado Sargento Fahur (PSD-PR) pediu que o governo reforçasse a segurança nas fronteiras do Paraná, especialmente com a Argentina e o Paraguai. "Há muito armamento pesado que entra por lá", afirmou Fahur.

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Enquanto esteve no gabinete presidencial, Sargento Fahur permitiu que Bolsonaro recebesse o governador do Pará, Helder Barbalho, com deputados e senadores do Estado, que pediam pela reconstrução da ponte do Rio Moju, no município do Acará.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) disse ter saído do encontro convencido de que o presidente vai se empenhar para resolver a situação.

"Ele imediatamente mandou que olhassem se há recursos disponíveis para enviar ao Estado. Achei muito boa a conversa", contou o petista.

*Com o jornal O Estado de S. Paulo.

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