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Muito antes do leão do imposto de renda, o bicho que assustava de verdade era o dragão. A primeira lição de economia que todos da minha geração tiveram de aprender foi como lidar com a inflação.
A matéria não era ensinada na escola, mas nos supermercados. Basta dizer que, naquela época, as maquininhas não eram as de cartão de débito e crédito, mas as que remarcavam os preços dos produtos a todo momento.
Foi só com o plano real que começamos a nos tornar um país que pode ser chamado de “normal”, ainda que muito longe do ideal. De lá para cá, a inflação teve altos e baixos, mas só voltou a correr o risco de sair do controle durante o governo Dilma.
Fomos obrigados a colocar o dragão de volta para a jaula bem no meio da maior recessão da nossa história, o que deixou feridas ainda não cicatrizadas na economia. Mas temos cada vez mais sinais de que o bicho foi domado.
No mês passado, inclusive, tivemos um fenômeno raro por estas bandas: deflação. O IPCA fechou em -0,04% em setembro, o menor índice para o mês desde 1998, quando a taxa de câmbio no país ainda era controlada.
A dança do dragão abriu espaço para a queda dos juros nos últimos anos, o que levou a uma mudança do cenário das aulas de economia – do supermercado para a conta bancária.
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Este artigo foi publicado primeiramente no "Seu Dinheiro na sua noite", a newsletter diária do Seu Dinheiro. Para receber esse conteúdo no seu e-mail, cadastre-se gratuitamente neste link.
*Colaboração Fernando Pivetti.
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