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CASO DE POLÍCIA

Casal é denunciado por furtar bilhete premiado da Mega-Sena de cofre de casa lotérica e sacar R$ 29 milhões

Ministério Público de Mato Grosso ofereceu denúncia contra casal por furto qualificado por abuso de confiança pela retirada do bilhete premiado da Mega-Sena do cofre de uma casa lotérica

mulher retira bilhete premiado da Mega-Sena de cofre de casa lotérica.
Bilhete premiado da Mega-Sena foi roubado de cofre. - Imagem: gerada por IA.

Parecia uma noite como outra qualquer no Espaço da Sorte da Caixa Econômica Federal, em São Paulo. Era 12 de agosto de 2023 e o prêmio do concurso 2620 da Mega-Sena estava acumulado em pouco mais de R$ 116 milhões. O globo da sorte expeliu as dezenas 04, 06, 13, 21, 26 e 28. Quando saiu o rateio, a Caixa anunciou que o valor seria dividido entre quatro apostas ganhadoras.

Cada um dos bilhetes premiados dava direito a um total de pouco mais de R$ 29 milhões. Uma aposta ganhadora era de Fortaleza (CE), uma era de Uberaba (MG) e as outras duas haviam sido registradas exatamente na mesma casa lotérica de Sinop (MT).

Uma coincidência improvável, mas não impossível.

Hoje mesmo circula a notícia de que o prêmio principal da Lotofácil saiu para duas apostas quase idênticas registradas na mesma casa lotérica.

Existe, inclusive, uma explicação para a duplicação da aposta e premiada na Mega-Sena 2620.

No dia do sorteio, um sábado, uma cliente fez uma aposta, mas o bilhete foi impresso com defeito.

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A funcionária Clarice Simon Picoli refez a aposta para a cliente e guardou o bilhete com erro no cofre da casa lotérica.

O bilhete defeituoso deveria ser recolhido pela matriz, conforme o procedimento padrão da empresa.

Bilhete premiado da Mega-Sena foi retirado de cofre

A questão é que se tratava exatamente de um dos bilhetes premiados na Mega-Sena 2620.

Dois dias depois do sorteio, na segunda-feira, câmeras de monitoramento da casa lotérica registraram o exato momento no qual Clarice abriu o cofre, conferiu os números e retirou o que seria o bilhete defeituoso.

Na sequência, ela pediu para uma colega cobrir seu turno, sob a justificativa de que precisaria resolver problemas na Caixa Econômica Federal, e deixou o local.

No dia seguinte, terça-feira, Clarice voltou à lotérica acompanhada de seu marido, Cladecir José Picoli, e pediu demissão. De acordo com ela, o marido seria um dos ganhadores do prêmio da Mega-Sena.

CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN
CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN

Como o roubo foi descoberto, segundo os autos do processo

Diante da improvável coincidência, os responsáveis pelo estabelecimento verificaram as imagens internas e confirmaram que um bilhete havia sido furtado do cofre. No fim de setembro de 2023, um dos sócios da empresa ligou para o casal e conseguiu falar com Cladecir sobre o roubo.

Cladecir “atendeu o telefonema e, de forma ameaçadora, afirmou ser o dono legítimo do prêmio, ordenou o fim das investigações e declarou que sabia onde encontrar os proprietários caso houvesse problemas”.

A sequência de acontecimentos e as aspas constam da decisão do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com o término das investigações, o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) ofereceu denúncia contra o casal por furto qualificado por abuso de confiança e concurso de pessoas.

Na semana passada, Ribeiro Dantas manteve o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) como fórum responsável pelo processo movido contra o casal.

O magistrado negou recurso apresentado pela defesa de Clarice e Cladecir. O casal pretendia transferir o julgamento para a Justiça Federal.

Para pedir a transferência do caso para a Justiça Federal, a defesa do casal alegou que o prêmio seria pago pela Caixa, o que caracterizaria interesse da União.

No entanto, o ministro considerou que o prejuízo direto e imediato é da casa lotérica. Para ele, o saque do prêmio é apenas consequência do crime de furto e, por isso, não altera a natureza do delito nem quem foi a vítima.

Com informações do Estadão Conteúdo.

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