Desemprego fica em 12,7% e chega a 13,4 milhões no trimestre até março de 2019
Dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 30, pelo IBGE

O Brasil ficou com uma taxa de desocupação em 12,7% no trimestre encerrado em março, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O total de pessoas à procura de emprego no país chega a 13,4 milhões.
No mesmo período de 2018, essa taxa estava em 13,1%. Se considerado o trimestre até fevereiro, a taxa era de 12,4%. No trimestre encerrado em dezembro de 2018, o resultado ficou em 11,6%.
Em comparação com o trimestre encerrado em 2018, as maiores quedas no número de ocupados foram no setor da administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com menos 332 mil pessoas, seguido por Construção, com perda de 228 mil pessoas.
O contingente de 32,9 milhões de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada ficou estável frente ao último trimestre de 2018. Já a categoria dos empregados desse setor sem carteira de trabalho assinada registrou perda de 365 mil postos de trabalho, caindo para 11,1 milhões de pessoas.

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O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, explica que o mercado "jogou" 1,2 milhão de pessoas na desocupação e a carteira de trabalho não teve recuperação. Segundo ele, os trabalhadores sem carteira que tinham sido contratados como temporários para vendas saíram do emprego no início do ano.
"Como esses postos de trabalho pagam menos, a média de rendimentos do setor aumentou sem que houvesse um ganho real nos rendimentos dos trabalhadores”, analisa o coordenador.
Desalento
O Brasil tinha 4,843 milhões de pessoas em situação de desalento no trimestre encerrado em março. O resultado significa 180 mil desalentados a mais em relação ao trimestre encerrado em dezembro de 2018. Em um ano, 256 mil pessoas a mais caíram no desalento.
A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade - e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Os desalentados fazem parte da força de trabalho potencial.
Sub-ocupação por insuficiência de horas
A taxa de sub-ocupação por insuficiência de horas ficou em 7,4% no trimestre até março, ante 7,4% no trimestre até dezembro de 2018. O indicador inclui as pessoas ocupadas com uma jornada inferior a 40 horas semanais que gostariam de trabalhar por um período maior.
Na passagem do trimestre até dezembro de 2018 para o trimestre até março de 2019, houve um recuo de 103 mil pessoas na população nessa condição. Em um ano, porém, o País ganhou mais 624 mil pessoas sub-ocupadas por insuficiência de horas trabalhadas.
Em todo o Brasil, há 6,768 milhões de trabalhadores sub-ocupados por insuficiência de horas trabalhadas.
81 mil vagas em um ano
Os dados do IBGE também mostraram que o mercado de trabalho brasileiro ganhou 81 mil vagas com carteira assinada no setor privado no período de um ano.
A pesquisa mostra que o total de postos de trabalho formais no setor privado aumentou 0,2% no trimestre encerrado em março de 2019 ante o mesmo trimestre de 2018.
O resultado, porém, é considerado estatisticamente estável, dentro da margem de erro da pesquisa.
Já o emprego sem carteira no setor privado teve aumento de 4,4% em um ano, com 466 mil empregados a mais.
O total de empregadores cresceu 2,0% ante o trimestre até março de 2018, com 89 mil pessoas a mais.
O trabalho por conta própria cresceu 3,8% no período, com 879 mil pessoas a mais. A condição de trabalhador familiar auxiliar recuou 1,7%, com 38 mil ocupados a menos. O setor público gerou 190 mil vagas, um avanço de 1,7% na ocupação.
Houve redução de 76 mil pessoas na condição de trabalhador doméstico.
Transportes bombando
A Pnad também mostrou que a atividade de transporte, armazenagem e correio absorveu 202 mil novos trabalhadores no período de um ano.
"Isso é motorista de aplicativo. Estão trabalhando por conta própria", explicou Cimar Azeredo durante coletiva para apresentar a pesquisa.
Outras atividades que geraram vagas no trimestre até março de 2019 em relação ao trimestre terminado em março de 2018 foram: indústria (83 mil vagas a mais), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+417 mil), alojamento e alimentação (+164 mil empregados), outros serviços (+179 mil pessoas), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (+502 mil vagas), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (+126 mil vagas) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+7 mil).
Por outro lado, houve demissões na construção (-19 mil trabalhadores) e nos serviços domésticos (-79 mil).
Falta fôlego
Azeredo também avaliou que a queda no número de trabalhadores ocupados no primeiro trimestre do ano é sazonal, mas a intensidade confirma que o mercado de trabalho permanece sem fôlego.
Na passagem do trimestre terminado em dezembro de 2018 para o trimestre encerrado em março de 2019, foram fechadas 873 mil vagas, enquanto 1,235 milhão de pessoais a mais passaram a procurar emprego.
"É sazonal. Não existia outra expectativa que não fosse queda (na ocupação). Ela acontece. Poderia ter sido menor, se você estivesse num processo de melhora do mercado de trabalho", ponderou.
O coordenador do IBGE lembra que o volume de desempregados permanece no mesmo patamar do ano passado, acima de 13 milhões. "O mercado de trabalho não proporciona um discurso otimista. A situação continua não favorável, está longe de favorável. Estamos diante de uma situação que não está avançando", resumiu Azeredo.
O pesquisador ressalta que, embora a massa de rendimentos e o salário médio mantenham-se estáveis, o nível de subutilização da força de trabalho alcançou patamar recorde: ainda falta trabalho para 28,324 milhões de brasileiros. "Um quarto da força de trabalho ampliada está subutilizada. Como pode chamar de situação favorável se você tem a maior taxa de subutilização da força de trabalho da série?", questionou Azeredo.
*Com Agência IBGE Notícias e Estadão Conteúdo.
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