Menu
Os 90 anos da crise de 1929
2019-10-24T16:30:24-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
UMA CONVERSA COM O MESTRE

Os 90 anos da crise de 1929: Ivan Sant’Anna fala sobre os vencedores e perdedores do crash

Ivan Sant’Anna, colunista do Seu Dinheiro e autor do livro “1929: quebra da bolsa de Nova York”, fala sobre o crash da bolsa de Nova York, que completa 90 anos

23 de outubro de 2019
16:51 - atualizado às 16:30

O colunista do Seu Dinheiro Ivan Sant'Anna é um dos traders mais respeitados do mundo. Com passagens pelos mercados acionários dos Estados Unidos e do Brasil, seu nome é respeitado por operadores, banqueiros, gestores e todo tipo de agente financeiro.

E não é à toa. O Ivan é conhecido por ser um dos investidores que dominam como poucos os segredos para ganhar dinheiro nos mercados, independente do cenário. Se a bolsa está subindo forte, lá está ele, correndo com os touros; se os mercados passam a cair, pode ter certeza que o mestre desponta na linha de frente dos ursos.

É claro que, para captar tão bem as mudanças na direção dos ventos é preciso ter uma bagagem imensa de conhecimento. E o Ivan, mais do que ninguém, sabe tudo sobre Wall Street.

Mas o Ivan vai além. Como se a carreira vitoriosa como trader não fosse suficiente, ele ainda tem uma segunda ocupação, igualmente bem sucedida: a de escritor. Em seus inúmeros livros e best sellers, o mestre fala sobre as entranhas do mercado financeiro e passa dicas valiosas para quem quer ganhar dinheiro — e quem não quer, não é mesmo?

Uma de suas obras primas é "1929: quebra da bolsa de Nova York", em que o Ivan faz um raio-X de um dos eventos mais turbulentos da história da economia moderna. O crash começou em 24 de outubro de 1929 — há exatos 90 anos.

  • EXCLUSIVO: Receba "1929", o livro que mudou a vida de tantos investidores e pode mudar a sua também

Sabendo que o Ivan é um dos maiores especialistas do Brasil na crise de 1929, nós, do Seu Dinheiro, convidamos o mestre para uma conversa ao vivo sobre as causas e consequências desse evento traumático — você pode ver a íntegra do bate-papo, que aconteceu hoje cedo, no vídeo que está no início desse texto.

Mas já te adianto que a conversa foi muito produtivo — vou tentar resumir a nossa conversa, mas é impossível colocar em palavras todo o conhecimento passado pelo Ivan. A conversa faz parte da série de conteúdos do Seu Dinheiro sobre a crise — é só clicar aqui para acessar nossa página especial.

Sempre há vencedores e perdedores

A crise de 1929 e a quebra da bolsa de Nova York foram eventos traumáticos para a sociedade americana e que trouxeram efeitos negativos para o mundo todo — o período pós-crash é conhecido como "a Grande Depressão".

No entanto, engana-se quem pensa que, num momento em que as bolsas derretem, todos os investidores saem derrotados. Como o Ivan conta em seu livro, quem tem a perspicácia de perceber que uma bolha está se formando e que uma onda de venda é inevitável, consegue obter lucros fabulosos.

É o caso de Joseph Kennedy — pai de John, que viria a ser presidente dos Estados Unidos. Ele viu que algo estava muito errado na disparada dos preços da bolsa de Nova York na década de 20 e tirou o pé do acelerador — mais que isso, passou a vender a descoberto, apostando na queda dos papéis. Ele fez uma fortuna.

Assim como o patriarca da família Kennedy, muitos outros conseguiram sair do crash com os bolsos cheios, atuando como ursos. Se você souber como operar dessa maneira, também poderá se dar bem nos ciclos de queda da bolsa.

Aprender com o passado para não repetir no futuro

O crash da bolsa de Nova York, por si só, já foi bastante traumático. No entanto, a extensão de seus desdobramentos — a crise de 1929 e a Grande Depressão que se abateu sobre o mundo nos anos posteriores — foi muito maior por causa da atuação desastrada do governo americano.

Com a queda das ações, muitas pessoas foram à falência e não conseguiram honrar suas dívidas no banco. E, como num efeito dominó, a inadimplência bancária ameaçou todo o sistema financeiro.

Mas o Federal Reserve (o banco central americano) não tentou salvar os bancos que estavam indo à bancarrota. Pelo contrário: a autoridade monetária optou por não intervir, por entender que uma menor disponibilidade de crédito iria coibir a especulação financeira — que era vista como a grande vilã do crash.

Só que, ao fazer isso, muitas instituições financeiras acabaram quebrando. E, com menos crédito na praça, as vendas se contraíram, a produção diminuiu e o desemprego aumentou — o que provocou um empobrecimento generalizado e lançou o país numa época muito dura.

As lições deixadas por 1929, no entanto, não foram esquecidas pelo governo americano. Em 2008, quando a crise do subprime voltou a ameaçar Wall Street, o Federal Reserve foi rápido no gatilho: injetou recursos na economia e resgatou diversas empresas do abismo, de modo a impedir um novo turbilhão de falências.

Não esquecer para não repetir — essa é a herança maior de 29.

Semelhanças e diferenças

É claro que, ao ver o Ibovespa nas máximas históricas e as bolsas americanas num ciclo positivo muito longo, uma semente de dúvida acaba germinando na cabeça de muita gente. Será que corremos o risco de um novo crash?

O Ivan é rápido em dispensar essa tese. Afinal, as altas prolongadas podem evocar os dias e anos que precederam 1929, mas o cenário macroeconômico é bastante diferente.

A começar pelos juros: hoje, há um cenário queda nas taxas em quase todo o mundo — inclusive no Brasil —, com muitos países já contando com taxas de juros negativas. Assim, os custos de eventuais empréstimos a serem quitados num cenário de baixa é bem menor, o que traz menos riscos ao sistema como um todo.

Além disso, o Ivan bate na tecla de que os governos aprenderam a lição de 1929 e não deixariam uma quebradeira generalizada acontecer. Assim como em 2008, a ação para evitar o efeito dominó tende a ser rápida nos momentos de maior estresse.

Em linhas gerais, o Ivan está otimista com as perspectivas para o Brasil. Isso não quer dizer que não possam ocorrer ciclos de baixa no curto e no médio prazo — afinal, há fatores de risco no horizonte, como a guerra comercial entre EUA e China. Mas, essas eventuais quedas tendem a ser limitadas: para o mestre, um crash como o de 29 está descartado.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Presidente falou hoje

Bolsonaro atribui imagem ruim à ‘imprensa mundial de esquerda’

A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira, 25, a uma apoiadora que o recomendou usar a Secretaria Especial de Comunicação para fazer propaganda positiva

otimismo apesar de covid-19

Vamos arrebentar na venda de aeroportos, vamos conseguir vender todos, diz ministro

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, demonstrou nesta segunda-feira, 25, otimismo com os próximos leilões de aeroportos, mesmo diante da pandemia, que afeta bruscamente a aviação civil

Dados de hoje

Déficit da balança brasileira na 3ª semana de maio foi de US$ 701 milhões

A balança comercial brasileira registrou déficit comercial de US$ 701 milhões na terceira semana de maio (de 18 a 24), de acordo com dados divulgados hoje

Bom cenário para a commodity

XP eleva preços-alvo de Suzano e Klabin com boa perspectiva para celulose

Preços-alvo de Suzano e Klabin foram elevados de R$ 43 para R$ 47 e de R$ 18,50 para R$ 22, respectivamente; XP espera valorização de preço da celulose

repercussão internacional

Bolsonaro está levando Brasil ao desastre, diz artigo no Financial Times

Texto compara Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, mas diz que o mandatário brasileiro é “muito mais estúpido”

DATA MARCADA

Assinatura de renovação de Malha Paulista será no dia 27, diz ministro

De acordo com o ministro, o assunto será deliberado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nesta terça-feira, 26.

NÃO SE CONCRETIZOU

Promessa feita por Bolsonaro de cortar 30% dos cargos fica no papel

O enxugamento da máquina foi prometido por Bolsonaro várias vezes, ao longo da disputa de 2018.

decisão pós-ataque

Aneel abre tomada de subsídios sobre possível regulação em segurança cibernética

Estudo elaborado em 2018 pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) já apontava que um potencial ataque cibernético no setor elétrico do País poderia gerar um impacto econômico de até R$ 303,8 milhões

pegou mal

Postura frente à pandemia piora imagem do país no exterior e afasta investidores

Se o Brasil já foi reconhecido como um líder em matéria de saúde pública global e um defensor do desenvolvimento sustentável nos principais fóruns mundiais, a forma como o País é retratado na imprensa tem exaltado pouco dessas qualidades

o ajuste final

Presidente do BC repete que Copom considera último ajuste da Selic em junho

No início de maio, o BC cortou a Selic em 0,75 ponto porcentual, de 3,75% para 3,00% ao ano. O próximo encontro do Copom está marcado para junho

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements