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Entenda por que vale a pena abrir conta em uma corretora de fora e veja quais são as principais diferenças entre as duas casas sugeridas por especialistas com grande experiência no mercado
Miota, Tron, EOS, Cosmos, Tezos. À primeira vista, esses nomes parecem nos lembrar personagens do universo de Star Wars. Mas quem acompanha o mercado de criptomoedas sabe bem que eles são apenas exemplos de criptoativos para além dos mais tradicionais, como o bitcoin, o ethereum ou o litecoin.
Depois de aprender a investir nas exchanges brasileiras nesta matéria, se você quiser dar o próximo passo rumo a uma diversificação ainda maior e estiver de olho nos ativos que eu mencionei acima, o melhor a fazer é abrir conta em uma exchange estrangeira.
A razão é simples: as casas de fora possuem uma variedade muito maior de criptoativos. Só que, em meio a várias opções disponíveis hoje no mercado, como escolher? Para isso, conversei com alguns analistas experientes no mercado e te conto hoje as duas recomendações de exchanges estrangeiras para você investir.
A recomendação é fundamental, especialmente porque algumas corretoras foram autuadas depois de realizar atividades suspeitas. E eu não falo apenas de exchanges brasileiras: as autoridades norte-americanas também estão de olho nesse tipo de empresa.
E não é à toa. Segundo o estudo "Division of Enforcement" feito pela U.S Securities and Exchange Commision (SEC) — um órgão semelhante à CVM —, foram protocolados cerca de 33 processos envolvendo ativos digitais nos últimos dois anos. Um salto em relação ao resultado de 2017, quando foram registradas apenas cinco queixas.
São intermediárias para a compra e venda de bitcoin e outros criptoativos — algo semelhante às corretoras de valores, que fazem a intermediação de compra e venda de ativos como ações, renda fixa e fundos imobiliários.
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Mas uma das diferenças em relação às casas tradicionais está no nome. As corretoras de criptomoedas são normalmente chamadas de exchanges, mesmo no Brasil.
E há mais um ponto. Entre as particularidades do mercado de moedas digitais está o fato de que o cliente de uma exchange não consegue negociar criptomoedas com os clientes de outras corretoras, apenas com usuários da sua própria exchange.
Já em termos de semelhanças, podemos citar o fato de que você nunca deve deixar dinheiro parado na conta da exchange, para não ficar exposto ao risco da corretora. Essas instituições devem ser usadas unicamente para a compra e venda de criptoativos.
A razão é simples: elas são muito mais visadas do que o investidor pessoa física ou pessoa jurídica na hora de ataques virtuais. A orientação vale não só para a moeda convencional como para as próprias criptomoedas.
O melhor a se fazer é depositar seus bitcoins ou outros criptoativos quaisquer em carteiras digitais, mais conhecidas como wallets. Eu vou falar mais dessas opções de carteira nas próximas semanas aqui no Seu Dinheiro.
E se há a opção de investir por exchanges brasileiras, por que o investidor deveria buscar corretoras estrangeiras? Como já falei, o motivo é um só: variedade de criptoativos.
Só que nada é perfeito. Apesar de oferecer maior diversidade de moedas, as casas estrangeiras costumam aceitar depósitos apenas em bitcoin ou em outros criptoativos, como bitcoin cash, ethereum, litecoin, entre outras opções. Além disso, há casas como a Bittrex e Binance, por exemplo, que aceitam depósitos em dólar e até mesmo em euros.
Mas, para não ter problema, a dica dos especialistas é que você compre bitcoins, por exemplo, em uma exchange brasileira e faça a transferência para uma corretora estrangeira para comprar o criptoativo desejado. Dessa forma, evita-se que você tenha que fazer a conversão de reais para dólares ou euro, e vice versa.
Além disso, as exchanges brasileiras recomendadas possuem conta nos principais bancos, o que dispensa a necessidade de pagar DOC ou TED para a transferência de recursos. É o caso das brasileiras BitcoinTrade e Mercado Bitcoin.
Em meio a um infinidade de nomes para investir, a sugestão é seguir a dica de pessoas com bastante experiência no mercado que podem te mostrar as opções mais seguras e melhores em termos de ativos.
Por essa razão, conversei com alguns analistas experientes para ver quais eram as exchanges "gringas" mais recomendadas para se investir. As selecionadas foram a Binance e Bittrex.
Ambas possuem taxas atrativas, tanto em termos de negociação quanto no quesito depósitos, além de apresentarem grande variedade de criptoativos. No caso da Binance, por exemplo, há 175 criptomoedas disponíveis para serem transacionadas, além de 573 pares de negociação.
Além da alta oferta de ativos, outro ponto forte das duas é a segurança. Ainda que a Binance tenha sofrido ataque de hackers em maio deste ano, a companhia conduziu uma ampla e extensiva revisão para garantir a segurança dos códigos e dados.
A Bittrex, por sua vez, também foi alvo de um processo na justiça. Um de seus clientes alega que a exchange teria falhado ao não ter prevenido o roubo de US$ 1 milhão em bitcoins de sua conta.
Mesmo com alguns problemas, o número de denúncias comprovadas sobre ambas é menor do que as demais casas e ambas aumentaram os procedimentos de segurança desde o ocorrido.
Na hora de escolher a sua exchange preferida para abrir uma conta, a dica é olhar a quantidade de ativos negociados e se a corretora atende as suas necessidades. Um layout intuitivo, bom atendimento e histórico são aspectos que podem fazer bastante diferença na hora de investir.
A Binance, por exemplo, é uma das mais famosas. Ela foi fundada em Hong Kong em julho de 2017. A plataforma é conhecida por ser a principal exchange do mundo e a que possui maior liquidez real comprovada.
Entre as principais vantagens da Binance estão o fato de que o site da companhia tem tradução para o português. Outro ponto é que a plataforma tem expandido a sua atuação e está trabalhando em outras frentes. Hoje, há a binance futures, que funciona como uma bolsa de negociação de futuros, e há também uma criptomoeda própria chamada binance coin (BNB).
A Bittrex, por sua vez, é mais antiga. Ela foi criada em 2014 nos Estados Unidos, mas não possui tantos criptoativos disponíveis em sua plataforma nem tantas funções como a Binance. Além disso, o volume de negociações dela costuma ser bem menor.
E no quesito abertura de conta? Para entender melhor como funcionam os procedimentos para se cadastrar e negociar nas plataformas, decidi testá-las.
Como asexchanges não exigem pagamento de qualquer tipo de mensalidade nem cobram taxa de custódia, o ideal é que você abra uma conta em mais de uma instituição e faça um "test-drive". Assim, será capaz de verificar qual é a casa que mais se encaixa em seu perfil e é mais fácil de utilizar.
Na hora de abrir uma conta, verifiquei que há uma certa diferença entre as duas. Por exemplo, a abertura foi muito mais rápida e simples na Binance. Depois de fazer o cadastro, enviar um documento com foto e criar uma autorização de dois passos (2FA) para aumentar a segurança da conta, eu recebi uma confirmação no mesmo dia.
Já no caso da Bittrex, eu demorei mais de um dia para finalizar o cadastro e abrir a conta porque a foto que enviei da carteira de motorista foi negada mais de uma vez. Nas respostas, a corretora colocava que eles não tinham conseguido verificar a imagem enviada.
Para evitar problemas como esses, a dica das exchanges é que o usuário envie uma foto do seu passaporte, ainda que tanto a Binance quanto a Bittrex aceitem o envio da parte da frente e do verso da carteira de motorista ou da identidade.
Além das diferenças na demora para abrir uma conta, outra particularidade das casas costuma ser a taxa cobrada pelos serviços de negociação.
No caso da Binance, por exemplo, não há cobrança de taxas para depósito, independente do criptoativo que você estiver transferindo ou retirando da exchange.
Já a taxa cobrada para realizar as negociações de compra e venda dentro da plataforma com moedas sem ser a da própria Binance, que é a BNB, costumam variar de acordo com o volume transacionado.
As taxas começam em 0,1%/0,1% por operação executada/executora e podem baixar até 0,02%/0,04% por operação executada/executora. Mas, se você tiver usado a criptomoeda da própria Binance, poderá receber um desconto de 50% em suas negociações.
No quesito saques, a Binance possui taxas dinâmicas e que se ajustam de forma automática com base nas cotações do mercado.
A Bittrex, por sua vez, diz em seu site que não cobra taxas para os depósitos da maioria das criptomoedas, mas que, dependendo da opção, pode ser cobrado um valor pela transação. Para isso, você precisa entrar na plataforma e fazer uma simulação de como ficaria a operação.
Em termos de negociações, ao contrário da Binance, a Bittrex cobra uma taxa fixa de 0,25% sobre as transações feitas em sua plataforma. Logo, dependendo do volume negociado, ela pode não ser uma boa opção.
Além de ter atenção com as taxas cobradas, há outros fatores que o investidor deve ficar de olho antes de investir por uma exchange. Um dos pontos é o volume diário de negociações. Quanto maior o volume negociado, maior a chance de encontrar compradores e vendedores, facilitando as negociações.
Outro ponto para ter cuidado é com as ofertas mirabolantes que prometem ganhos estrondosos com criptomoedas. Caso esteja em dúvida, o melhor a fazer é buscar sites como o da SEC e verificar se há alguma reclamação contra determinada casa.
E por último, preste atenção aos e-mails supostamente enviados por corretoras. Grandes exchanges, como a Binance, possuem páginas que mostram como detectar mensagens de hackers. Verifique sempre se o site da corretora está correto e, em caso de dúvida, entre em contato com a exchange. Segurança é primordial na hora de investir em criptomoedas.
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