2019-02-28T10:49:27-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Hoje é dia de PIB

Fevereiro chega ao fim tendo como destaque números do Produto Interno Bruto no Brasil e nos EUA ao final de 2018

28 de fevereiro de 2019
5:28 - atualizado às 10:49
Balanço da Petrobras e dados de atividade na China também marcam o dia

O mês de fevereiro chega ao fim trazendo como destaque o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil (9h) e nos Estados Unidos (10h30). Os dados, referentes ao último trimestre do ano passado e ao acumulado de 2018, abrem o dia de negócios, que já começa ajustando-se ao noticiário de ontem à noite, quando saíram dados da China e o balanço da Petrobras.

A estatal petrolífera registrou lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, no melhor resultado desde 2011 e após quatro anos seguidos de prejuízo. Porém, no quarto trimestre do ano passado, a Petrobras lucrou R$ 2,1 bilhões, queda de 68% na comparação com os três meses anteriores. Hoje, a empresa realiza teleconferência (10h) para comentar os resultados.

Na safra de balanços hoje, serão publicados os demonstrativos contábeis de Ambev, Gol e BRF, antes da abertura do pregão local. Entre os indicadores econômicos, sai também a nota do Banco Central sobre o resultado primário do setor público consolidado em janeiro, às 10h30, além do PIB, às 9h.

A previsão é de que a economia brasileira tenha interrompido uma sequência de sete trimestres seguidos de resultados positivos e apresentado estabilidade entre outubro e dezembro do ano passado, perdendo tração em relação ao trimestre anterior. Ainda assim, o PIB doméstico deve ter crescido pouco mais de 1% no acumulado de 2018.

Se confirmado, será o segundo ano seguido de crescimento, após uma longa recessão. Já na comparação com o quarto trimestre de 2017, o PIB brasileiro deve crescer pelo oitavo trimestre consecutivo, em +1,3%. Apesar de positivos, os números reforçam que a retomada econômica após dois anos de colapso caminha devagar, rumo a uma estagnação.

Exterior tem atividade

Dados sobre a atividade econômica também marcam o dia no exterior. A quinta-feira começa com o índice oficial dos gerentes de compras (PMI) na China. O PMI da indústria caiu ao menor nível em três anos, passando de 49,5 em janeiro para 49,2 em fevereiro, na leitura mais baixa em exatamente 36 meses. Já o setor de serviços caiu de 54,7 para 54,3.

No fim do dia, serão divulgados os índices PMI sobre a atividade chinesa medida pelo Caixin. Pela manhã, merece atenção o PIB dos EUA ao final do ano passado. A previsão é de que a economia norte-americana tenha desacelerado no último trimestre de 2018, mas ainda com uma expansão robusta, de 2,3%, após crescer 3,4% no período anterior.

Os números efetivos serão conhecidos às 10h30. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país. Também são esperados dados sobre a atividade na região de Chicago em fevereiro (11h45).

Pano de fundo

Apesar da agenda econômica mais forte nesta quinta-feira, os mercados no Brasil e no exterior estão atentos a outras questões. Lá fora, os dados fracos sobre a atividade na China pesaram no pregão asiático, mas é nas negociações comerciais do país com os Estados Unidos que os investidores estão concentrados.

Além disso, os investidores também estão cautelosos com a questão geopolítica, após terminar sem acordo a reunião do presidente norte-americano, Donald Trump, com o líder norte-coreano, Kim Jong Un. Ele queria o fim de todas as sanções, algo que a Casa Branca negou a ceder. A cúpula terminou duas horas antes do previsto, sem nenhum acordo nuclear.

O radar geopolítico monitora ainda o conflito entre Índia e Paquistão na região da Caxemira. Também pesa nos negócios lá fora o depoimento do ex-advogado Trump, Michael Cohen, que trouxe novas alegações e uma série de acusações, com potenciais riscos legais ao presidente dos EUA.

Como resultado, o sinal negativo prevalece entre os ativos de risco. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no vermelho, após uma sessão de perdas na Ásia, com Xangai e Hong Kong caindo 0,5%, cada, enquanto Tóquio cedeu 0,8%. Na Coreia do Sul, a queda foi maior, de quase 2%, com o won sul-coreano perdendo terreno para o dólar.

Na Europa, a tensão com a proximidade do Brexit e a ausência de um acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) inibe os negócios. O euro avança, enquanto a libra esterlina recua, com o dólar medindo forças em relação aos rivais. Com isso, o barril do petróleo tipo WTI cai, sem ímpeto para alcançar a faixa de US$ 57.

Sem fôlego

Já no mercado doméstico, a calmaria ontem reforçou a percepção de que somente o noticiário em torno da reforma da Previdência tende a influenciar os negócios locais. Os investidores estão em compasso de espera por um gatilho capaz de engatar um movimento.

Enquanto não surge nenhuma novidade, os ativos devem continuar buscando uma acomodação ou mesmo ensaiar uma realização de lucros, após a recuperação rápida e acentuada neste início de ano. Porém, como os investidores estão mantendo posição, confiantes na aprovação de novas regras para aposentadoria, é a liquidez que fica menor.

Mas esse último dia de fevereiro pode trazer um pouco mais de volatilidade, em meios aos ajustes finais nos portfólios para “embelezar” os ganhos do mês e também à disputa entre “comprados” e “vendidos” em torno da formação da taxa de câmbio de referência (Ptax). Ainda assim, a proximidade da pausa prolongada de carnaval tende a inibir os movimentos.

O fato é que fevereiro chega ao fim de modo bem diferente da euforia observada em janeiro. Movimentações mais intensas no mercado doméstico só devem acontecer após os dias de folia, já em março, quando as pautas relevantes (espinhosas?) e as negociações do governo com o Congresso em relação à Previdência também devem avançar. A conferir.

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