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2019-11-07T09:22:23-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado tenta resgatar otimismo

Novo leilão do pré-sal hoje e acordo entre EUA e China para retirar sobretaxas em fases podem resgatar confiança dos investidores

7 de novembro de 2019
5:37 - atualizado às 9:22
resgatarotimismo
Ontem, frustração com megaleilão e possível adiamento do acordo comercial abalaram o mercado

Um novo leilão do pré-sal hoje e a anuência entre Estados Unidos e China para retirar as tarifas sobre produtos em fases podem resgatar a confiança do mercado financeiro, que ficou abalada ontem. A decepção com o megaleilão da cessão onerosa e a frustração com um possível adiamento do acordo comercial de primeira fase para dezembro provocou um ajuste nos ativos de risco, içando o dólar para perto de R$ 4,10.

Hoje, porém, o sinal positivo volta a prevalecer em Wall Street, com os índices futuros das bolsas de Nova York exibindo alta firme, após relatos do porta-voz do Ministério do Comércio chinês, de que China e EUA concordaram em retirar as tarifas de forma proporcional, em fases. O primeiro alívio virá assim que for assinado o acordo parcial, nas próximas semanas.

As declarações ainda não foram confirmadas por Washington, mas serviram de alento para o pregão na Ásia. Xangai encerrou estável, enquanto Tóquio oscilou em alta (+0,1%) e Hong Kong subiu 0,4%. Já o yuan chinês se fortaleceu pelo terceiro dia seguido, sendo cotado abaixo de 7 yuans por dólar pela primeira vez desde a escalada da tensão comercial em agosto. As bolsas europeias também indicam uma abertura no azul. O petróleo avança, enquanto os ativos seguros, como o iene, o ouro e as Treasuries, caem.

Os investidores ainda aguardam uma definição do lugar onde o acordo será assinado, sendo que alguma cidade na Europa parece mais provável, especialmente Londres. O presidente chinês, Xi Jinping, não quer aproveitar a vinda ao Brasil na semana que vem, para o encontro de cúpula dos Brics, e esticar a viagem até os EUA para selar o acordo em solo americano.

Desde o início das negociações, Pequim mantém uma posição firme, defendendo a remoção das tarifas existentes contra produtos chineses, em uma medida que seria adotada simultaneamente e na mesma proporção, de modo a derrubar as barreiras comerciais. Isso significa que a ameaça dos EUA de novas sobretaxas, prevista para dezembro, também deve ser retirada. Para Xi, “ainda é cedo” para a assinar um acordo, caso não haja consenso sobre essa pauta.

Novo leilão do pré-sal

Essa tentativa de recuperação nos mercados internacionais, apoiada em sinais de progresso nas negociações comerciais entre EUA e China, pode embalar os negócios locais, um dia após o dólar ultrapassar a marca de R$ 4,00 e encerrar a sessão colado à faixa de R$ 4,10.

A falta de interesse de empresas estrangeiras pelas áreas disputadas ontem frustrou a expectativa de entrada de recursos externos, desvalorizando o real. Hoje, porém, um novo leilão de exploração de petróleo da camada pré-sal dará mais uma chance para conferir o apetite dos estrangeiros pelos ativos nacionais. Ao todo, 17 empresas se inscreveram.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) oferta mais cinco blocos exploratórios do pré-sal que, juntas, podem render aos cofres do governo quase R$ 8 bilhões somente em bônus de assinatura. A Petrobras tem direito de ser operadora em três dos cinco blocos a serem ofertados, mesmo que outra empresa ou consórcio arremate tais áreas na licitação.

Ontem, as ações da estatal petrolífera também foram castigadas, penalizando o desempenho do Ibovespa, enquanto a curva de juros futuros recompôs prêmio de risco, diante da preocupação com o endividamento da companhia e com o rombo nas contas públicas. Afinal, o total arrecadado no megaleilão (R$ 70 bilhões) ficou abaixo do esperado (R$ 106 bilhões).

A ver, então, como será a nova licitação hoje.

Inflação no Brasil e BoE em destaque

Dados sobre a inflação no Brasil em outubro estão em destaque na agenda doméstica hoje. Logo cedo (8h), sai o IGP-DI, que deve subir pelo segundo mês consecutivo, após ter interrompido dois meses seguidos de resultados negativos. Já o IPCA deve apagar a deflação vista em setembro e, ainda assim, registrar taxa próxima a zero pela sexta vez.

Além disso, o resultado acumulado em 12 meses pelo índice oficial de preços ao consumidor brasileiro deve ficar abaixo do piso de tolerância do Banco Central, de 2,75%, registrando uma taxa de 2,5%. O alvo perseguido pelo BC para o ano é de 4,25%, aceitando um intervalo de oscilação de 1,5 ponto percentual, para baixo ou para cima.

Os dados efetivos do IPCA serão conhecidos às 9h e devem calibrar as expectativas quanto ao fim do ciclo de queda da Selic até o início de 2020. No mesmo horário, saem os custos da construção civil e o INPC, utilizado no reajuste de salário de várias categorias, ambos referentes ao mês passado. Na safra de balanços, serão conhecidos os resultados trimestrais de várias construtoras, além de Banco do Brasil e B3, antes da abertura.

Já no exterior, o destaque fica com a reunião de política monetária do Banco Central da Inglaterra, às 9h. Será o primeiro anúncio de decisão do BoE desde o novo adiamento do Brexit, agora para o fim de janeiro de 2020. Nos EUA, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego (10h30) e os dados sobre o crédito ao consumidor em setembro (17h).

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