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Na reta final de 2019, dúvidas sobre impeachment de Trump, guerra comercial contra a China e reforma da Previdência ainda pairam no ar
A semana começa em tom de despedida, com o último dia de setembro marcando também o fim do terceiro trimestre deste ano. Mas a chegada do novo mês e, de quebra, do último trimestre de 2019 não deve ser acompanhada daquele típico sentimento de esperanças renovadas, já que muitas incertezas pairam no ar.
A principal dúvida de curto prazo é o processo de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda não se sabe o impacto na eleição de 2020 de um eventual pressão do norte-americano sobre a Ucrânia para fornecer informações em relação ao ex-vice-presidente Joe Biden. Mas o fato já tem gerado ruídos no mercado.
Além de ser mais um fator de incerteza e gerar volatilidade nos negócios, o processo antecipa o debate eleitoral nos EUA, podendo prejudicar tanto a candidatura do republicano quanto a do democrata. Talvez Biden já não seja o candidato mais provável do partido rival a vencer Trump no pleito.
Além disso, não se sabe como o impeachment afetará as relações comerciais dos EUA, em especial com a China. Afinal, o presidente chinês, Xi Jinping, tende a ver menos motivos para assinar um acordo com Washington, alimentando esperança de um novo presidente na Casa Branca em 2021.
Aliás, o gigante emergente faz uma pausa nesta semana dourada (Golden Week), quando comemora os 70 anos da Revolução Comunista, liderada por Mao Tse-tung, que pôs um fim ao “século de humilhação” e criou a República Popular da China. As comemorações paralisam o pregão em Xangai de amanhã até a próxima segunda-feira, enquanto Hong Kong fecha somente na terça-feira.
Porém, antes de sair de cena, a China divulgou dados sobre o desempenho dos setores industrial e de serviços em setembro, que devem influenciar a sessão de hoje. Nos próximos dias, também saem indicadores de atividade nos EUA, Brasil e zona do euro, mas o destaque da agenda da semana fica com o relatório oficial de emprego nos EUA (payroll).
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Os números sobre a atividade ao redor do mundo podem lançar luz sobre o atual estágio do ciclo econômico, em meio aos sinais de desaceleração global. O temor é de que os bancos centrais não consigam combater essa perda de tração, com a política suave (“dovish”) de juros muito baixos ou negativos combinada com estímulos adicionais (QE) sendo insuficiente para resolver a fraqueza do crescimento em muitos países.
Muitos BCs já começam a mostrar essa visão. Ainda mais por desconhecerem os impactos nos preços ao consumidor de um eventual conflito comercial mais duradouro entre as duas maiores economias do mundo. Tem-se, então, o risco de uma espiral inflacionária em um ambiente de baixo crescimento - quiçá recessão. A ver o que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tem a falar sobre o tema, na sexta-feira.
Por aqui, o cenário benigno da inflação somado à atividade fraca, em ritmo gradual de recuperação, abre espaço para a taxa básica de juros buscar novas mínimas ainda neste ano. A previsão é de que a Selic caia abaixo de 5% em breve, podendo permanecer em um nível baixo por um período prolongado. O dólar, por sua vez, segue sendo uma incógnita.
Mas o calendário econômico mais fraco desta semana concentra a atenção dos investidores na votação do parecer do relator da reforma da Previdência, Tasso Jereissati, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, provavelmente amanhã. A previsão é de que na tarde do mesmo dia a matéria seja apreciada no plenário da Casa, em primeiro turno.
O adiamento da votação, esperado para a semana passada, preocupou o investidor e deixou uma sensação de desentendimento entre os poderes. A expectativa ainda é de que o calendário de votação seja mantido, com a aprovação das novas regras para aposentadoria pelos senadores acontecendo até o dia 10. Para tanto, o governo pode ser pressionado a liberar mais recursos de emendas parlamentares.
Encerrada a discussão em torno da nova Previdência, não deve haver tempo hábil para o Congresso debater mais uma reforma ainda neste ano. Ainda mais diante das controvérsias em torno da proposta de alteração do sistema tributário, que coloca em xeque diferentes pontos de interesse da classe empresarial.
O assunto que deve entrar no radar em Brasília é o Orçamento de 2020, com a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) se esforçando para cumprir a Regra de Ouro. Um acordo com os presidentes Rodrigo Maia (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado) deve acelerar as pautas do ajuste fiscal, permitindo fechar as contas públicas deste ano.
Segunda-feira: A semana começa com a tradicional publicação do dia, a saber, o relatório de mercado Focus (8h25). Já os dados semanais da balança comercial ficaram para o dia seguinte, trazendo os números consolidados de setembro.
Terça-feira: Indicadores sobre a atividade industrial no Brasil, na zona do euro e nos EUA marcam o dia. A reforma da Previdência deve ser votada na CCJ do Senado, sendo encaminhada para o plenário da Casa, se aprovada. O feriado na China paralisa o país por uma semana, dando início às comemorações dos 70 anos da Revolução Comunista.
Quarta-feira: O Senado pode concluir o primeiro turno da votação da reforma da Previdência e o STF retoma o julgamento sobre o alcance da tese das alegações finais. A China segue comemorando o feriado nacional, mas a Bolsa de Hong Kong volta a funcionar.
Quinta-feira: Novos dados de atividade, desta vez, referente ao setor de serviços na zona do euro e nos EUA, recheiam a agenda. O feriado na China mantém a Bolsa de Xangai fechada.
Sexta-feira: A geração de postos de trabalho nos EUA, a taxa de desemprego no país e o rendimento médio do trabalhador estão em destaque. Merece atenção também o discurso de Powell, do Fed. A Bolsa de Xangai permanece fechada devido ao feriado na China.
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