A Bula da Semana: Semana de decisão de Fed e Copom
BCs brasileiro e dos EUA devem cortar os juros pela terceira vez seguida e dúvida fica com os próximos passos
Como tem acontecido desde junho, as reuniões de política monetária dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed) acontecem nos mesmos dias, com as respectivas decisões sobre a taxa de juros sendo anunciadas na quarta-feira. Nos dois casos, espera-se manutenção do ritmo de cortes, com a Selic caindo mais meio ponto, a 5,0%, e a taxa dos Fed Funds cedendo ao intervalo de 1,50% a 1,75% - ambas na terceira queda seguida.
Apesar do largo consenso, Fed e Copom são o grande destaque da agenda econômica nesta semana, uma vez que o debate no mercado financeiro é sobre a duração do processo de afrouxamento monetário, com os investidores ponderando quanto mais estímulos devem ser dados por ambos os BCs. No caso da Selic, muitos falam em uma extensão do ciclo até a taxa alcançar 4% - ou menos - no início do ano que vem.
A expectativa, portanto, gira em torno do comunicado que acompanhará a decisão do Copom, que pode lançar luz para a reunião de dezembro e, quiçá, para 2020. Já o Federal Reserve pode condicionar à continuidade do processo aos indicadores econômicos, de modo a verificar se são necessárias novas ações preventivas neste e no próximo ano, como forma de atenuar o impacto da guerra comercial na atividade doméstica.
Com isso, a agenda desta semana merece atenção, uma vez que traz números sobre o emprego (payroll), inflação (PCE) e crescimento econômico (PIB) nos Estados Unidos. Dados de atividade também serão conhecidos no Brasil e em outras partes do exterior, com números sobre a indústria nacional e chinesa, além do desempenho do setor de serviços na China e do PIB na zona do euro.
Sangue Latino
O presidente argentino Mauricio Macri não conseguiu se reeleger e sofreu uma derrota acachapante nas eleições presidenciais realizadas ontem no país. Com 95% dos votos válidos apurados, a chapa que tem a ex-presidente Cristina Kirchner na vice-presidência conquistou 48% do eleitorado e venceu sem a necessidade de um segundo turno. O presidente eleito é Alberto Fernández, antigo chefe de gabinete de Cristina.
Em reação, o Banco Central argentino afirmou que vai ampliar os limites para a compra de dólares no país, para apenas US$ 200 mensais por pessoa, de US$ 10 mil no início do mês passado. Os bancos devem abrir normalmente hoje. Também merece atenção o peso chileno, dias após 1 milhão irem às ruas de Santiago, na maior manifestação no país desde a ditadura de Augusto Pinochet.
Leia Também
A vitória da esquerda peronista no pleito argentino fortalece a onda recente de manifestações na América Latina, com um recado claro de que os ventos reformistas inclinados à centro-direita incomodam a região. Muitos já chamam a turbulência popular vista em Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina como “Primavera Latina”, em alusão aos protestos da “Primavera Árabe” em países do Oriente Médio e Norte da África no início da década.
Em cada um desses países houve um motivo específico que desencadeou o início dos distúrbios, mas, em todos eles, o estopim foi dado ou por causa da corrupção, da violência ou de questões econômicas - indo desde aumento de preços (combustíveis, transportes e energia elétrica) ao crescimento da pobreza/desigualdade social. Ainda assim, a Argentina é o primeiro país em que houve troca de presidente, por vias democráticas.
Após eleger, em 2015, um candidato pró-mercado, o veredicto dados pelos argentinos nas urnas é de que a experiência no país não deu certo. O sonho liberal-reformista que Macri prometeu aos empresários e investidores virou um pesadelo à população da Argentina, provocando uma reação através do voto. No Chile, a demanda de um milhão nas ruas era para “derrubar Piñera” e instalar um governo comprometido com a democracia popular, rechaçando o neoliberalismo econômico.
Há quem diga que o Brasil precisa ficar atento para não sofrer o “efeito Orloff”. A famosa expressão nos anos 80 baseava-se na premissa do “eu sou você amanhã”. Há, portanto, a mensagem de que os equilíbrios políticos na América Latina tendem a ser frágeis, com a derrota de Macri e a pressão sobre o presidente chileno Sebastian Piñera avisando ao presidente Jair Bolsonaro ele pode ser alvo do efeito Orloff.
Resta saber como os brasileiros entendem o passado e como querem avançar no futuro.
Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:
Segunda-feira: A semana começa com apenas uma das tradicionais publicações do dia no Brasil, a Pesquisa Focus (8h25). Antes, sai o índice de confiança do setor da construção civil neste mês (8h). No exterior, destaque para os estoques no atacado norte-americano em setembro (9h30).
Terça-feira: Mais um índice de confiança, desta vez na indústria, será conhecido no Brasil. Na safra de balanços, sai o resultado trimestral a Cielo. Na agenda econômica norte-americana, saem dados do setor imobiliário e sobre a confiança do consumidor.
Quarta-feira: A “super quarta-feira” traz como destaque as decisões de juros do Fed, à tarde, e do Copom, à noite. Pela manhã, no Brasil, saem o IGP-M de outubro e a sondagem sobre a confiança no setor de serviços. Na temporada doméstica de resultados, destaques para os números de Santander, Lojas Americanas, Pão de Açúcar, B2W e Gerdau. Já no exterior, pela manhã, saem os dados da ADP sobre emprego no setor privado dos EUA, além dos números preliminares do PIB norte-americano no trimestre passado. No fim do dia, a China anuncia dados de atividade na indústria e no setor de serviços.
Quinta-feira: O dia começa com o anúncio de política monetária do BC do Japão (BoJ). Na zona do euro, merecem atenção os números da inflação ao consumidor (CPI) e da atividade econômica (PIB). Já nos EUA, destaque para os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo, além do índice de preços PCE. No Brasil, saem os dados sobre o mercado de trabalho ao final do terceiro trimestre e os resultados financeiros de Bradesco e Gol.
Sexta-feira: Novembro começa trazendo como destaque o relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA (payroll), com números sobre a geração de vagas, o rendimento médio por hora e a taxa de desemprego em outubro. No Brasil, a semana chega ao fim com os números da indústria em setembro e da balança comercial em outubro.
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
