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2019-10-24T17:58:01-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Vira, vira, vira, virou! Após mudança de direção, bolsa fecha em baixa e dólar sobe em dia de realização de lucros

Ibovespa perdeu o patamar de 107 mil pontos e dólar voltou a subir depois de ter chegado a cair abaixo de R$ 4

24 de outubro de 2019
10:32 - atualizado às 17:58
Canoa virada
Humor do mercado foi virando ao longo do dia, mudando a direção dos últimos dias. Imagem: Shutterstock

Quando o pregão desta quinta-feira (24) começou, parecia que teríamos mais um dia de ganhos na bolsa e queda do dólar e dos juros futuros. O Ibovespa abriu em alta, animado pelo otimismo externo e as boas perspectivas do mercado para os resultados trimestrais a serem divulgados por Vale e Petrobras agora à noite.

Já a moeda americana recuava para o nível dos R$ 4 e chegou até mesmo a cair abaixo deste patamar, diante da expectativa de entrada de dólares no país com o leilão da cessão onerosa do petróleo marcado para 6 de novembro. Com isso, os juros futuros recuavam, tanto na ponta longa quanto na curta.

Porém, gradativamente, todos os indicadores foram virando. Ainda pela manhã, o Ibovespa passou para o terreno negativo, num movimento de realização de lucros após três sessões consecutivas de formidável alta. Sem novidades no noticiário, e com as bolsas americanas com sinais mistos, não houve tração para os ganhos prosseguirem, e o índice perdeu o patamar de 107 mil pontos.

No meio da tarde foi a vez do dólar à vista, que passou a subir com a recomposição de posições após o rompimento do "patamar psicológico" de R$ 4, uma vez que a cotação da moeda se tornou atrativa e os ambientes nacional e internacional ainda requerem cautela.

Finalmente, no fim do dia, a mudança de sinal do dólar levou os juros futuros mais longos a virarem para a alta.

Depois de tantas viradas, o Ibovespa fechou em baixa de 0,52%, aos 106.986 pontos. Já o dólar à vista fechou em alta de 0,29%, a R$ R$ 4,0446. Os juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 ainda conseguiram fechar em queda, passando de 4,497% para 4,46%. Mas os contratos para 2023 subiram de 5,46% para 5,48%, enquanto os vencimentos de 2025 avançaram de 6,131% para 6,15%.

Super quinta de balanços

A divulgação de balanços no Brasil e no exterior também foram motores importantes nos mercados nesta quinta-feira. Por aqui, Vale e Petrobras divulgam seus resultados do terceiro trimestre após o fechamento do pregão.

Apesar de terem começado o dia em alta, as ações das duas companhias fecharam com perdas significativas. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) terminaram o pregão em baixa de 2,18%, enquanto as ordinárias (PETR3) recuaram 1,97%. Os papéis da Vale (VALE3) fecharam em queda de 0,76%.

As maiores quedas do dia, por sua vez, foram de duas ações que refletiram o desapontamento dos investidores com os balanços divulgados pelas suas empresas.

A maior baixa do Ibovespa ficou por conta dos papéis da CSN (CSNA3), que terminou o pregão com perdas de 6,85%, diante de resultados trimestrais decepcionantes. A siderúrgica amargou prejuízo, quando a previsão dos analistas era de lucro.

A segunda maior queda do índice foi das ações da Localiza (RENT3), que fecharam em baixa de 6,17%. A locadora de veículos apresentou lucro abaixo do esperado.

Bolsas americanas terminam o pregão com sinais mistos

As bolsas americanas abriram em alta, mas fecharam com sinais mistos. O Dow Jones caiu 0,11%, para 26.805 pontos; já o S&P 500 avançou 0,19%, para 3.010 pontos e o Nasdaq subiu 0,81%, para 8.185 pontos.

Nos Estados Unidos, os resultados das empresas deram a tônica dos mercados.

As ações do Twitter, por exemplo, recuaram 20,81% após resultados abaixo do esperado. A companhia registrou lucro líquido de US$ 36,5 milhões no terceiro trimestre, com um lucro por ação de US$ 0,17, inferior aos US$ 0,20 esperados por analistas.

As ações da 3M também recuaram 4,07%, após a companhia ter apresentado receita de US$ 7,99 bilhões no terceiro trimestre, inferior aos US$ 8,17 bilhões esperados. O lucro líquido de US$ 1,58 bilhão, com US$ 2,72 por ação, no entanto, superou a expectativa de US$ 2,49 previstos pelo mercado.

A American Airlines, por sua vez, reagiu bem aos resultados, com alta de cerca de 4%. A companhia anunciou um lucro líquido de US$ 425 milhões no terceiro trimestre. O lucro por ação foi de US$ 1,42, superior ao US$ 1,40 previsto por analistas. A receita da aérea foi de US$ 11,9 bilhões, alta de 2,5% em relação ao mesmo período de 2018.

Os papéis da Tesla tiveram forte alta de mais de 15% diante da divulgação de resultados surpreendentes no terceiro trimestre. A empresa de Elon Musk registrou um lucro líquido de US$ 143 milhões, o que representa um lucro por ação de US$ 1,86. Os analistas esperavam um prejuízo de 42 centavos por ação.

Indicadores

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juros na reunião desta quinta-feira. A taxa de refinanciamento permaneceu zerada, e a taxa de depósito ficou em -0,50%. A instituição ressaltou que reiniciará o programa de relaxamento quantitativo (QE ou Quantitative Easing) com a compra de 20 bilhões de euros em ativos por mês a partir de 1º de novembro. A medida, diz o BCE, ocorrerá por todo tempo necessário, e será encerrada pouco antes de a instituição voltar a subir os juros.

Segundo a autoridade monetária da zona do euro, a perspectiva é de manutenção ou corte nos juros para que a inflação na região suba para perto da meta, de pouco menos de 2% ao ano. Atualmente, a inflação na zona do euro está em 0,8%.

Mais cedo, foi informado que as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos baixaram 1,1% em setembro ante agosto, número superior às estimativas dos economistas, de retração de 0,8%.

Segundo Alejandro Ortiz, integrante da equipe econômica da Guide, o desempenho misto das bolsas americanas hoje também se deve em parte a esse dado negativo. Ele destaca que os novos pedidos de bens de capital não relacionados a defesa e aeronaves, medida relacionada ao investimento das empresas, teve queda de 0,5% pelo segundo mês consecutivo.

Por outro lado, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA recuaram 6 mil na semana até 19 de outubro, e alcançaram 212 mil, pouco menos do que as 215 mil solicitações projetadas por analistas, um dado que pode ser considerado positivo.

*Com Estadão Conteúdo

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