Conheça o mais novo fundo listado em bolsa (ETF) com ações de empresas de maconha
Primeiro ETF listado em Nova York 100% focado em ações de maconha, o AdvisorShares Pure Cannabis (YOLO) conta com 24 companhias na carteira, como Organigram, Green Organic Dutchman e Aphria

Logo na segunda edição desta coluna, comentei sobre aquela que considero a alternativa mais eficaz para quem deseja investir na indústria legal de cannabis sem assumir um risco muito alto.
Falo dos ETFs, sigla para Exchange Traded Funds, que nada mais são do que um conjunto diversificado de ativos, como um fundo de investimento, negociado em Bolsa.
Modalidade ainda pouco conhecida no Brasil, o ETF talvez seja o veículo de investimento mais eficiente para se apostar em um determinado setor, pois alia diversificação com baixo custo.
Até meados de abril, era possível encontrar dois deles dedicados exclusivamente ao mercado de maconha: o ETFMG Alternative Harvest, negociado sob o código "MJ" na Bolsa de Nova York (Nyse), e o Horizons Marijuana Life Sciences, disponível através do ticker "HMMJ.TO" na Bolsa de Toronto, no Canadá.
Desde o final do mês passado, no entanto, os entusiastas das famosas Pot Stocks já contam com uma terceira opção. Trata-se do AdvisorShares Pure Cannabis ETF, listado na NYSE Arca – primeira Bolsa americana 100% eletrônica – através do ticker "YOLO".
Com pouco mais de US$ 43 milhões em ativos sob gestão, o AdvisorShares Pure Cannabis é apoiado pelo BNY Mellon e a composição de sua carteira segue a mesma linha dos outros dois ETFs ligados à indústria da maconha.
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Todos são compostos por dezenas de ações de empresas do segmento, com exposição majoritária a companhias canadenses. No caso do YOLO, são 24 companhias atualmente, com Organigram (8,49%), Green Organic Dutchman (8,05%) e Aphria (6,79%) detendo as maiores participações, respectivamente.
Outras empresas conhecidas por quem já investe no setor, como Canopy Growth, Aurora e Tilray, também fazem parte do portfólio, a exemplo das carteiras de Alternative Harvest e Horizons Marijuana Life Sciences.
Gestão ativa
Há, contudo, uma diferença fundamental entre o AdvisorShares Pure Cannabis e os outros dois ETFs: ele possui gestão ativa, enquanto os outros são geridos de forma passiva. Em outras palavras, está nas mãos de um gestor profissional especializado no mercado de cannabis, que pode incluir ou excluir empresas – ou apenas rebalancear a carteira – no momento em que ele bem entender.
A título de comparação, tanto o Alternative Harvest quanto o Horizons Marijuana Life Sciences visam replicar índices – o North American Marijuana Index e o Prime Alternativa Harvest Index, respectivamente – que levam em consideração suas próprias cestas de ativos e são rebalanceados trimestralmente, não importa o que aconteça.
Embora em linhas gerais os três ETFs possuam a grande maioria das empresas em comum, a variação de pesos entre elas e, principalmente, a liberdade que o gestor do AdvisorShares Pure Cannabis tem para promover as alterações que julgar necessárias para sua carteira, podem ser o diferencial para YOLO conseguir uma performance melhor do que seus pares no longo prazo.
Outra distinção importante em relação ao Alternative Harvest é que as 24 empresas que compõem a carteira do AdvisorShares Pure Cannabis estão envolvidas diretamente com a indústria de cannabis.
No MJ, que antes de se transformar em um ETF de cannabis era focado no setor imobiliário da América Latina, o portfólio possui empresas de jardinagem, como a Scotts Miracle Group, e a gigante do tabaco Philip Morris, na esperança de que elas entrem no mercado da maconha.
Daí que veio a ideia de batizar o fundo como “Pure Cannabis”, para deixar bem claro aos investidores que se trata do primeiro ETF listado em Nova York 100% focado em ações de maconha – o Horizons Marijuana Life Sciences também é, mas como disse acima, é negociado na Bolsa canadense.
“O AdvisorShares Pure Cannabis é realmente um ETF puro de cannabis”, disse David Nadig, o gestor responsável pelo fundo. Ele ainda acrescentou que, por se tratar de uma indústria em rápido movimento, a gestão ativa faz todo o sentido, na medida em que fica mais fácil capturar eventuais oportunidades que aparecem e se dissipam em questão de dias ou semanas.
Aposta na evolução
No final das contas, porém, o que vai determinar o sucesso ou não do YOLO será mesmo a "big picture". Isto é, a evolução da indústria como um todo, especialmente no que diz respeito aos avanços relacionados à legalização.
Como sabemos, demanda para a cannabis e para produtos derivados dela não falta. Afinal, estamos falando da substância ilícita mais consumida no mundo, cujo mercado ilegal ainda movimenta centenas de bilhões de dólares – recursos que financiam violência e corrupção, com a criminalização inibindo o investimento em pesquisas científicas.
Ao que tudo indica, porém, trata-se de um cenário com os dias contados, tendo em vista que cada vez mais países caminham para a legalização e regulamentação deste mercado altamente promissor.
Sendo assim, vale salientar o caráter de diversificação dos ETFs, extremamente valioso em um mercado ainda incipiente, com a grande maioria das empresas ainda em fases iniciais dos respectivos planos de negócios.
A compra do AdvisorShares Pure Cannabis, portanto, atende ao critério acima de se apostar na evolução da indústria da cannabis como um todo, minimizando os riscos de se expor a uma única empresa que, por qualquer motivo que seja, não acompanhe esse desenvolvimento.
E o momento para isso mostra-se bastante apropriado, em que pese o dólar relativamente caro na comparação com o real. Desde o lançamento do YOLO em 18 de abril, o preço ainda não decolou, sendo negociado praticamente em linha com os US$ 24,35 da estreia.
Com diversos gatilhos por vir, em especial a legalização em nível federal nos EUA, a hora de fazer uma aposta no mais novo ETF de maconha no pedaço é agora.
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