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2019-11-07T14:49:10-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Casamento

Banco do Brasil e UBS dizem que união formará negócio maior que soma das partes

Como não podia ser diferente, o objetivo dos bancos é alcançar a liderança nas operações realizadas no mercado de capitais no mercado brasileiro

7 de novembro de 2019
14:49
Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, e Sylvia Coutinho, responsável pelo UBS no país
Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil, e Sylvia Coutinho, responsável pelo UBS no país - Imagem: Vinícius Pinheiro/Seu Dinheiro

A combinação das operações do Banco do Brasil com o suíço UBS nas áreas de banco de investimentos e corretora de valores formará um negócio maior do que a soma de cada uma das partes individualmente.

A promessa foi feita por executivos dos dois bancos, que comentaram a associação em uma entrevista coletiva realizada na manhã de hoje.

Para fazer essa conta na qual 1 + 1 será maior do que 2 fechar, os bancos apostam na união da força do Banco do Brasil no mercado brasileiro com a experiência global do UBS.

Como não podia ser diferente, o objetivo dos bancos é alcançar a liderança nas operações realizadas no mercado de capitais, como a coordenação de ofertas de ações e títulos de dívida, como debêntures e bônus no exterior, além de negócios de fusões e aquisições.

"Essa combinação é única no mercado brasileiro e traz uma proposta de valor bastante diferenciada", afirmou Sylvia Coutinho, responsável pelas operações do banco suíço no Brasil.

Até a aprovação do casamento pelos órgãos reguladores, que deve levar de seis a nove meses, as instituições seguem operando de forma independente, mas devem avançar no que for possível para agilizar a combinação, segundo a executiva.

"Existe uma complementaridade óbvia entre as nossas aptidões e as do UBS", disse Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil.

O BB já conta com atuação no mercado de capitais, inclusive com uma participação maior do que o UBS – exceto em negócios de fusões e aquisições.

Eu diria até que a associação seria de pouca serventia para o banco brasileiro, não fosse o ganho de agilidade ao levar um negócio altamente competitivo como o de banco de investimentos para fora das amarras de uma empresa pública.

"Essa parceria é um movimento muito claro no caminho da privatização", disse Novaes, cuja posição favorável à venda da participação da União no BB à iniciativa privada é conhecida.

Os executivos não falaram em projeções de receita da joint venture, cujo nome ainda não foi definido. Eu pedi para os bancos me enviarem as comissões geradas nos nove primeiros meses deste ano, para ter uma ideia do tamanho que esse negócio teria hoje. Assim que recebê-las eu atualizo este texto.

O potencial do mercado, porém, é inegável. As captações de recursos pelas empresas brasileiras no mercado de capitais doméstico e externo atingiram R$ 335,1 bilhões nos nove primeiros meses de 2019, alta de 42% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Anbima.

Varejo fora

Junto com os negócios de banco de investimento e pesquisa, a corretora do UBS entrará no negócio com o BB. A associação, porém, terá como foco apenas os clientes institucionais. Ou seja, não resolve um velho problema do Banco do Brasil, que é a falta de uma corretora própria para atuar com os clientes de varejo.

Mas o vice-presidente de negócios de atacado do BB, Márcio Hamilton, disse que o atual modelo de atuação do banco, que conta com um "pool" de corretoras em seu home broker, atende bem os clientes e deve continuar assim.

As operações de gestão de fundos de investimento e fortunas também ficaram de fora da associação.

O Banco do Brasil tem planos de selar um casamento na área de fundos com outro parceiro estrangeiro, que tenha uma atuação complementar à do banco e escala internacional, segundo o presidente do BB. O negócio, porém, só deve sair no ano que vem.

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