Inflação não preocupa e Selic deve continuar em 6,5% por longo período
Se surpresas positivas acontecerem é possível que tenhamos novos cortes de juro, favorecendo ainda mais bolsa de valores, fundos imobiliários e outros ativos de risco

Em junho de 2017, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou, em entrevista: “Quebramos a espinha dorsal da inflação”. Parecia uma avaliação um pouco apressada tendo vista que apenas dois anos antes o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tinha marcado quase 11%, sem falar no histórico de hiperinflação do país. Mas depois dos resultados de 2016, de 6,29%, e de 2017, de 2,95%, abaixo do piso da meta, não há como duvidar do presidente. Ainda mais após o 3,75% de 2018, divulgado hoje.
A inflação fechou abaixo do centro da meta de 4,5%, mas dentro da banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O que importa, agora, é a inflação de 2019 e, com peso crescente, 2020, que estão estimadas em 4% tanto no Boletim Focus, quanto pelas projeções do próprio BC no seu cenário de referência. As metas para esses anos são de 4,25% e 4%, respectivamente.
Para os nossos investimentos isso significa que a Selic pode ficar nos atuais 6,5% a perder de vista. E se surpresas positivas acontecerem, como encaminhamento e aprovação da reforma da Previdência, é possível que se abra espaço para novos movimentos de baixa.
Isso é boa notícia para os ativos de risco, como bolsa de valores, e para o setor imobiliário e fundos imobiliários. Na renda fixa, os prêmios já caíram bastante nos papéis do Tesouro Direto, mas ainda é possível garimpar oportunidades. Mas há outros bons negócios em outros ativos de renda fixa. (Os links trazem as melhores dicas sobre cada um desses mercados, vale conferir)
Precisa mesmo esperar as reformas?
Essa inflação de 3,75% em 2018 deve dar mais fôlego a um debate iniciado no fim do ano passado sobre a contribuição da política monetária na retomada do crescimento.
Em ambiente de crescimento fraco e com expectativas ancoradas ao redor ou até abaixo das metas, alguns especialistas afirmam que há espaço para novas reduções da Selic, mesmo que a agenda de reformas, vista como fundamental pelo BC, não esteja completa.
Leia Também
A discussão passa pela avaliação sobre o juro neutro ou estrutural, variável não observável, mas que garantira o crescimento com inflação dentro das metas. A última pesquisa do BC sobre o tema, em abril de 2017, mostrou estimativas entre 4% e 4,5%, mas outros cálculos mais recentes mostraram que esta taxa estaria ainda mais baixa, entre 2,5% a 3%.
O BC não releva sua estimativa para a taxa neutra, mas afirma que a política monetária está estimulativa, ou seja, o juro atual está baixo do considerado neutro. Atualmente, a taxa real (juro de mercado descontado da inflação) está ao redor dos 2,6% ao ano.
Cautela, serenidade e perseverança
Em sua última entrevista para falar de política monetária, no fim de 2018, Ilan transmitiu a mensagem de que o Comitê de Política Monetária (Copom) se pauta por mudanças de tendências e não embarca em momentos nos quais os cenários para as variáveis econômicas são mais voláteis para a definição da taxa Selic.
Não por acaso, os termos cautela, serenidade e perseverança estão no centro do discurso do BC desde então. Segundo Ilan, há um esforço do BC e de outras áreas do governo em reduzir a taxa neutra ou estrutural da economia. Apesar dos avanços, Ilan afirmou que fazer uma afirmação na linha de que essa taxa já caiu seria um pouco prematuro.
Cabe lembrar que o auge das incertezas eleitorais, com dólar a R$ 4,2 e elevação nos prêmios de risco, o Copom chegou a acenar a possibilidade de subir o juro, retirando estímulo monetário, já que as projeções ameaçavam escapar das metas.
Com o resultado da eleição e a posterior acomodação de preços no mercado, o BC abandonou essa avaliação. Mas continua com um balanço de riscos assimétrico, ou seja, o risco de decepção com as reformas aliado a eventuais pioras no cenário externo tem maior peso na avaliação do BC. No outro lado do balanço está a chance de a inflação seguir abaixo da meta em função da debilidade da atividade econômica.
O próximo encontro do Copom acontecerá nos dias 5 e 6 de fevereiro, quando Ilan e os demais diretores voltam a rodar os modelos de projeção que vão considerar um dólar mais baixo e usar seu julgamento sobre como está esse andamento das reformas. O cenário externo também se mostra um pouco menos conturbado.
Em tese, os modelos recomendariam uma redução, mesmo que breve, da Selic, mas o BC ainda não mudou sua mensagem de cautela, serenidade e perseverança.
MORAR NA LUA?
Água na Lua: missão da China é adiada e disputa espacial ganha novo capítulo
24 de agosto de 2026 - 17:07NOVAS RELAÇÕES
Do chat ao altar: os casamentos entre humanos e inteligência artificial que já acontecem pelo mundo
24 de agosto de 2026 - 16:15AZEDOU?
Ração para pets ou sorvete? Como uma mudança de prioridade levou a dona da Häagen-Dazs a encerrar distribuição da marca no Brasil
24 de agosto de 2026 - 15:45HERANÇA DO PIX?
Galípolo acende alerta sobre crédito e prepara novas medidas do BC para conter endividamento das famílias
24 de agosto de 2026 - 14:58MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
Simples Nacional muda regra e empresas terão de fazer adesão já em setembro; entenda
24 de agosto de 2026 - 14:06NO PÓDIO
‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ continua escalando em bilheteria; Tom Holland terá o filme mais vendido da história?
24 de agosto de 2026 - 13:10ENXUGANDO AS DESPESAS
A conta de luz está pesando no bolso? Condomínios podem aliviar gastos com energia; veja como economizar
24 de agosto de 2026 - 12:31CARMA?
CEO que demitiu 900 funcionários por Zoom perde o comando da própria empresa
24 de agosto de 2026 - 12:30CASTELO DE STRANCALLY
Como é o castelo gótico comprado por Mark Zuckerberg para “ficar mais perto do trabalho”
24 de agosto de 2026 - 10:29DANÇA DAS CADEIRAS
Mega-Sena paga R$ 57 milhões em SC e +Milionária volta a oferecer o maior prêmio das loterias da Caixa
24 de agosto de 2026 - 6:44É HOJE!
IRPF 2026: Receita libera hoje consulta ao quarto lote de restituição do Imposto de Renda
24 de agosto de 2026 - 5:43ATENÇÃO, ESTUDANTES!
Pé-de-Meia volta a ser pago hoje; confira calendário, valores e quem tem direito em agosto de 2026
24 de agosto de 2026 - 5:06Conteúdo Empiricus
Enquanto o mês do ‘desgosto’ castiga o Ibovespa, traders se preparam para uma disputa milionária
23 de agosto de 2026 - 9:00TEMPESTADE À VISTA?
É hora de comprar ouro? Veja se dois bancões gringos acreditam que é hora de correr para a segurança
22 de agosto de 2026 - 16:02AS MAIS LIDAS
O impacto do Wellhub e Total Pass, a pechincha do Banco do Brasil (BBAS3), investimentos para renda passiva: o que chamou a atenção nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:00Conteúdo Empiricus
O ajuste fiscal vem em 2027? Entenda os cenários possíveis e onde investir para aproveitar as melhores oportunidades
22 de agosto de 2026 - 11:00FUTURO DO PETRÓLEO
Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras (PETR4); saiba o que está em jogo para a petroleira
22 de agosto de 2026 - 10:45SÓCIO DISCRETO DE BUFFET
O ‘oráculo’ das sombras: quem é o estrategista discreto por trás do império de US$ 1 trilhão da Berkshire Hathaway
22 de agosto de 2026 - 9:15'STEVE JOBS DOS INVESTIMENTOS'
O ‘Santo Graal’ dos investimentos: a fórmula de Ray Dalio que os grandes fundos usam — e como aplicar na sua carteira
21 de agosto de 2026 - 12:03VAZOU DE NOVO