Volta por cima? Ibovespa pode até voltar a 190 mil pontos, mas depende de dois fatores para isso, segundo analistas
Principal índice da Bolsa brasileira segue em clima de ‘ressaca’ após máximas históricas, mas cenário positivo não é descartado para o próximo semestre; entenda por quê

Seriam estes tempos de “ressaca” para o Ibovespa? Após chegar a quase 200 mil pontos em abril, o índice hoje negocia longe do otimismo de algumas semanas atrás, salvo por alguns pregões nos quais fechou no positivo.
Na segunda-feira (15), por exemplo, o índice chegou a atingir 174 mil pontos no pico do intradia, em meio a uma onda de otimismo após o anúncio de um acordo entre os EUA e o Irã, no domingo (14). Mas até o fechamento deste texto, na terça-feira (16), estava de volta aos 169 mil pontos.
Ou seja, a princípio, pode parecer que nem os sinais de uma resolução no Oriente Médio sejam o suficiente para sustentar a Bolsa brasileira. Será mesmo?
Para os analistas da Empiricus Research, há motivo para acreditar em uma recuperação do índice – até mesmo de volta à casa dos 190 mil pontos, como vimos em abril. Porém, essa recuperação depende da convergência de alguns fatores em especial.
Caso alinhados, estes fatores podem contribuir para um retorno do Ibovespa aos 190 mil pontos
“Somando a contribuição de valuation e fundamentos, e supondo que a guerra vai finalmente se resolver, podemos imaginar o Ibovespa voltando rapidamente para um patamar de 180 a 190 mil pontos”, afirmam os analistas em relatório da última sexta-feira (12).
A partir dessa afirmação, podemos destrinchar os gatilhos que, se alinhados, podem contribuir para a “volta por cima” do Ibovespa.
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Fim do conflito no Oriente Médio
Como falamos anteriormente, o Ibovespa pareceu não sustentar um pregão inteiro de alta com o anúncio de um acordo entre EUA e Irã, que pode, enfim, apontar para o fim da guerra no Oriente Médio. Mas vale lembrar que o fim das tensões pode ser um processo longo.
O conflito trouxe um sentimento generalizado de aversão ao risco nos mercados. Seu fim pode ainda não trazer normalização imediata. “Seria praticamente impossível alcançar um acordo rápido diante de um contexto tão complexo de direitos e deveres entre as partes”, afirmam os analistas.
Mas, aos poucos, investidores podem recuperar otimismo e reduzir o foco em posições mais defensivas, o que pode contribuir para a valorização dos ativos brasileiros.
“Contribuição” de valuation e fundamentos
O mercado brasileiro, referência em teses de commodities, tornou-se de grande interesse de estrangeiros após o início da guerra, especialmente após retirarem capital de teses ligadas ao mercado norte-americano. Inclusive, esse foi um dos principais gatilhos que carregaram a alta do Ibovespa alguns meses atrás.
Para os analistas, uma possível “ressaca” nas teses ligadas à inteligência artificial (IA) – que tem movido o otimismo de mercado nos EUA – pode “ser bom para o Kit Brasil”, considerando que poderia contribuir um retorno do fluxo estrangeiro ao país. Isso “salvo o caso de espraiamento sistêmico”, ou seja, de algum problema que afete os mercados globais de forma geral.
O valuation também entra como um ponto forte da bolsa brasileira. Em diversas ocasiões, os analistas da Empiricus reforçam a perspectiva de que os ativos brasileiros estão atualmente descontados, especialmente na ausência de fluxo comprador.
Inclusive, picos positivos recentes, como o visto no pregão da última quinta-feira (11), “não teriam acontecido se as ações brasileiras não estivessem negociando a múltiplos tão atrativos”, afirmam.
“O mercado local está bem-posicionado em fundamentos para captar esse fluxo gringo quando ele estiver pronto para voltar, e agora está bem-posicionado em valuation também”.
Saiba como se posicionar em qualquer cenário, com ou sem possível rali do Ibovespa
O investidor bem-posicionado, dentro das estratégias corretas, pode otimizar os retornos de sua carteira independentemente do que acontecer com o Ibovespa nos próximos meses.
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