Para presidente da Gol, Azul na ponte aérea é ‘cortina de fumaça’
Para Paulo Kakinoff, presidente da Gol, a Azul está criando uma falsa imagem, junto à população, de que se tivesse mais slots em Congonhas, a competição aumentaria e os preços das passagens cairiam

É pouco comum, no mundo das grandes corporações brasileiras, críticas públicas a atitudes de concorrentes. Paulo Kakinoff, presidente da Gol, resolveu, porém, questionar de forma direta a atuação da Azul no processo de disputa pela Avianca Brasil. Os ativos da companhia aérea, que está em recuperação judicial, deverão ir a leilão nesta segunda-feira, 10.
Para o executivo, a Azul está criando uma falsa imagem, junto à população, de que se tivesse mais slots (autorizações para pouso e decolagem) em Congonhas, a competição aumentaria e os preços das passagens cairiam. "A Azul desconsidera um processo de recuperação judicial legítimo e a regulamentação vigente", afirma.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
[captacao]
A Azul acusa Gol e Latam de entrar na disputa pela Avianca para tirá-la do jogo. Como o sr. responde a isso?
Isso é uma falácia repetida para influenciar a opinião pública. A Gol decidiu participar do processo de venda porque tem a estratégia de procurar oferecer mais voos a preços atraentes. Nossas discussões sobre a aquisição dos ativos da Avianca se iniciaram muito antes da recuperação judicial. A posição adotada pela Azul decorre apenas da sua frustração: acreditava que iria se apropriar das posições, pagando muito pouco ou quase nada. A verdade é que do ponto de vista concorrencial nada mudou.
Leia Também
Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 53%, para US$ 1,255 bilhão
Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Margem Equatorial
Como assim?
Sempre foi possível à Gol ou a qualquer companhia aérea apresentar proposta concorrente à da Azul. Mas o formato proposto inicialmente pela Azul (na qual ela compraria sozinha os slots da Avianca) era extremamente anticompetitivo - favorecia apenas a ela na medida que seus principais concorrentes (Gol e Latam) enfrentariam dificuldades de ter uma operação (de aquisição) aprovada pelas autoridades. Temos agora um formato nivelado, em que todos os interessados participam em condições de igualdade. Nesse processo, a Gol foi a única aérea que nunca deixou de aceitar passageiros da Avianca. Foram 43 mil clientes desde dezembro, com custo superior a R$ 10 milhões. E fizemos um aporte de R$ 52 milhões na companhia para financiar o capital de giro e nunca abordamos nenhuma das empresas que faziam leasing para a Avianca para retirada de aviões.
Os recursos foram todos para a Avianca ou houve acordo para que fossem para o fundo Elliott, que propôs a entrada de Gol e Latam na disputa?
Todos os recursos foram para o caixa e a gestão da empresa.
Latam e Gol são as mais beneficiadas com o fim da Avianca?
A Gol não será a maior beneficiada. Se vier a decretar falência, todas as empresas que operam nas rotas da Avianca serão igualmente beneficiadas.
A Air Europa mostrou interesse pela ponte aérea. O que é melhor: Azul ou Air Europa competindo no trecho?
A Gol respeita e valoriza a livre concorrência. Neste momento, está se discutindo a possibilidade de empresas estrangeiras operarem no País com a autorização da participação de 100% de capital estrangeiro, decisão que sempre foi apoiada pela Gol.
Como o sr. viu a propaganda que pedia Azul na ponte aérea?
Esse tipo de recurso cria uma realidade fantástica com o claro objetivo de manipular a opinião pública e os órgãos reguladores. É uma prática empresarial antiga e que já deveria ter sido abolida. A Azul demonstra pretender obter os slots da Avianca por um caminho alternativo que desconsidera o processo de recuperação judicial legítimo e a regulamentação vigente. Plano que, acredito, não terá êxito, pois os órgãos reguladores do Brasil são sérios, técnicos e independentes.
A Azul na ponte aérea não favoreceria o consumidor?
Inicialmente, é importante desmistificar o tema: se realmente tivesse interesse, a Azul já estaria operando na ponte aérea, independentemente da recuperação judicial da Avianca. A Azul já possui hoje uma quantidade de horários de pousos e decolagens disponíveis em Congonhas superior àquela alocada pela Avianca para operar na ponte aérea. A Azul não opera na ponte aérea por uma questão comercial própria, e não por não dispor dos horários. Esse tema da ponte aérea é uma cortina de fumaça para invalidar a regra vigente de distribuição de slots. Ainda não conseguimos enxergar quais seriam os benefícios ao consumidor. A Azul tem as tarifas mais altas do mercado. Nas rotas que opera sozinha, as tarifas chegam a ser 70% mais caras que as praticadas pela Gol em trechos equivalentes. Basta comparar os valores das passagens para o mesmo destino.
Com a saída da Azul da Abear, houve um 'racha' no setor?
Não houve racha no setor. Tivemos um concorrente que decidiu sair da associação, sem nenhum impacto ou prejuízo em sua atuação.
Não é melhor para a Gol que o leilão não aconteça, para que ganhe os slots sem custo?
Se não houver leilão, defendemos que sejam distribuídos pela regulação 338, que determina que metade dos slots irá para novos entrantes e metade entre Gol, Latam e Azul.
Haverá novos entrantes?
Tenho absoluta certeza de que sim, haverá novos entrantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO
“O preço a pagar” para reduzir riscos: CEO do Santander revela plano para atingir ROE acima de 20%
28 de outubro de 2026 - 14:32BALANÇO AGRADOU
Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
28 de outubro de 2026 - 13:31REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?