Menu
Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2019-02-06T12:22:33-02:00
APÓS BRUMADINHO

Vale: fuja dessa barganha!

Há uma série de ações para ficar de fora desta ação. E não é moralismo.

6 de fevereiro de 2019
11:41 - atualizado às 12:22
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho - Imagem: Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

Na segunda-feira 28 de janeiro, primeiro dia em que as ações da Vale foram negociadas após o desmoronamento da barragem do Feijão, em Brumadinho, um amigo meu de longa data comprou ações da empresa. Ele achou que a queda de 24% foi exagerada.

Talvez tenha sido. Talvez não.

Raciocinando de maneira oposta, os especialistas da Inversa que fazem indicações pontuais sobre o mercado de ações aconselharam aos assinantes de suas newsletters que ficassem de fora do papel.

Nós, da Inversa, podemos ter posições antagônicas (e muitas vezes temos) a respeito dos diversos mercados. Não existe uma política centralizada de julgamento. Algo como:

“Vamos nos posicionar a favor do real contra o dólar.”

Acontece que, desta vez, tenho exatamente a mesma opinião de meus colegas. Acho que, em meio a um bull market fantástico como o que estamos vivendo, comprar Vale só porque caiu muito não compensa.

Por que eu fico de fora?

Há sérias razões para isso. Um sem número de ameaças paira sobre a mineradora.

Para começar, a companhia vai descomissionar (desativar) 10 barragens de rejeitos de minério de ferro em Minas Gerais. Todas usam o método de alteamento a montante.

Nelas, a contenção é feita por intermédio de degraus em cuja construção são usados os próprios rejeitos. Esse sistema custa muito mais barato, mas é menos seguro. Tanto é assim que já foi proibido em diversos países. O Chile, por exemplo, é um deles.

O descomissionamento vai custar R$ 5 bilhões aos cofres da empresa. Quarenta milhões de toneladas de minério de ferro e 11 milhões de toneladas de pellets deixarão de ser produzidos por ano.

A mina de Brucutu, que produz isoladamente 30 milhões de toneladas, teve suas operações suspensas peja Justiça de Minas Gerais.

Diversas decisões judiciais bloquearam até agora 11 bilhões de reais de recursos da empresa.

Ninguém sabe quantas multas ainda virão.

Imaginemos agora o rigor com que as minas da Vale serão fiscalizadas.

E os ambientalistas, que andavam com a crista baixa após a eleição de Jair Bolsonaro? Eles agora têm 142 mortos e 194 desaparecidos para estimulá-los na volta à refrega.

Imaginemos se acontece uma nova tragédia. O raio já caiu em Minas duas vezes nestes pouco mais de três anos e pode cair uma terceira. Afinal de contas, o descomissionamento de barragens não pode ser feito da noite para o dia. Dependendo do caso, leva de um a três anos.

Pode ser que, com a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência, o bull market da Bolsa se estique tanto que leve a Vale a reboque.

Só que, em minha opinião, há papéis muito mais atraentes. Não há necessidade de sair por aí catando uma barganha.

(Esta coluna foi publicada na Inversa Publicações. Para acompanhar os conteúdos gratuitos do Ivan Sant'Anna na Inversa, entre aqui. Ele também escreve uma newsletter matinal chamada Warm Up Pro, para experimentar, acesse aqui.)

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Expansão

SPX Capital assume operações do Carlyle no país

As operações do Carlyle no Brasil serão absrovidas pela SPX Capital. Com isso, a gestora de Rogério Xavier se expande em private equity

ESTRADA DO FUTURO

Um pé no abismo e outro na casca de banana: como identificar ações de empresas decadentes

Excesso de otimismo, planos mirabolantes e desprezo pela inovação estão entre as receitas para uma empresa falhar, segundo o gestor que se dedicou a descobrir empresas terríveis

Novo competidor

Grupo catarinense que fatura R$ 8,8 bi vai abrir 1º atacarejo no estado de SP

O Grupo Pereira vai abrir uma unidade da Fort Atacadista, sua bandeira de atacarejo, na cidade de Jundiaí; forte competição em SP é desafio

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies