Menu
2019-12-06T19:29:34-03:00
MARCO DO SANEAMENTO

Para BNDES, não faltam recursos para o Brasil investir no setor de saneamento

Montezano afirmou que o novo marco regulatório do saneamento, que está tramitando no Congresso, vai abrir uma nova fase no banco

6 de dezembro de 2019
19:29
BNDES Gustavo Montezano
Presidente do BNDES, Gustavo Montezano - Imagem: Hoana Gonçalves/Ascom ME

O presidente Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou nesta sexta-feira, 6, que não faltam recursos para o Brasil investir no setor de saneamento, mas sim organização e vontade política para priorizar ações no setor.

Em evento que destaca o "S" de social do banco e também "S" também de saneamento, Montezano afirmou que o novo marco regulatório do saneamento, que está tramitando no Congresso, vai abrir uma nova fase no banco.

"O saneamento é o nosso carro-chefe. Como se pode pensar em educação, saúde, se não tiver saneamento? Para isso é preciso articulação", disse Montezano, em evento que tem a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo Montezano, o BNDES será o principal articulador das mudanças da política do saneamento no Brasil e convocou a sociedade para participar.

"Quero que todos vejam o BNDES como parceiro. Investidores, construtores, advogados, prefeitos: sempre que lembrarem de saneamento e quiserem fazer o Brasil mais justo, nos liguem", concluiu Montezano em seu discurso de abertura.

Rio de Janeiro

O projeto de desestatização da infraestrutura de saneamento básico do Estado do Rio, capitaneado pelo BNDES, prevê investimentos em "capex" de R$ 32,5 bilhões em 35 anos de concessões, afirmou Guilherme Albuquerque, executivo da diretoria da Infraestrutura, Concessões e PPPs da instituição de fomento. Estão adiantados, até à frente do Rio, os projetos de desestatização de Alagoas, do Acre e do Amapá.

Pelo projeto para o Rio, a área de 64 municípios atendidos pela Cedae, companhia estadual de saneamento, seria dividida em quatro blocos. A ideia é a Cedae continuar na captação e no tratamento da água, que seria vendida pela estatal a concessionários privados, responsáveis pela distribuição, cobrança de tarifas, coleta e tratamento do esgoto. O modelo ainda precisa ser aprovado pelo governo do Estado e pelas prefeituras envolvidas, elevando os investimentos, que chegaram a R$ 638 milhões em 2014, mas ficaram em R$ 316 milhões em 2017.

Alagoas

Modelo semelhante seria usado em Alagoas, cuja área atendida pela companhia estadual, a Casal, seria dividida em três blocos, num total de 102 municípios. Na região metropolitana de Maceió, a Casal continuaria captando e tratando a água, e um concessionário cuidará da distribuição e da coleta do esgoto - nos demais blocos, a Casal continuaria com a operação completa. Com isso, os investimentos em "capex" seriam de R$ 2,56 bilhões em 35 anos. Em 2017, os investimentos em saneamento em Alagoas ficaram em R$ 37 milhões.

Os trabalhos em Alagoas estão mais adiantados, segundo Albuquerque. O governo do Estado já aprovou a legislação para organizar a governança da região metropolitana e os projetos já foram aprovados. O edital de concessão já está em fase de consulta pública e o BNDES já começou a fazer apresentações a investidores em "road shows". "Tivemos reuniões com diversos tipos de operadores, alguns que já estão instalados no País e outros de fora", afirmou o executivo do BNDES, em evento sobre saneamento na sede do banco, no Rio.

Segundo Albuquerque, o governo alagoano tem a meta de publicar o edital ainda este ano. "A externalidade desses investimentos talvez sejam das mais positivas", afirmou o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), que também participa do evento no BNDES.

Acre e Amapá

Conforme a apresentação de Albuquerque, do BNDES, os projetos do banco de fomento para a infraestrutura de saneamento do Acre e do Amapá são diferentes dos casos de Alagoas e Rio de Janeiro. Nos dois Estados do Norte, a ideia é fazer uma concessão plena dos serviços.

No Acre, onde os investimentos ficaram na casa de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões por ano recentemente - R$ 46 milhões em 2017 -, os aportes em "capex" saltariam para em torno de R$ 1,3 bilhão no período total da concessão. No Amapá, onde a infraestrutura de saneamento básico é ainda mais precária do que no Acre, os investimentos em "capex" seriam de R$ 4,17 bilhões em 35 anos de concessão - em 2017, os investimentos no Amapá foram de apenas R$ 2 milhões, e não passaram de R$ 25 milhões em 2012.

O diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES, Fabio Abrahão, aproveitou a apresentação sobre os projetos para defender o novo marco regulatório do saneamento, em discussão no Congresso Nacional. O diretor criticou o atual sistema, em que os investimentos e a operação dos serviços de saneamento ficam a cargo, majoritariamente, de companhias estaduais. Segundo Abrahão, essas estatais têm elevado os gastos correntes, com salários, e deixado os investimentos caírem, além de serem pouco eficientes. Por isso, o novo marco regulatório "vai influenciar a próxima geração e a seguinte".

"Não dá mais para protelar, não dá mais para sustentar um sistema que está há décadas falhando, há décadas matando", afirmou Abrahão, lembrando que, na estruturação dos projetos de desestatização, o BNDES procura não deixar passivos para o Estado e incluir os municípios do interior. "Não deixaremos ninguém para trás", afirmou o diretor.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

um risco no radar

Por coronavírus, Arábia Saudita avalia romper aliança com a Rússia no setor de petróleo

Os dois lados têm colaborado desde dezembro de 2016 para tentar equilibrar a oferta global, em meio a um salto na oferta do xisto vinda dos EUA

presidente vai aos EUA

Bolsonaro diz ter intenção de trazer a Tesla, de Elon Musk, para o Brasil

Filho do presidente já havia declarado a intenção; Ele disse ter participado de teleconferência com o ministro da Ciência e Tecnologia para tratar sobre o assunto

Exile on Wall Street

O tamanho certo da sua proteção para este Carnaval

*Por Bruno Mérola

de olho nas cifras

Rombo nas contas externas soma US$ 11,8 bilhões em janeiro

Resultado é o pior resultado para o mês desde 2015, quando houve déficit de US$ 12,011 bilhões

mercados agora

Dólar bate R$ 4,40 e Ibovespa cai 1,4%, com mercado atento ao coronavírus

Mercado local novamente reproduz a cautela no exterior, fazendo com que a moeda norte-americana teste um novo recorde; no ano alta já é quase de 10%

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta sexta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

De olho no futuro

Montadoras investem em postos de recarga para fomentar híbridos

Volkswagen se une assim a empresas como BMW, Volvo e à própria parceria em que participa com Volkswagen e Porsche na instalação de pelo menos outros 680 pontos de abastecimento, vários deles com tecnologias de recarga rápida

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

13 notícias para você começar o dia bem informado

2019 poderia ter sido um dos melhores anos da história da Vale, especialmente pela alta de mais de 30% no preço do minério de ferro. A tragédia de Brumadinho mudou severamente esse quadro e levou a empresa a um prejuízo de US$ 1,7 bilhão no ano todo, conforme números divulgados ontem à noite. A sexta-feira […]

do setor imobiliário para a bolsa

Incorporadora One e construtora Pacaembu pedem registro de IPO

Empresas esperam recursos para pré-pagamento de empréstimos, expansão e reforço de capital de giro

sinal verde

Anac autoriza Virgin Atlantic, do bilionário Richard Branson, a operar no Brasil

Segundo o órgão regulador, a empresa manifestou interesse em voar, a partir de março deste ano, entre as cidades de Londres e São Paulo.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements