2018-11-06T09:07:53-02:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Esquenta dos mercados

Mercados podem ficar tensos com ruídos do governo eleito e riscos externos

Investidores continuam sem definição sobre política econômica e reformas; dia reserva balanço da Petrobras, ata do Copom e eleições nos EUA

6 de novembro de 2018
8:39 - atualizado às 9:07
Selo marca a cobertura do Seu Dinheiro antes da abertura da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! O balanço da Petrobras, que sai antes da abertura do mercado, pode ter influência positiva na bolsa nesta terça (06). Mas o cenário político e outros itens da agenda de hoje podem ensejar cautela nos mercados.

O Ibovespa bateu ontem novo recorde, fechando com alta de 1,33%, na máxima histórica de 89.598 pontos. Mas embora o índice futuro já tenha superado a marca dos 90 mil pontos, alguns analistas acreditam que, para chegar lá, dependemos da boa vontade dos gringos, que por ora estão bastante cuidadosos. O cenário político por aqui também não tem ajudado.

Cabeças batendo e rolando

No front político, o que os investidores mais desejam está demorando a aparecer: definições do novo governo quanto às propostas para a economia, principalmente a reforma da Previdência, e nomes para compor a equipe econômica.

Pelo contrário, a equipe de Bolsonaro continua batendo cabeça, o que cria um cenário de insegurança nos mercados.

Por diversas vezes o presidente eleito desautorizou falas de membros da sua equipe, como no caso da criação de um imposto sobre transações financeiras nos moldes da extinta CPMF, embora tal tributo seja uma das propostas em estudo pela sua equipe.

Nesta segunda-feira, não foi diferente. Em entrevista a José Luiz Datena, na "Band", Bolsonaro quase encarnou a rainha de Copas e mandou "cortar a cabeça" do economista Marcos Cintra, integrante de sua equipe de transição.

Datena questionou o presidente eleito sobre notícia do "UOL" de que um assessor de Paulo Guedes criticou a ideia de imposto único e defendeu um novo tipo de tributação sobre movimentação bancária. Bolsonaro disse que "assessor de Guedes não quer dizer nada" e que "quem confrontar, corta a cabeça".

O apresentador então falou o nome de Marcos Cintra e Bolsonaro disse que já tinha falado com ele para falar somente sobre o que está acertado com ele e Guedes.

Quanto à reforma da Previdência, também há mais desencontros que certezas. Na mesma entrevista à "Band", Bolsonaro sinalizou que a proposta de capitalização, que consta no seu programa de governo, pode não ser adotada, admitindo sua "desconfiança" com o modelo de poupança individual do trabalhador.

"Não está batido o martelo, tenho desconfiança. Quem vai garantir que essa nova Previdência dará certo? Quem vai pagar se não der certo? Hoje em dia, mal ou bem, tem o Tesouro, que tem responsabilidade", disse.

Também reafirmou que deseja fazer uma reforma branda: "Acertos de forma gradual atingem o mesmo objetivo sem criar pânico", falou.

Mais cedo, em entrevista à TV Aparecida, voltou a falar em idade mínima de 61 anos para os homens e a defender condições especiais para policiais e Forças Armadas. Outro dia, disse que a reforma ideal não é a dele ou a de Guedes, mas "aquela que passar no Congresso".

Semana de tensão no exterior

A aversão a risco no exterior tem feito os estrangeiros tirarem recursos dos países emergentes. Os investidores temem um aperto monetário maior que o previsto nos EUA, a guerra comercial entre EUA e China e a desaceleração do crescimento mundial neste ano.

A agenda desta semana está deixando os investidores cautelosos. Ontem mesmo o dólar voltou a subir, retornando para perto de R$ 3,73 e as bolsas americanas fecharam com altas modestas. Exceto a Nasdaq, que teve queda.

Hoje tem eleições legislativas nos EUA, com disputa bastante apertada entre democratas e republicanos. O mais provável é que os democratas fiquem com maioria na Câmara, e os republicanos, no Senado.

Nesta quinta, o Fed, banco central americano, decide sobre juros. A expectativa é de manutenção das taxas, mas investidores aguardam a sinalização de uma elevação de juros mais rápida no ano que vem depois que os dados de emprego dos Estados Unidos vieram bem acima do esperado, sugerindo uma economia aquecida.

A boa notícia que veio do exterior ontem é que a Itália pode ceder às pressões e modificar sua proposta de orçamento de 2019 - que prevê déficit de 2,4% do PIB -, a fim de cumprir as regras da União Europeia.

Petrobras divulga balanço

A Petrobras reportou balanço forte agora de manhã, mas o lucro líquido veio abaixo do esperado tanto pelos analistas ouvidos pela "Bloomberg" quanto por aqueles ouvidos pelo "Broadcast". Às 9h, a companhia faz teleconferência para comentar os números.

Além disso, suas ações podem ser beneficiadas pela aprovação da urgência para o projeto de lei da cessão onerosa no Senado, também prevista para hoje. A ação da Petrobras foi a mais recomendada para novembro pelas corretoras ouvidas pelo Seu Dinheiro.

Mais cedo, a BR Distribuidora também divulgou balanço. Ontem, tivemos números de outras companhias, como Magazine Luiza e BB Seguridade.

Agenda

Às 8h sai a ata do Copom. Às 9h, o BB Seguridade promove teleconferência para comentar seus números. Às 11h, é a vez de BR Distribuidora, BTG Pactual e Magazine Luiza realizarem conferências.

Depois do fechamento, saem os balanços de Tim, Iguatemi, Taesa e Sanepar.

Nos EUA, o Departamento de Trabalho divulga seu relatório Jolts sobre vagas de emprego em aberto no país, às 13 horas. A expectativa entre os analistas é de estabilidade em 7,1 milhões em outubro.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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