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2018-10-30T08:21:16-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Esquenta dos mercados

Mercados podem andar hoje com fala de Bolsonaro sobre Previdência

Finalmente o presidente eleito se posicionou sobre algum tema caro ao mercado; votação de urgência para aprovar PL de cessão onerosa pode valorizar ações da Petrobras

30 de outubro de 2018
8:14 - atualizado às 8:21
Selo esquenta mercados
Depois de rali curto pós-eleições, noticiário político pode mexer com os mercados nesta terça - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! O rali Bolsonaro ontem durou pouco, e acabaram acertando os analistas que esperavam uma correção nos mercados depois das fortes valorizações na bolsa anteriores ao segundo turno. Mas para hoje, boas notícias no campo político podem afetar positivamente as ações brasileiras, notadamente a Petrobras.

A vitória de Jair Bolsonaro nas urnas já estava bastante precificada antes das eleições, e o que o mercado já estava aguardando mesmo eram as definições na área econômica, como nomes para a equipe e posicionamentos sobre reformas.

Assim, a bolsa começou bem o pregão de ontem e chegou a ter alta de 3%, enquanto o dólar recuou abaixo de R$ 3,60. Mas lá pela hora do almoço, o tempo começou a virar, muito influenciado pelo cenário externo.

Em NY, as bolsas caíam com más notícias para o setor de tecnologia, e o dólar ganhava força globalmente em razão da alta da inflação nos EUA. No fim do dia, a coisa piorou, com a informação de que o governo Trump planejava tarifar mais produtos chineses.

Os investidores por aqui decidiram realizar os lucros gerados nas últimas semanas. Também não digeriram bem uma fala do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre meta de juros e câmbio para o Banco Central.

O Ibovespa terminou o dia com queda de 2,24%, aos 83.796 pontos, enquanto o dólar voltou para R$ 3,70.

Uma luz sobre reforma da Previdência, enfim

Mas ontem à noite, o presidente eleito começou a atender as expectativas dos investidores falando de seus planos para a economia, o que pode fazer os mercados andarem hoje. Em entrevista à "TV Record", Bolsonaro falou que vai tentar a aprovação de "pelo menos parte" da reforma da Previdência que já está no Congresso.

O projeto já foi bastante criticado por Lorenzoni e pelo próprio Bolsonaro, mas segundo apurou o "Broadcast", serviço de notícias em tempo real do "Estadão", a ideia seria aproveitar a sugestão de Temer ao novo presidente e levar à votação um novo texto com as mudanças da equipe de Bolsonaro em forma de substitutivo.

A proposta que está na Câmara prevê idades mínimas iniciais para aposentadoria de 53 anos para mulheres e 55 anos para homens, avançando, respectivamente, para 62 e 65 anos ao longo de 20 anos. Mas as mudanças para idade mínima, ponto crucial da reforma, ainda não estão fechadas.

Segundo o "Estadão", outras sugestões estão sendo estudadas, como as propostas de Fabio Giambiagi e Paulo Tafner, que têm construído um modelo com apoio do ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga.

Quanto à formação de equipe, os primeiros nomes da equipe de transição de Bolsonaro serão anunciados na quinta-feira, com o total de 50 integrantes, metade preenchida pelo núcleo militar e a outra metade pela equipe econômica.

De olho nas ações da Petrobras hoje

Os mercados hoje também devem reagir à movimentação do Senado para votar a urgência do projeto de lei da cessão onerosa. O líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), conseguiu recolher 54 assinaturas necessárias para a tramitação em regime especial e, se tudo der certo, a urgência pode ser apreciada ainda hoje.

A urgência permite que o projeto, votado em julho pela Câmara, seja submetido diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Constituição e Justiça (CCJ), o que acelera a aprovação do PL.

A aprovação da urgência pode mexer com as ações da Petrobras, já que o PL permite fechar o acordo de revisão do contrato de cessão onerosa de 2010 com a estatal.

Isso faz com que a Petrobras possa vender até 70% dos cinco bilhões de barris a que tem direito na área da cessão onerosa para outras empresas.

Além disso, sem essa revisão, o governo não pode vender o direito de exploração do excedente dos barris no leilão na área da sessão onerosa, uma disputa que pode render outorga de cerca de R$ 100 bilhões para a União.

O leilão, previsto para 2019, é uma das apostas do futuro governo para reduzir o déficit primário.

Agenda

Às 8h sai o IGP-M de outubro, que deve perder força contra setembro, quando foi de 1,52%, desacelerando para 0,91%, na mediana das estimativas do "Broadcast".

Às 9h, sai a Pnad, com previsão de queda no desemprego. A mediana do "Broadcast" aponta para 11,90% no trimestre terminado em setembro, inferior aos 12,1% no trimestre terminado em agosto.

Na temporada de balanços temos Embraer e Telefônica Vivo antes da abertura. Depois do fechamento saem Cielo, Eletropaulo, Smiles, Ecorodovias, RaiaDrogasil e Petrorio.

Itaú promove teleconferência às 10h para comentar o balanço de ontem à noite. Klabin e Multiplan também promovem teleconferência para comentar seus números, ambas às 11 horas.

Nos EUA, teremos os números de Coca-Cola, MasterCard, Pfizer e General Electric antes da abertura, e Facebook depois do fechamento.

A Conference Board informa seu índice de confiança do consumidor de outubro às 11 horas. A expectativa é de queda, de 138,4 para 136,5.

Às 22h, sai na China o PMI (Purchasing Managers' Index) oficial do setor manufatureiro e dos serviços em outubro.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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