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Esquenta dos mercados

Mercados: medo de recessão produz o pior dezembro

O sell off nas ações é considerado um exagero para muitos, mas diante das telas pintadas de vermelho, não há quem se arrisque

18 de dezembro de 2018
8:03 - atualizado às 8:57
Selo esquenta mercados
Selo marca a cobertura do Seu Dinheiro antes da abertura da Bolsa - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! O medo de uma recessão nos Estados Unidos no ano que vem está produzindo um dos piores dezembros que Nova York já viu, pelo menos, até agora. O sell‐off nas ações é considerado um exagero para muitos, mas diante das telas pintadas de vermelho, não há quem se arrisque. Só quem pode salvar o mercado é o Federal Reserve, o banco central americano. Um aumento do juro amanhã tem 70% de probabilidade, mas o presidente, Jerome Powell, pode mudar tudo se sinalizar uma pausa do aperto em 2019.

O presidente dos EUA, Donald Trump esforça‐se no Twitter, invocando “Paris em chamas” e o declínio do império chinês para defender o crescimento da economia (e sua reeleição). Mas os apelos do presidente estão perdendo o efeito. Ontem, Wall Street continuou fugindo do risco e buscando refúgio nos treasuries, no iene e até no ouro, em mais um pregão estressado com a desaceleração global, que pode acabar atingindo os americanos mais cedo.

A queda da atividade Empire State de 23,3 em novembro para 10,9 em dezembro, assustou o JPMorgan, que elevou as chances de uma recessão no país dentro dos próximos 12 meses de 37,1% para 37,8%. O Morgan Stanley está ainda mais pessimista, estima chance de pelo menos 50% de uma recessão em 2019.

Outros focos de pressão seguem no radar, como as incertezas de um acordo comercial entre China‐EUA e mais iminente a ameaça de shutdown na sexta-feira, além dos riscos da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May de não conseguir aprovar o Brexit em janeiro.

Ampliando as perdas no fechamento, o S&P 500 caiu 2,08% (2.545,94 pontos), no menor nível desde outubro de 2017, Dow Jones, com todas as ações em baixa, ‐2,11% (23.592,78), e Nasdaq, ‐2,27% (6.753,73). Nos Treasuries, a demanda voltou a derrubar os yields de dois anos (2,687%), de dez anos (2,852%) e 30 anos (3,111%), enquanto os futuros dos Fed Funds reduziam as apostas em novas altas do juro em 2019.

De quatro aumentos no ano que vem, fora o de amanhã, o mercado já trabalha com dois, um ou nenhum. O dólar caiu contra o iene (112,71), o euro (US$ 1,1349) e até frente à libra (US$ 1,2617) e algumas moedas emergentes, como o peso mexicano e o real, que fechou a R$ 3,8993 (‐0,19%), após quase bater R$ 3,93.

Com a pressão sob controle no câmbio, o Banco Central dispensou os leilões de linha para hoje.

A desvalorização do dólar estimulou a cobertura de posições vendidas no ouro, também procurado como ativo seguro. Na Comex, o metal fechou com ganho de 0,84%, a US$ 1.251,80/onça‐troy.
Já o petróleo furou suportes, com o Brent/fevereiro abaixo de US$ 60 (US$ 59,61, ‐1,1%) e WTI/janeiro abaixo de US$ 50 (US$ 49,88). Fevereiro, que já o mais líquido, sustentou a marca por pouco, a US$ 50,20 (‐2,4%).

Relatório do Instituto Internacional de Finanças (IIF) previu que se o acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) for respeitado, o Brent avançará para US$ 67 em 2019. Do contrário, pode cair abaixo de US$ 50. Há dúvidas se o corte na produção conterá o excesso de oferta.

Hoje, o American Petroleum Institute (API) divulga (19h30) os estoques de petróleo bruto e derivados, com estimativa de aumento de 920 mil barris, após queda de 10,2 milhões na semana anterior. Amanhã, sai o relatório do Departamento de Energia (DoE).

À reboque, o Ibovespa voltou a mostrar disposição para resistir ao estresse em NY, mas acabou entregando os pontos para o fechamento, aos 86.399,68 pontos (‐1,20%), após sucessivas mínimas na reta final.

Em dia de opções, o mercado atingiu a máxima pela manhã (87.819,90 pontos, +0,42%), mas perdeu força já com a abertura negativa em Wall Street. O giro só foi alto (R$ 17,8 bilhões) por causa do exercício.

Entre as principais quedas esteve novamente o bloco financeiro, com Itaú Unibanco PN (‐2,67%, a R$ 34,57) e Bradesco PN (‐1,95%, a R$ 37,65) em baixas importantes, assim como a B3 ON (‐2,01%, a R$ 26,80). Petrobras PN (‐0,78%, a R$ 22,87) e Petrobras (‐1,06%, a R$ 26,05) recuaram bem menos que o petróleo.

Na outra ponta, Vale ON (+0,73%, a R$ 51,25), Usiminas PNA (+4,37%) e CSN ON (+2,31%) atraíram compras com a expectativa de estímulos da China, que começa hoje a Conferência de Trabalho Econômico Central.

Embraer ON subiu 2,51% após aprovação dos termos da joint venture com a Boeing, embora a assinatura do negócio possa ficar para Bolsonaro. O presidente Michel Temer está sendo aconselhado a ser prudente neste caso. A possibilidade de a Boeing adquirir 100% da Embraer, com a cláusula do “put option”, inspira cuidados.

Petróleo Manguinhos caiu 3,03%, após um incêndio atingir a refinaria localizada no Rio de Janeiro.

Paulo Guedes

O mercado gostou das declarações do futuro ministro da Economia em evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), onde ele assumiu um forte discurso liberal aos empresários, inclusive prometendo “meter a faca” no Sistema S.

Guedes também falou firme com os governadores, deixando claro que espera o apoio deles para a reforma da Previdência. “A cessão onerosa vai garantir dinheiro para todos, mas é preciso que os Estados ajudem”.

Sobre a proposta que o governo Bolsonaro pretende enviar ao Congresso, o ministro disse que a capitalização ficará para as “gerações futuras”. “Agora, tentaremos acertar o atual sistema (de aposentadorias)”.

Em entrevista ao Estadão, Pedro Nery, que integrou o grupo sob a coordenação dos economistas Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e Paulo Tafner, especialista em Previdência, para elaborar uma proposta da Previdência entregue a Guedes, defendeu o fatiamento da reforma.

Na opinião dele, isso poderá contribuir para dissipar a pressão de diferentes categorias contra a aprovação. O fatiamento da reforma da Previdência foi defendido por Bolsonaro e criticado ontem pelo presidente do Congresso, Rodrigo Maia, que alertou para o risco de se aprovar só a primeira etapa, já que o desgaste político será natural.

Ata do Copom

O Banco Central divulga às 8h30 a ata da última reunião do Copom, e a expectativa é de que deva dar novas indicações de que a taxa Selic pode permanecer estável por mais tempo, talvez durante todo o ano que vem.

Já o comunicado animou essa perspectiva, reduzindo as projeções da inflação para baixo das metas em 2019 e 2020 e admitindo elevado nível de ociosidade, que deu o start para um ajuste importante nos juros futuros.

Agenda

Em Brasília, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vota (14h) as regras para auxílio‐moradia do Judiciário, que será autorizado aos magistrados que moram fora de suas comarcas de origem, no valor de até R$ 4,3 mil, com previsão de reajuste anual.

No Congresso, o plenário deve votar (16h) o Orçamento de 2019, encerrando os trabalhos legislativos do ano.

Nos EUA, novos dados de moradias são esperados às 11h30. As novas construções residenciais iniciadas em novembro têm estimativa de queda de 0,7% contra outubro.

No final da tarde (17h), a Argentina informa o PIB do terceiro trimestre, que deve recuar 1,1% na margem e 4,5% anual.

Curtas

Tribunal de Contas do DF autoriza prosseguimento do processo de venda de ativos da Companhia Energética de Brasília (CEB) e participações no consórcio Cemig‐CEB.

No Rio, o TJ derrubou emenda da Alerj (17 a 5) e autorizou a venda da CEDAE pelo governo estadual.

Na MRV, a Log Commercial Properties conclui o processo de cisão e inicia a negociação de suas ações na B3. As ações da Log serão cotadas a 0,0721 para cada ação da MRV no dia 20/12. No dia seguinte (21), os papéis da MRV serão negociados a 83,71% do fechamento no dia 20.

Stone ataca mercado da Pagseguro e passa a disputar microempreendedores individuais.

Na Viver, Eduardo Ramos Canônico renuncia ao cargo de diretor presidente.

O Carrefour Brasil fará segunda emissão de debêntures no valor de R$ 900 milhões.

Na Klabin, a Capital World Investors reduz participação na companhia de 6,36% para 4,96% do total.

A Energisa anuncia reabertura de prazo de 15 dias para solicitação de conversão de ações.

A Taesa informa a compra, por R$ 942,537 milhões, de linhas de transmissão da Âmbar, energética do grupo J&F.

Foram adquiridos 100% da São João e da São Pedro, e 51% da Triângulo Mineiro e da Vale do São Bartolomeu.

Santo Antonio Energia assina reperfilamento de dívida junto ao BNDES e bancos repassadores. O acordo libera R$ 280 milhões, que eram mantidos em garantia para pagamento da dívida.

A CSN aprova emissão de debêntures de cinco anos para captar R$ 2 bilhões.

A Arezzo aprovou pagamento de juros de capital próprio de R$ 0,2309 por ação, na 6aF (21/12).

A Guararapes (Riachuelo) aprovou juros sobre capital de R$ 2,9053 por PN e de R$ 2,6412 por ON.

A Movida pagará juros sobre capital de R$ 0,14439987 por ação em 5 de abril.

 

 

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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