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Comissão especial começa a discutir hoje o parecer da reforma da Previdência, um dia antes das decisões de juros do Fed e do Copom
A véspera do anúncio da decisão de juros pelos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed) deve ser marcada pela cautela no mercado financeiro. Ainda mais diante dos ruídos políticos vindos de Brasília, neste primeiro dia de discussão do relatório da reforma da Previdência na comissão especial.
A reunião do colegiado está marcada para o período da manhã (9h). Vencido o prazo de duas sessões do pedido de vista, ontem e sexta-feira, com os líderes governistas atuando para obter a presença mínima de deputados, começa agora a etapa de debates entre os parlamentares a favor e contra a proposta de novas regras para aposentadoria.
Uma vez encerrada essa discussão, que deve se estender até a semana que vem, a fase seguinte será a votação do texto na comissão especial. A expectativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de líderes partidários é de que a tramitação do texto na Casa seja encerrada antes do recesso parlamentar, que começa em meados de julho.
Ontem, Maia deixou claro que o Congresso quer assumir a “paternidade” da agenda econômica, com os parlamentares sendo os protagonistas no avanço das reformas, enquanto o Executivo segue na estratégia de confronto, colecionando crises. Para o deputado, as críticas do ministro Paulo Guedes (Economia) “uniu” o Parlamento.
Já para o mercado financeiro, pouco importa quem irá liderar tal processo - contanto que ele avance. Mas parece cada vez mais claro que o Congresso tem noção da importância das reformas junto à sociedade e que não quer deixar o bônus dessas medidas com o governo Bolsonaro, que insiste em adotar uma postura de não negociar com o Legislativo.
Enquanto aguardam avanços no front político, os investidores também esperam por mudanças por parte do Copom. A percepção é de que os dados fracos de atividade, que vêm surpreendendo para baixo, combinados com as leituras mais favoráveis da inflação, que parou de surpreender para cima, intensificaram a chance de queda da Selic neste ano.
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As apostas são de que o ciclo de cortes da taxa básica de juros tenha início depois que a reforma da Previdência passar pelo Congresso. Mas se a proposta de novas regras para aposentadoria tiver sido encaminhada ao Senado em julho, até que caberia um corte pelo Copom já no mês que vem.
Tudo vai depender da avaliação da autoridade monetária em relação ao balanço de riscos à inflação corrente e às expectativas inflacionárias no horizonte à frente. Afinal, na ausência de uma estabilização dos dados econômicos no Brasil, que deve crescer menos de 1% neste ano, os estímulos à atividade por parte do BC podem ter impacto limitado.
O que parece preocupar mais o mercado financeiro é a questão da liquidez, uma vez que a ausência de uma recuperação econômica leva a uma tendência negativa dos ativos de risco no curto prazo, com essa pressão sendo dissipada apenas quando o país entrar na rota do crescimento sustentável. Daí, então, a alta pressão das instituições financeiras sobre o BC para ter onde alocar seus recursos, gerando rendimento.
Ainda mais quando se tem a possibilidade de o governo voltar a aumentar a contribuição social sobre lucro líquido (CSLL) dos bancos. A elevação da alíquota de 15% para 20%, que caducou em 31 de dezembro de 2018, está no projeto substitutivo da reforma da Previdência, de modo a manter a economia fiscal perto de R$ 1 trilhão em dez anos.
Mas o BC brasileiro não é o único a enfrentar esse dilema entre o mercado financeiro e a economia real. Outros grandes bancos centrais do mundo também se sentem pressionados a se posicionar como o principal responsável para garantir o bem-estar econômico e financeiro, sem colocar em risco a própria credibilidade.
Sem dúvida, o mais pressionado é o Federal Reserve, que vem sendo coagido até mesmo pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Por isso, é grande a expectativa por uma postura mais suave (“dovish”) por parte da autoridade monetária na condução da taxa de juros, sinalizando que o ciclo de cortes está próximo.
Contudo, o Fed pode optar por se resguardar, mostrando a dificuldade em alterar o curso da política monetária, em meio às incertezas enfrentadas pelos principais bancos centrais, relacionadas à inflação e ao crescimento econômico. Caso o Fed decida sinalizar um caminho mais claro para reduzir os juros, as questões são quanto, quando e por quê.
À espera dessas respostas, os mercados internacionais não exibem uma direção única. Na Ásia, Hong Kong subiu (+0,9%), mas Tóquio caiu (-0,7%), enquanto Xangai ficou de lado (+0,1%), após uma sessão lateral em Wall Street ontem. Nesta manhã, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram com leves baixas, prejudicando o pregão europeu.
Nos demais mercados, o petróleo cai um pouco mais, aproximando-se da faixa de US$ 50 por barril, enquanto o dólar mede forças em relação às moedas rivais, ganhando terreno do euro e do iene. Nos bônus, o rendimento (yield) do título norte-americano de 10 anos (T-note) oscila ao redor de 2,05%.
A agenda econômica desta terça-feira não traz nenhuma divulgação importante. No Brasil, sai uma leitura parcial deste mês do IGP-M (8h), enquanto no exterior, serão conhecidos dados do setor imobiliário norte-americano (9h30), além de índices sobre o sentimento econômico e a inflação ao consumidor na zona do euro, logo cedo.
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