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Atividade na indústria chinesa se recupera em março e anima os ativos de risco
A atividade na indústria chinesa se recuperou fortemente em março, sugerindo que as recentes medidas de estímulo em Pequim estão ganhando tração, o que anima o mercado financeiro e indica um início otimista entre os ativos de riscos neste novo trimestre. E esse desempenho positivo no exterior deve animar o pregão doméstico.
As principais bolsas na Ásia tiveram alta firme, com os ganhos liderados por Xangai (+2,6%) e Hong Kong (+1,7%), após o índice oficial dos gerente de compras (PMI) do setor industrial chinês subir ao maior nível em seis meses, a 50,5 no mês passado, de 49,2 em fevereiro. O resultado ficou bem acima do esperado (49,5).
A abertura do dado mostra melhora da atividade na China, com uma retomada das fábricas em quase todos os subíndices, desde novos pedidos até a produção final. Os números sugerem uma estabilização além dos efeitos sazonais e após os esforços do governo chinês para aumentar o crédito, cortar impostos e fornecer outras medidas de estímulo.
Já o PMI oficial do setor de serviços subiu a 54,8 em março, de 54,3 em fevereiro, em meio à aceleração da construção civil. Os dados do Caixin, que rastreiam os pequenos fabricantes privados, confirmaram essa recuperação da atividade industrial para o território expansionista, pela primeira vez em quatro meses, a 50,8, de 49,9, no mesmo período.
Esses números foram encorajadores e acalmaram as preocupações com a segunda maior economia do mundo, embalando também os índices futuros das bolsas de Nova York, que exibem forte avanço. As bolsas europeias também abriram o primeiro pregão de abril no azul, apesar do PMI industrial na zona do euro atingir o menor nível desde 2013.
Nos demais mercados, os dados chinês dão sustentação aos ativos de risco, em especial aos de países emergentes e mais dependentes da demanda chinesa. O petróleo WTI flerta com a marca de US$ 60 por barril, ao passo que os metais básicos avançam. O dólar cai ante as moedas correlacionadas às commodities.
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Esse movimento lá fora tende a favorecer os negócios no Brasil, onde se abre uma janela de oportunidades para os ativos financeiros - se a política do governo Bolsonaro ajudar.
O mês de abril começa com as expectativas do mercado doméstico renovadas em torno da reforma da Previdência. Mas os investidores estão com os pés no chão e sabem que é preciso mais do que boas intenções para a proposta de novas regras para aposentadoria andar no Congresso.
Após a trégua selada entre os poderes, o noticiário político vai continuar ditando o rumo dos negócios locais, com o radar concentrado em Brasília. O destaque fica para a participação do ministro Paulo Guedes (Economia) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, na quarta-feira.
Desta vez, Guedes deve comparecer à sessão e a expectativa é de que ele defenda as mudanças na Previdência, pavimentando um caminho para que a reforma volte aos trilhos, em direção à aprovação final. O ministro assumiu a articulação no Congresso a favor da Previdência, ficando na linha de frente, ao lado do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil).
O problema é que o próprio Guedes foi uma das fontes de ruído na mais recente crise política, após não comparecer na sessão da semana passada na CCJ. Com isso, não se sabe como será a recepção a ele agora. O ministro tampouco tem um perfil pacificador e carece de habilidade política para lidar com os egos e ânimos dos parlamentares.
Portanto, o clima em Brasília ainda pode trazer ventos contrários, provocando turbulência no mercado doméstico. Em contrapartida, se a reforma da Previdência começar a navegar em águas tranquilas, os ativos locais buscar os níveis de duas semanas atrás, com o Ibovespa flertando a marca dos 100 mil pontos e o dólar se aproximando da faixa de R$ 3,70.
Como acontece tradicionalmente na primeira sexta-feira de cada mês, o destaque da agenda econômica desta semana fica com o relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. E a expectativa é de que o chamado payroll comece a perder engrenagem na geração de vagas, em meio ao ritmo menor da economia norte-americana.
Com isso, a previsão é de que a abertura de postos de trabalho nos EUA caia para a faixa de 150 mil, depois de meses orbitando ao redor de 200 mil vagas ao mês. Na quarta-feira, sai o relatório sobre o emprego no setor privado do país. Antes dos dados de emprego nos EUA, merecem atenção os indicadores sobre a atividade econômica no Brasil e no mundo.
Os números da indústria brasileira serão conhecidos amanhã. Também merece atenção os indicadores da Anfavea sobre a indústria automotiva em março, na quinta-feira. Nos EUA, também serão conhecidos dados de atividade. Às 11 horas, é a vez do índice ISM sobre a indústria. Na quarta-feira, sai o desempenho do setor de serviços no mês passado.
Esses indicadores devem podem lançar luz sobre ritmo da atividade global no primeiro trimestre deste ano. Também merece atenção uma nova rodada de negociações entre EUA e China. O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, embarca com uma delegação para Washington nesta semana, em busca de avanços na questão comercial.
Os convidados do Market Makers desta semana são Axel Blikstad, CFA e fundador da BLP Crypto, e Guilherme Giserman, manager de global equities no Itaú Asset
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