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Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco) e “Abandonado” (Geração).
Ações

Lanterninhas do Ibovespa foram destaque de alta na bolsa em janeiro

Enquanto o principal índice da bolsa subiu 10,8%, ações de empresas como Cielo, Via Varejo e Kroton tiveram uma valorização que chegou a 37% no primeiro mês do ano

4 de fevereiro de 2019
15:09 - atualizado às 16:39
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Quem investiu nas ações que mais caíram no ano passado apostando em uma recuperação se deu bem. As “lanterninhas” do Ibovespa estiveram entre os destaques da bolsa em janeiro.

Enquanto o principal índice da bolsa subiu 10,8%, ações de empresas como Cielo, Via Varejo e Kroton tiveram uma valorização que chegou a 37% no primeiro mês do ano. Nada mal para quem amargou perdas que, no caso da Cielo, chegaram a mais da metade do valor de mercado no ano passado.

Eu conversei com alguns gestores de fundos para entender o que está por trás da alta recente e, principalmente, se ainda há espaço para ganhos.

Em comum a todas as empresas está o otimismo que tomou conta do mercado de ações neste início de governo Jair Bolsonaro. Em outras palavras, essas companhias são beneficiadas em momentos de maior apetite ao risco, como aconteceu em janeiro.

Mas os investidores também enxergaram uma melhora nos fundamentos das empresas, ou pelo menos uma promessa, depois de uma sequência de resultados ruins e piora no cenário competitivo. Ou seja, há espaço para as ações subirem mais conforme as perspectivas se confirmarem.

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Via Varejo sobe com um velho conhecido

Depois de perder quase 45% do valor no ano passado em meio a uma sequência de balanços ruins e incerteza sobre o futuro, a dona da Casas Bahia e Ponto Frio voltou ao radar dos investidores, com uma alta de 35,8% em janeiro.

Foram três os gatilhos para a melhora, segundo os gestores com quem eu conversei. O primeiro foi a volta de Peter Estermann ao comando da varejista, anunciada no fim do ano passado.

Outro fator para a valorização recente tem relação com a perspectiva de retomada da economia, que tende a melhorar os resultados futuros da Via Varejo.

Por fim, depois da forte queda, as ações ficaram ainda mais baratos na comparação com concorrentes, como B2W e Magazine Luiza.

“A empresa está super ‘amassada’, mas tem um potencial de lucros grandes com a melhora da economia”, me disse um gestor.

Apesar das boas perspectivas, o futuro da companhia ainda é incerto, o que pode pesar sobre as ações. O Grupo Pão de Açúcar já anunciou que vai se desfazer da Via Varejo e, na falta de compradores, começou a vender as ações diretamente na bolsa.

Cielo menos nublado

Poucos apostariam que as ações da Cielo estariam entre as maiores altas do Ibovespa no mês passado depois da queda de quase 60% no ano passado. Foi a maior entre as ações que compõem o Ibovespa.

Pressionada por um cenário de competição cada vez mais agressivo, a empresa decidiu entrar na guerra das maquininhas de cartão para manter a liderança nesse mercado. Isso significa que vai abrir mão das margens de lucro reduzindo os preços e gastando mais em marketing e em força de vendas.

Junto com o balanço de 2018, divulgado na semana passada, a Cielo fez algo pouco usual e deu ao mercado as projeções de lucro para este ano. A expectativa é que o resultado fique entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões. Ou seja, na melhor das hipóteses, a empresa espera uma redução de 21% do resultado.

Aparentemente, o mercado pintava um quadro ainda pior para a companhia. Tanto que as ações subiram 35% no mês passado, e continuaram em alta mesmo depois dos números do balanço.

"O mercado gostou da proposta da nova gestão da Cielo de atacar a concorrência", me disse o sócio de uma gestora.

Para ele, o desempenho das ações da empresa daqui para frente dependerá do cumprimento da promessa da empresa de defender sua posição e tentar recuperar os resultados a partir dos ganhos de escala.

Somos Kroton

Outrora galinha dos ovos de ouro, o setor de educação virou patinho feio na bolsa. E a Kroton foram as que mais sentiram a mudança da maré. As ações da companhia perderam metade do valor de mercado ao longo do ano passado, a segunda maior entre os papéis que compõem o Ibovespa.

As ações aceleraram os ganhos depois de uma reunião promovida pela empresa com analistas e investidores e acumularam alta de 28,9% em janeiro. O que animou os investidores foram as perspectivas dadas pela direção da empresa comandada por Rodrigo Galindo, em uma reunião com investidores realizada no dia 23.

Ao mesmo tempo em que procura reduzir a dependência de programas como o Fies, a Kroton anunciou que espera um aumento de até 5% na geração de caixa neste ano, com a manutenção na base de alunos e aumento nos preços. A Kroton ainda deu projeções pra lá de otimistas para a Somos Educação, adquirida no ano passado por R$ 4,6 bilhões.

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