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Não residente virou a mão e tem posição vendida de US$ 2,3 bilhões em dólar futuro
O último pregão de 2018 mostrou uma importante mudança de posição do investidor estrangeiro no mercado de dólar futuro. Depois de passar praticamente o ano todo com aposta na alta do dólar, o gringo está vendido em US$ 2,3 bilhões.
Essa “virada de mão” começou no meio do mês e se consolidou no pregão do dia 28 de dezembro. Em 13 de dezembro, por exemplo, a posição comprada em dólar futuro era de US$ 7,8 bilhões.
São essas movimentações na B3 que determinam a formação de preço do dólar. É lá que comprados, que ganham com a alta do dólar, e vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.
Se o não residente seguir ampliando a posição vendida há chance de queda mais consistente na cotação do dólar, que fechou 2018 em R$ 3,8755, acumulando alta de 17% no ano.
Na ponta de compra estão os bancos, que fecharam o ano com US$ 12,4 bilhões em contratos de dólar futuro. Parte da compra de dólares pelos bancos pode ser creditada às operações que o Banco Central (BC) conduziu no mercado à vista. Os leilões de linha feitos pelo BC para dar saída aos investidores no mercado físico são intermediados pelos bancos, que repassam os dólares aos seus clientes e precisam proteger essa exposição à vista no mercado futuro.
No mercado à vista, por exemplo, a posição vendida dos bancos está na casa dos US$ 20 bilhões, maior desde março.
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No mercado futuro, além dos contratos de dólar outra forma de exposição envolve o cupom cambial (DDI, juro em dólar no mercado local). Considerando esses contratos e os contratos de dólar, os estrangeiros seguem com uma posição líquida comprada de US$ 31,9 bilhões, sendo US$ 34,2 bilhões em cupom cambial descontados dos US$ 2,285 bilhões vendidos em dólar futuro. Essa posição é a menor desde o começo de setembro e está US$ 9,8 bilhões menor que o recorde de US$ 41,7 bilhões do dia 10 de dezembro.
Já os bancos apresentam uma posição líquida vendida de US$ 7,23 bilhões, que reflete um estoque vendido de US$ 19,6 bilhões em cupom cambial descontado do estoque comprado de US$ 12,4 bilhões em dólar futuro.
Outro grande player desse mercado é o investidor institucional (fundos de investimento), que mantem firme posição vendida de US$ 26,5 bilhões, sendo US$ 15,8 bilhões em cupom cambial e US$ 10,7 bilhões em dólar futuro. Os fundos não mostraram grande variação de posição ao longo de dezembro.
A avaliação de ganhadores e perdedores nesse mercado é sempre feita em tese, pois não sabemos a que preço as posições foram montadas e se esses agentes possuem exposição ao dólar no mercado à vista e de balcão.
No pregão de quarta-feira, dia 2 de janeiro, o Banco Central dará início à rolagem dos swaps cambiais que vencem em fevereiro e somam US$ 13,4 bilhões.
As operações de rolagem terão início com a oferta de até 13,4 mil contratos distribuídos entre maio, julho e novembro de 2019. Mantido o ritmo a rolagem será integral.
Quando o BC promove a rolagem integral dos contratos de swaps ele se mantém “neutro” no mercado, sem alterar o atual estoque de US$ 68,9 bilhões. Se a opção fosse por não realizar a rolagem ou mesmo pela rolagem parcial, o efeito líquido no mercado seria de compra de dólares no mercado futuro.
O swap é um derivativo que relaciona a variação cambial com a taxa de juros em determinado período de tempo. Ele é engenhoso pois é capaz de prover proteção cambial aos agentes de mercado com toda sua liquidação acontecendo em reais. Não se gasta um centavo das reservas internacionais.
No mercado de índice futuro do Ibovespa, principal índice de ações da B3, a troca de posições foi pouco expressiva. Desde meados de outubro temos o não residente vendido e os fundos de investimento comprados.
No pregão de sexta-feira, a posição vendida do gringo era de 143.789 contratos, contra 119.528 no fim de novembro. Os fundos estavam comprados em 131.223 contratos em comparação com 115.614 contratos em 30 de novembro.
Uma forma de ler as posições no Ibovespa futuro é como uma proteção (hedge) às oscilações no mercado à vista. Por exemplo. O investidor está comprado em bolsa no mercado à vista e vai proteger essa exposição no mercado futuro vendendo contratos de Ibovespa.
No entanto, o mercado também opera o Ibovespa futuro com um ativo em si. Podendo montar apostas de alta (comprado) ou de queda (vendido) no Ibovespa.
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