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Com negociação de ações e renda fixa sem taxas, banco digital entra na disputa pelos seus investimentos, mas não quer virar “supermercado financeiro”
Depois de conquistar mais de 1 milhão de clientes ao oferecer uma conta digital sem tarifas, o Banco Inter entrou na disputa pelos seus investimentos.
Eu estive hoje de manhã na cerimônia que marcou o lançamento da plataforma. O evento ocorreu na sede da B3, o mesmo palco da abertura de capital do Inter, apenas oito meses atrás. De lá para cá, as ações da instituição mais que dobraram de valor na bolsa.
A plataforma ligada ao aplicativo da conta digital vai seguir a filosofia que, segundo o presidente do Banco Inter, João Vitor Menin, tem garantido o sucesso do banco: gratuidade, experiência digital e um catálogo completo.
O Inter já oferecia produtos de investimento, mas quer justamente melhorar essa experiência com o lançamento da plataforma, que já nasce com uma base de 100 mil clientes.
Mas, se é gratuito, como o Inter vai ganhar dinheiro com a plataforma? Menin diz que o lançamento se insere no terceiro ponto da estratégia, que é ter na prateleira uma oferta completa de produtos financeiros e gerar receita a partir dessa relação.
"A gente quer que o nosso cliente seja interdependente", disse Menin, em uma alusão ao nome do banco.
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Confira, então, as principais novidades anunciadas hoje:
O sistema de negociação de ações é a "cereja do bolo" da plataforma do Banco Inter, segundo Menin. Ele confirmou o que já havia antecipado em entrevista para o Seu Dinheiro: não haverá cobrança de taxas de corretagem nas negociações.
Além de ações, o sistema vai oferecer a compra e venda de opções, fundos imobiliários e títulos públicos (Tesouro Direto).
Menin diz que o foco do home broker do Banco Inter não será naquele negociador ativo de bolsa (trader), mas naquele investidor que olha a renda variável como uma forma de construção de patrimônio.
Por enquanto, o sistema de negociação está disponível apenas para um grupo limitado de clientes, mas a ideia é abrir a negociação para toda a base até o fim deste mês.
A plataforma também vai permitir o investimento em planos de previdência privada (PGBL e VGBL). O banco diz que é o primeiro a oferecer a possibilidade de contratação 100% digital. A oferta de produtos de previdência acontecerá em parceria com a Icatu Seguros.
Ao contrário das corretoras líderes no mercado, como a XP Investimentos, a plataforma do Banco Inter não vai contar com a figura do agente autônomo. Ou seja, as aplicações serão feitas diretamente pelo cliente, sem a intermediação de um profissional responsável por apresentar os produtos.
Essa desintermediação reduz os custos do processo, o que permite ao banco oferecer os serviços de forma gratuita, além de evitar potenciais conflitos de interesse, segundo Rafael Alves Rodrigues, diretor de investimentos do Inter.
O Banco Inter também se afasta do modelo XP ao limitar a quantidade de produtos de investimento disponíveis na prateleira. A grade contará com 20 a 25 fundos, mas com uma gama diversificada de estratégias, selecionadas por um comitê do banco, de acordo com o diretor.
A aposta é que essa estrutura mais enxuta também facilite a escolha das aplicações sem a necessidade de um agente autônomo.

Como diz o nome Plataforma Aberta Inter (PAI), o investidor encontrará no aplicativo opções de investimento não só do banco como de outras instituições financeiras. Além de comprar produtos como letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) e debêntures, o cliente poderá usar a plataforma para vender os títulos, caso precise de liquidez antes do vencimento.
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