Menu
2019-05-07T18:38:42+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Previdência

Comissão Especial: Hoje foi monótono, amanhã deve esquentar

Paulo Guedes deve comparecer amanhã à Câmara. Deputado pede para que ele não seja xingado e colega recomenda suco de maracujá ao ministro. Audiências públicas são um desfile do lobby

7 de maio de 2019
18:13 - atualizado às 18:38
Paulo Guedes na CCJ
O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debate a reforma da Previdência. - Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Comissão Especial que avalia a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados teve uma sessão monótona com apresentação de plano de trabalho e votação de requerimentos para determinar os convidados das audiências públicas. Mas a coisa deve esquentar amanhã, quarta-feira, com a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a sessão foi encarrada depois de um entrevero entre Guedes e o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), que disse que o ministro era “Tigrão” contra aposentados, mas “Tchuthcuca” quando trata com os privilegiados.

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) pediu para que o ministro não fosse xingado e conseguisse falar. Em resposta, o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) falou que o ministro é que tinha faltado com respeito e sugeriu que ele tomasse um suco de maracujá antes da audiência.

Desfile do lobby

A ida de Paulo Guedes e das demais dezenas de convidados é fator determinante para obtenção ou perda de votos para aprovação da reforma?

Indo direto ao ponto, creio que não. A ida do ministro tem sua relevância para defender os pontos do governo e apresentar dados para a população e não para os deputados, que apesar de pedirem um caminhão de informações, muitos querem apenas alguns números para fazer distorções ou discursar para determinados grupos de interesse.

As audiências de públicas são um desfile do lobby a favor e contra qualquer proposta que esteja em discussão. É o natural trabalho dos diferentes grupos de interesse em manter ou conquistar um pedaço do Orçamento público para chamar de seu. A conta? Oras, a conta é da viúva!

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Há um sem número de associações, confederações, sindicatos e centrais que desfilarão igualdades, desigualdades justificáveis, diferenças já reconhecidas em lei e muita indignação e defesa do "pobre" e qualquer outra “categoria”.

São as minorias organizadas que tomam conta do Orçamento Público e isso funciona, pois eles têm incentivos para se unirem e atuarem, enquanto a maioria, embora prejudicada, não tem os incentivos para se impor.

Um exemplo. Um grupo de professores, juízes, ou determinado grupo industrial, tem todos os incentivos para se reunir em associações, cobrar de seus membros, financiar políticos, advogados estudos e outros materiais para defender seus interesses.

Enquanto a maioria está dispersa e sem incentivos ou mesmo pensando que “alguém não vai deixar isso acontecer”. A lógica aqui é a dos benefícios concentrados e custos difusos. Algo estudado na economia e na política (referência aqui à Mancur Olson).

O que importa é a política

Assim sendo, os deputados que representam determinado grupo só aprovarão uma reforma da Previdência (ou qualquer outro projeto) desde que ela não represente perda de votos e apoio entre seus representados. Ou que a eventual “maldade” de hoje seja compensada em algum tipo de "benesse" amanhã.

Aqui é que entra o papel da política, da negociação, da barganha, do famigerado “toma lá, dá cá” no difícil trabalho de construir maiorias. Os projetos do Executivo podem até visar um “bem maior”, mas isso não move a política.

De volta à Comissão Especial, os acalorados debates públicos e depois as infindáveis discussões da matéria serão um importante termômetro da capacidade do governo em fazer política.

Quanto mais tempo essas discussões tomarem, menor é o número de votos que o governo tem para levar a matéria ao plenário. O mesmo vale para a desidratação da reforma, ou quanto vai sobrar da ideia inicial de economizar R$ 1,2 trilhão em dez anos.

O relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) propôs dez audiências públicas abrangendo diferentes temas ao longo de maio e discussão da matéria em junho. A oposição quer alongar para 15 ou mais audiências, além de fazer eventos nos Estados e convocar uma audiência internacional.

Com isso, foco nos prazos e nas declarações dos deputados e lideranças dos partidos de centro, pois é ali que estão os votos.

A oposição vai fazer seu papel de tentar atrapalhar ao máximo, pois não tem votos. Mas está sempre disponível a se aliar ao mesmo centro, que derrotaria o governo para mostrar sua insatisfação com a política.

É a velha máxima Getulista segundo a qual: se ninguém é tão amigo que não possa virar inimigo, também não existem inimigos que não possam ser convertidos em amigos.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

o novo sempre vem

Novo Mercado, nível 1 ou 2: Diga-me a governança da ação e eu te digo quais são os direitos do investidor

Segmento da B3 estabeleceu maior nível de governança entre as empresas e amenizou conflitos entre minoritários e controladores; são hoje 142 empresas no Novo Mercado

De olhos bem abertos

Dez bancos serão investigados por supostos abusos na oferta de consignado a idoso

As empresas têm dez dias para apresentar defesa e, posteriormente, se confirmados os indícios de infração, poderão ser multadas em até R$ 9,7 milhões. As notificações estão formalizadas no Diário Oficial da União (DOU) em despachos do DPDC, órgão da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Seu Dinheiro na sua noite

E o Oscar vai para…

As histórias que mexeram com seus investimentos hoje

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: O FGTS no centro das discussões, os planos da Oi e os balanços dos bancos

Seu Dinheiro traz o cenário esperado para bolsa, renda fixa, imóveis, fundos imobiliários, criptomoedas e câmbio

De olho na Ásia

AB Inbev, de Jorge Paulo Lemann, vende filial australiana e quer retomar IPO na Ásia

Depois de desistir de vender uma participação de 15% em suas operações na Ásia e Austrália na semana passada, a companhia pode fazer uma nova tentativa de oferta inicial de seus negócios asiáticos para reduzir o seu endividamento

Novo negócio

BTG Pactual reforça atuação no varejo com compra de 80% da plataforma de investimento da Ourinvest

Banco manterá a Ourinvest como empresa independente do BTG Pactual digital, plataforma de investimentos voltada para o público de varejo

Balanço surpreendente

Sabe quem é a bola da vez no mercado americano? A boa e velha Microsoft

A Microsoft reportou resultados trimestrais fortes e, com isso, suas ações atingiram uma nova máxima histórica. E analistas veem mais espaço para as ações da empresa fundada por Bill Gates continuarem subindo

Com pouco apetite para consumir

Intenção de consumo das famílias recua 1,7% em julho, na 5ª queda consecutiva

“O consumidor segue cauteloso, condicionado pelo nível de endividamento e pelo mercado de trabalho, em que o desemprego vai se mostrando persistente”, avalia o presidente da CNC, José Roberto Tadros em nota

Vish!

Decisão de Toffoli pode travar 6 mil inquéritos e ações contra facções e tráfico

Entre janeiro de 2014 e junho de 2019, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, braço do Ministério da Economia, produziu 1.586 Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) sobre organizações, inclusive as que controlam presídios

promessa

Usando tecnologia e patriotismo, vamos prestar serviços para o Estado, diz novo presidente do BNDES

Segundo Gustava Montezano, a ideia é assessorar governos a fazerem privatizações, concessões ao setor privado e reestruturações financeiras. 

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements