Centrais sindicais fazem greve contra a reforma da Previdência
Em São Paulo, a grande dúvida ontem era sobre a adesão das categorias ligadas ao setor de transporte, já que são elas que, efetivamente, determinam o sucesso ou não de uma greve geral; há bloqueios em avenidas da cidade pela manhã e paralisação até em refinarias da Petrobras; assunto movimenta o Twitter

A reforma da Previdência deu mais alguns passos nesta quinta-feira no Congresso, mas as ruas hoje apresentam obstáculos. Centrais sindicais fazem nesta sexta-feira, 14, uma “greve geral” justamente contra o projeto do governo.
Em São Paulo, a grande dúvida ontem era sobre a adesão das categorias ligadas ao setor de transporte, já que são elas que, efetivamente, determinam o sucesso ou não de uma greve geral. Inicialmente, os sindicatos dos funcionários do Metrô, da CPTM (trens metropolitanos) e ônibus anunciaram adesão total à paralisação.
Mas decisões judiciais determinaram que os serviços deveriam continuar sendo oferecidos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos (SMT), a Justiça determinou que o Metrô mantenha 100% do quadro de funcionários nos horários de pico e 80% no restante do dia e, na CPTM, 100% do quadro de servidores em todo o horário de operação.
A São Paulo Transportes (SPTrans, que cuida dos ônibus) também conseguiu uma decisão judicial que determina a manutenção do serviço. Em nota, afirmou que houve determinação para “que se mantenha o serviço, em especial nos horários de pico entre 5 horas e 9 horas e entre 17 horas e 20 horas, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia, no caso de descumprimento”. A liminar, porém, não especifica a porcentagem da frota que deve funcionar nos horários de maior circulação.
As empresas ViaQuatro e ViaMobilidade, concessionárias responsáveis pela operação e manutenção das linhas 4-Amarela e 5-Lilás, respectivamente informaram em nota que suas operações para hoje permanecem inalteradas.
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A prefeitura de São Paulo chegou a anunciar, à tarde, que o rodízio de veículos seria cancelado hoje, mas depois voltou atrás na decisão.
Nas escolas, os sindicatos dos professores das redes de ensino municipal, estadual e particular decidiram aderir ao movimento. Ao menos 33 colégios particulares de São Paulo devem ter as atividades suspensas ou interrompidas parcialmente nesta sexta-feira.
Na área de saúde, as secretarias municipal e estadual disseram que não haverá nenhuma alteração de funcionamento por causa da greve convocada para hoje.
Bloqueios em São Paulo
Os protestos interditam algumas avenidas da cidade de São Paulo na manhã desta sexta-feira, 14. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), manifestantes interditaram a Avenida Vinte e Três de Maio, em ambos os sentidos, junto a Praça das Bandeiras, na região central. Por volta das 8h15, a via foi liberada.
A avenida Sapopemba, na zona leste, no sentido centro, também sofre bloqueios. Na zona oeste, manifestantes interditam a Rua Alvarenga em ambos os sentidos, junto a Avenida Vital Brasil. O acesso ao Minhocão, sentido Penha, estava totalmente bloqueado às 8h30.
A pista expressa da rodovia Anhanguera, no sentido São Paulo, estava totalmente bloqueada na altura de Campinas, entre os quilômetros 107 e 98. Cerca de 30 manifestantes caminhavam pelo acostamento da rodovia Régis Bittencourt na altura do Km 271, sentido São Paulo, em direção ao km 269.
Por volta das 6h, manifestantes atearam fogo em pneus no início da rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao aeroporto internacional de São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da rodovia, os manifestantes lançaram os pneus, atearam fogo e saíram do local.
Um grupo de manifestantes do Sindicato dos Eletricistas interditou uma faixa da Avenida Tiradentes, no sentido centro. O grupo caminhava em direção ao INSS, na região central de São Paulo.
Greve atinge nove refinarias da Petrobras, diz federação
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), os petroleiros do Sistema Petrobras nas bases da federação também começaram uma greve na madrugada desta sexta-feira. O grupo cortou a rendição nos turnos de nove refinarias, em oito Estados.
Nos primeiros informes sobre o movimento, os ônibus que traziam os empregados para render os turnos já chegaram vazios em algumas unidades.
A Petrobras ainda não tinha um informe disponível sobre a paralisação. Na quinta-feira, 13, procurada pela reportagem, a estatal havia informado que iria "tomar todas as medidas para garantir a manutenção da produção de petróleo e gás, bem como o abastecimento do mercado de derivados".
Enquanto isso, no Twitter...
A greve geral é o assunto mais comentado do Twitter no Brasil na manhã desta sexta-feira. Os internautas que se opõe a greve dominam o debate até agora, com a hashtag "Dia 14 Brasil Trabalha" em primeiro lugar, e #GreveGeral em segundo. Há ainda uma terceira hashtag, #DemitaUmGrevista, que sugere, em tom de ironia, que as empresas "troquem um grevista por um desempregado".
Aqueles que se colocam contrários à greve postam fotos nos seus locais de trabalho, criticam quem aderiu ao movimento e ironizam o tamanho das paralisações no País até agora, principalmente na cidade de São Paulo.
Apoiadores, por outro lado, compartilham a cobertura jornalística da greve geral e se posicionam contra a reforma da Previdência e o contingenciamento nas verbas da educação.
Os parlamentares da oposição compartilham imagens das paralisações nas capitais brasileiras e convidam a população a participar da greve. O líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Paulo Pimenta, é um dos mais assíduos na rede social, afirmando que "greve não causa caos, o caos é que causa a greve".
Já os políticos da base do governo sobem o tom contra os manifestantes e chamam de "atos terroristas" as paralisações ao redor do País. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse que "há poucas dúzias de pelegos atrapalhando milhões de cidadãos que querem trabalhar".
*Com Estadão Conteúdo
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