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O deputado vestiu a camisa de defensor da Previdência, abriu mão da vaga que ocupava na Comissão da Cultura e se aproximou do secretário adjunto de Previdência
Enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, explicava em seu gabinete os pontos da reforma da Previdência para a bancada do PSL, um deputado federal chamava a atenção da equipe econômica pelas perguntas e muitas anotações.
Parlamentar de primeiro mandato e neófito na política, o ex-ator Alexandre Frota (PSL-SP) ouvia atentamente as explicações e questionava o que seria essa tal de "capitalização" da Previdência que todos falavam.
Inconformado com o termo "difícil", conseguiu arrancar de Guedes uma explicação que acabou por rebatizar o programa: "é uma poupança garantida". "Essa linguagem é mais popular, de fácil comunicação e boa de rua, de esquina", sugeriu, naquele dia 2 de abril. Guedes passaria a usar o termo dali em diante.
Frota, vice-líder do PSL, vestiu a camisa de defensor da Previdência. Para participar da Comissão Especial que vai alterar as regras de aposentadoria, abriu mão da vaga que ocupava na Comissão da Cultura. "Tive de me afastar", lamentou, frisando querer "dedicação exclusiva" para aprovar as mudanças na Previdência.
Frota acompanha diariamente as divulgações sobre o tema pelo grupo de WhatsApp que mantém com a equipe econômica e a bancada do PSL.
Também se aproximou do secretário adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, com quem traça estratégias de atuação no Congresso. A mais recente delas - baseada em tática de futebol americano com marcação "homem a homem" - mirou blindar Guedes de ataques da oposição durante audiência na Câmara.
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"Frota atuou como um verdadeiro gladiador e nos ajudou a manter a calma na comissão", disse o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO).
Coordenador da comissão especial da Previdência, Frota fez até mesmo a escolta do ministro até o banheiro quando ele saiu do plenário nos intervalos da audiência. A atuação de marcador do PSL lhe rendeu apelido de "coach".
A preparação é conquistada diariamente. Isso porque antes de "entrar" para a política, o carioca se aventurou por diversas carreiras: ator de filme pornô, diretor, modelo, comediante, jogador de futebol americano e até participou do reality show A Fazenda.
"Acordo às 4h30, ando no Parque da Cidade, tomo café, tomo banho e sou um dos primeiros a chegar na Câmara. Marco todas as minhas reuniões e visitas pela manhã, procuro me inscrever em tudo que posso, às 10h, tenho reunião, geralmente, com os técnicos do PSL e do governo para discutir pautas. Tento estar sempre preparado", disse.
Esse desempenho o fez perceber a oportunidade de ganhar a confiança de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao garantir apoio do PSL para sua recondução à presidência da Câmara. À época, Maia reconheceu a articulação do ex-ator por ter dialogado com Guedes e com o presidente da sigla, Luciano Bivar (PSL-PE).
Assim como aumentou o número de amigos no Parlamento, também conquistou inimizades. Foi apontado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, como um político inexperiente e que "quer nomear todo mundo" na pasta. Questionado, admitiu ter indicado nomes para as seis secretarias da Cultura. Emplacou três. "Os outros, ele não aceitou".
Frota tem nas redes sociais um trunfo: possui 1,1 milhão de seguidores no Facebook, 163,4 mil no Twitter, e 149 mil no Instagram. Divulga por elas suas movimentações parlamentares.
Em fevereiro, ganhou destaque quando veio à tona a nomeação do amigo e personal trainer Jean Carlos Pereira Nunes como secretário parlamentar do seu gabinete, com um salário bruto de R$ 6,6 mil.
Ele não viu problema na nomeação. "Pior seria colocar alguém da família, que não é o caso, ou que não reunisse as condições para me ajudar. Trabalha de segunda a sexta. Tenho certeza de que não vai correr com dólar na cueca ou com malinha de R$ 500 mil", disse.
De posições firmes e polêmicas, Frota também enfrenta resistência de colegas na Casa. "Ainda tem muito a aprender", diz um líder mais experiente, que pediu anonimato. Indagado sobre a inexperiência, Frota não se intimida.
"Tenho maturidade, com 55 anos de idade. Acho que vou caminhar bem. Tenho essa casca grossa para aguentar a turbulência."
Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.
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