Alcolumbre diz que Congresso já tem votos para aprovar a Previdência
Senador falou que o processo todo deve ser concluído após o recesso parlamentar; expectativa é que a Câmara finalize a sua parte antes das férias de julho; senado retoma a discussão em agosto

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), calcula que os votos para aprovar a reforma da Previdência estão garantidos na Câmara e no Senado.
Ele disse que o processo todo deve ser concluído após o recesso parlamentar. A expectativa é que a Câmara finalize a sua parte antes das férias de julho, que começam dia 18. O Senado retoma a discussão em agosto e deve encerrar a votação em 60 dias.
Para o senador é muito pequena a chance de a Casa interromper o recesso para discutir o tema. "A Câmara já tem os 308 votos. No Senado, tem ampla maioria", disse Alcolumbre em jantar promovido nesta segunda-feira, 24, pelo jornal digital Poder360.
'Banqueiro ganha muito'
Alcolumbre disse que o trecho da reforma que aumenta a alíquota dos bancos deve ser mantido no Senado. "Banqueiro ganha muito", justificou.
O relator da proposta na comissão especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), teve de recorrer à alta de tributos dos bancos para compensar perdas com outras alterações no projeto.
A conta adicional aos bancos prevê a elevação de 15% para 20% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o que vai engordar os cofres do governo em R$ 5 bilhões por ano.
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Não por causa do governo
O senador ressaltou que a aprovação da reforma não será resultado da articulação política do governo, mas do consenso de que a medida é necessária para a retomada do crescimento econômico.
Tanto que sua aposta é que, após a votação, o governo terá dificuldades para aprovar sua agenda. Para ele, a presença do citou que a venda dos Correios, por exemplo, é um dos temas que "dificilmente" passa no Congresso. Na semana passada, Bolsonaro demitiu o presidente dos Correios por trabalhar contra seu projeto de privatização da empresa.
A retaliação ao governo é uma resposta à forma como o Planalto trata o Congresso. Alcolumbre diz que deputados e senadores não podem ser acusados de "toma lá, dá cá" por pedirem recursos para a construção de uma praça ou um hospital em suas bases eleitorais. Enquanto o governo não descobrir como quer se relacionar com o Congresso, afirma ele, o cada um por si vai se manter. "Nesse modelo, a gente não sabe quantos votos o governo tem", disse o senador.
O Parlamento também não aceita, afirmou Alcolumbre, que membros do Executivo, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, usem as redes sociais para criminalizar o Congresso. "Todo dia tem uma novidade e me pedem para que eu faça uma nota rebatendo. Se cancelarem cinco pacotes de dados de Twitter, a política melhora", ironizou.
A prioridade após a Previdência não é a reforma política. Afinados, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiram criar uma comissão conjunta para tratar da reforma tributária. O colegiado tem a missão de acompanhar a discussão para acelerar o processo de votação.
*Com Estadão Conteúdo
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