O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Convidamos o kikisake-shi (sommelier de saquê) Daniel Honda para nos explicar um pouco sobre a tradição, técnica e sabores que vão além dos estereótipos
Poucas bebidas carregam tantos equívocos em torno de si quanto o saquê. Por trás da imagem simplificada que muitos associam a um destilado potente para shots em restaurantes japoneses, esconde-se um produto delicado e profundamente ligado à tradição.
O saquê é, na verdade, um fermentado de arroz com séculos de história. Hoje, porém, ele assume uma diversidade de estilos que refletem tanto a geografia quanto a cultura do Japão.
“Ele está muito mais próximo do processo de produção de cervejas e vinhos do que de qualquer destilado”, explica Daniel Honda, importador da Adega de Sake e kikisake-shi (sommelier de saquê) pela Sake Service Institute.
A afirmação desconstrói de imediato a percepção popular: ao contrário da vodca ou do uísque, que passam por destilação, o saquê nasce de um processo de fermentação em duas etapas. São elas que, unidas, resultarão nas medidas exatas de intensidade e suavidade que marcam a bebida.

A trajetória do saquê começa com a conversão do amido em açúcar (uma etapa chamada de sacarificação) por meio da ação do koji, um fungo adicionado sobre o arroz. Somente em seguida a levedura transforma esse açúcar em álcool, uma transformação que ocorre paralelamente e que exige, sobretudo, tempo, precisão, técnica e cuidado. Trata-se de um processo que mais se aproxima da elaboração de uma cerveja artesanal ou de um vinho, aliás, do que de qualquer processo industrial de destilação.
Depois da fermentação, entra em cena o trabalho artesanal do mestre do saquê. Como um enólogo ao elaborar um corte de vinhos, ele realiza o blend de diferentes lotes para alcançar equilíbrio e complexidade. A pasteurização (feita uma ou duas vezes, conforme o estilo desejado) garante a estabilidade do líquido. Além disso, preserva as características, que podem evoluir na garrafa por meses ou até anos.
Leia Também
Uma das chaves para compreender a diversidade do saquê está no polimento do arroz. O processo remove as camadas externas do grão até atingir o coração mais puro e rico em amido. É esse percentual, aliás, que define as principais categorias reconhecidas pelo governo japonês: junmai (ou honjozo), ginjo (ou junmai ginjo) e daiginjo (ou junmai daiginjo).
“Um saquê tradicional (junmai) preserva cerca de 70% do grão polido”, explica Daniel. “Nos ginjos, porém, esse número cai, e nos daiginjos (considerados variedades super premium) metade ou mais do arroz é removido.”
O resultado é um perfil mais delicado, elegante e sofisticado, com aromas que podem ser florais e frutados e mais encorpados.
Mas o polimento, embora fundamental, não é tudo. A variedade do arroz, a pureza da água, o tempo de fermentação e inclusive o clima local influenciam no resultado. O terroir, conceito tão associado ao vinho, também está presente aqui. Em Hiroshima, por exemplo, a água menos mineralizada produz saquês suaves e delicados; em Hyogo, a composição mineral favorece rótulos encorpados e secos.

Outro elemento importante para entender o universo do saquê é a distinção entre bebidas que recebem adição de álcool e aquelas cuja graduação alcoólica é inteiramente resultado da fermentação natural.
Os saquês com adição de álcool tendem a ser mais aromáticos e leves, com textura suave e final marcante. Já os saquês puros (conhecidos como junmai), por outro lado, oferecem mais corpo e intensidade, com notas umami mais marcadas.
“É uma questão de gosto, não de hierarquia”, observa Daniel. “Alguns consumidores preferem os rótulos com álcool adicionado justamente porque são mais fáceis de beber e geralmente mais acessíveis.”
Exemplos clássicos de produtores como Hakutsuru ou Hakushika mostram que preço e qualidade não são sinônimos: mesmo entre os estilos mais simples, há rótulos de excelência.
A comparação com o vinho, aqui, volta a fazer sentido. Assim como tintos e brancos variam em corpo, acidez e intensidade, o saquê apresenta uma gama de perfis: dos secos e estruturados aos delicados e aromáticos, dos intensos e gastronômicos aos sutis e refrescantes.

Para quem deseja ir além dos estilos clássicos, há ainda duas características fascinantes a se explorar. A primeira é a dos saquês espumantes, que podem ser produzidos pelo método champenoise, com segunda fermentação na garrafa (tal qual os grandes champanhes), ou simplesmente carbonatados. E a segunda é o dos nigori, saquês não filtrados que mantêm partículas de arroz em suspensão, conferindo textura cremosa e um leve dulçor.
“Essas variações ampliam o espectro de experiências”, diz Daniel. “O espumante é ótimo como aperitivo, enquanto o nigori pode acompanhar sobremesas ou pratos picantes, criando contrastes interessantes.”
A multiplicidade de estilos reflete também a versatilidade da bebida à mesa. Ao contrário do que muitos pensam, o saquê não se limita à culinária japonesa. Ele pode harmonizar com frutos do mar ou queijos cremosos, por exemplo, além de carnes brancas, pratos à base de cogumelos e até sobremesas.
Para quem está começando, a dica é não se intimidar com as terminologias ou com a variedade de categorias. “O essencial é entender as grandes divisões, o nível de polimento e presença ou não de álcool adicionado e, a partir daí, explorar aos poucos”, aconselha Daniel. Como no mundo dos vinhos, a familiaridade vem com a prática e com a degustação.
Chefs contam o que realmente faz diferença em um menu degustação, além da mera sucessão de pratos
Seis meses após abertura, endereço de Henrique Rosin Guimarães dobra aposta nos pratos além do clássico
De feiras de arte aos tradicionais botecos paulistas, veja o que vale incluir no seu roteiro no mês de abril
O pentacampeão mundial acaba de carimbar mais um endereço no mapa do luxo de Miami, que transformou-se em ponto de encontro de celebridades do mundo do futebol desde a chegada de Messi à cidade, em 2023
Para frear o turismo em massa, Barcelona dobra suas taxas para visitantes a partir de 1º de abril; veja como isso afeta a sua viagem (e seu bolso)
Do charme europeu ao modernismo brasileiro, a revista The Telegraph elegeu os lugares mais fascinantes do mundo para passear a pé; veja quais são
The World Whiskies Awards elege anualmente os melhores rótulos do mundo; confira o resultado de 2026
Em mais um assalto cinematográfico no mundo da arte, ladrões levam obras de Renoir, Matisse e Cézanne de museu na Itália.
Na busca por engajamento rápido, uma nova crítica digital ganha força ao reduzir gastronomia ao tíquete; mas o que fica de fora dessa conta?
Ele foi Mestre Pintor ainda na adolescência. Aos 25 anos, já fazia afrescos no Vaticano a convite do papa. Com 30, foi nomeado arquiteto da Basílica de São Pedro. E com apenas 37 anos de vida, deixou um legado imensurável para a arte ocidental. Ao lado de Michelangelo e Leonardo Da Vinci, Rafael compõe a […]
Lucas Estevam, conhecido como Estevam pelo Mundo, construiu uma carreira fora do padrão — e revela o que funciona (e o que não) para quem deseja seguir um caminho parecido
Cerimônia no BTG Pactual Hall marcou início das celebrações da 33ª edição da premiação, com shows de Ney Matogrosso e Zé Ibarra em homenagem a música e legado de Cazuza
Evento destacado na gastronomia nacional estreia na capital paulista com expoentes da cozinha nacional e internacional; conheça quatro personalidades no line-up do evento
Quem faz conexão no Aeroporto de Guarulhos e não abre mão da rotina de treinos vai ganhar um novo aliado; confira
Ranking avalia companhias aéreas globais de três categorias: baixo custo, híbridas e serviço completo; confira lista completa
Depois de ‘Barbie’, Ryan Gosling volta a dominar bilheterias com Devoradores de Estrelas, que arrecadou US$ 141 milhões no fim de semana de estreia
Considerado o chocolate mais caro (e raro) do mundo, produto é de marca sul-americana e feito com apenas dois ingredientes
Sabores brasileiros e aposta na filosofia “bean to bar” marcam as novidades da temporada de chocolates deste ano; confira os melhores
Marcas de automóveis de luxo suspendem os envios de carros para o Oriente Médio; região é uma das mais rentáveis no segmento
Sophie Grenier de Warrens, líder em estratégia e inovação na agência francesa extreme agency, conta em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro como funciona seu trabalho de “rastreadora” de tendências