Domínio público em 2026, “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” e “A Montanha Mágica” ganham reedições; confira
Obras de Dale Carnegie e Thomas Mann mal entraram em domínio público no Brasil e já têm edições programadas; confira o que vem por aí — e por que ler

Toda obra literária e cinematográfica é protegida por direitos autorais. Isso significa que é necessária a autorização dos autores ou seus herdeiros para reproduzir, traduzir e publicar essas obras, protegidas pela legislação durante os 70 anos subsequentes à morte do autor.
Depois desses 70 anos, as obras entram em domínio público, nome que se dá às obras que perderam seus direitos autorais, o que significa que as obras podem ser traduzidas ou republicadas sem a compra dos direitos autorais, quebrando o monopólio do detentor original.
A entrada no domínio público oferece às editoras a possibilidade de apostar em livros já consagrados sem o custo dos direitos autorais, gerando uma profusão de edições das obras, cada uma com uma proposta diferente.
Os destaques na lista de domínio público esse ano são as obras de Dale Carnegie e Thomas Mann. Confira:
Dale Carnegie e Como Fazer Amigos...
Famoso por transformar a literatura de desenvolvimento pessoal e corporativo em um fenômeno global, Dale Carnegie é o autor do clássico Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, um best-seller que já vendeu mais de 50 milhões de exemplares desde 1936.

A obra moldou o treinamento corporativo moderno e continua sendo um dos pilares para quem busca sucesso profissional e pessoal. Com sua entrada em domínio público, o mercado editorial brasileiro ganha a liberdade de explorar suas lições atemporais por meio de novas traduções e projetos gráficos.
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Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, publicado até agora pela Sextante (R$ 64,90), ganhou edições da Auster (R$ 64,90) e Princips (R$29,90), essa última por um peço mais módico.
O americano também é autor de Como falar em público e encantar as pessoas (Sextante, R$ 54,90) e Como evitar preocupações e começar a viver (Sextante, R$ 64,90).
Thomas Mann, entre Veneza e a Montanha
No entanto, o grande destaque do ano para o domínio público é, sem dúvida, a obra de Thomas Mann. O autor alemão foi laureado com o prêmio Nobel de literatura pelo seu primeiro romance, Os Buddenbrook (Companhia das Letras, R$ 99,90).

Morte em Veneza e a Montanha Mágica já começaram a receber novas edições.
Morte em Veneza narra a história de um escritor que viaja a Veneza, onde desenvolve uma paixão doentia pela beleza de um jovem chamado Tadzio. Enquanto uma epidemia de cólera devasta a cidade, o autor se recusa a fugir, entregando-se à própria degradação física e mental até morrer na praia.
O livro, que até então era publicado apenas pela Companhia das Letras na tradução clássica de Herbert Caro, ganha agora um box com projeto gráfico de Kiko Farkas em edição limitada pela Zain (R$ 74,90), com tradução de Julia Bussius e textos críticos de João Silvério Trevisan e Dieter Borchmeyer.
Um distintivo entre leitores
A história de A Montanha Mágica acompanha um jovem que planeja passar apenas alguns dias em um sanatório nos Alpes, mas acaba ficando por sete anos. Nesse isolamento, ele é exposto a intensos debates sobre a vida, a morte e o tempo, funcionando como um retrato da Europa à beira do colapso antes da Primeira Guerra Mundial.
O livro é um calhamaço enciclopédico cuja leitura confere um distintivo aos leitores que conseguem atravessá-lo, e também ganhou novas edições.
A Companhia das Letras relançou a tradução lendária de Herbert Caro pelo selo Penguin, com posfácio inédito de Marcus Mazzari, professor da USP e um dos três brasileiros condecorados com a medalha Goethe em virtude de suas contribuições para a cultura alemã.
O Clube de Literatura Clássica também lançou uma nova tradução da Montanha Mágica, assinada por Alexandre Mazak. Menos fluida e literária que a de Herbert Caro, a tradução recupera muito bem o dinamismo e a coloquialidade dos diálogos. A edição (R$ 74,90 + frete) é exclusiva para assinantes do Clube é recheada de notas para auxiliar o leitor nessa escalada.
Por que terminar A Montanha Mágica?
Independentemente da edição, o importante é terminar a Montanha. O Seu Dinheiro conversou com o professor e crítico Leonardo Thomaz, estudioso da obra de Mann:
“A Montanha assusta, porque, na medida que o Hans vai se educando, o livro vai se tornando cada vez mais denso, exigindo cada vez mais do leitor.”
Não é uma exigência vazia, A Montanha Mágica é um romance de formação (bildungsroman, em alemão). O gênero narra o percurso intelectual do protagonista ao mesmo passo que forma seu leitor e lhe oferece as ferramentas necessárias para avançar na leitura.
“Aparecem parágrafos imensos com informações extremamente específicas sobre astronomia, biologia. E com isso vai ficando cada vez mais interessante, sabendo que essas partes mais áridas servem para compor a educação do personagem e do leitor, o fardo fica mais leve.”
De acordo com Thomaz, ler A Montanha Mágica é “uma estufa das ideias de um tempo em colapso – como o nosso – que mantém elementos da tradição, mas já a enxerga com um olhar crítico.”
Veja outros autores que também entram em domínio público em 2026
- James Agee (1909 – 1955), de Elogiemos os Homens Ilustres (1941, publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 200), Uma Morte em Família (1957, póstumo, publicado no Brasil pela Companhia da Letras em 2012);
- Wallace Stevens (1879 – 1955), de O Imperador do Sorvete e Outros Poemas (Companhia das Letras, 2017);
- Robert P. Tristram Coffin (1892 – 1955), de Strange Holiness (1935)
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