O luxo esfriou? Lista de espera para comprar uma Birkin pode estar ficando menor
A Birkin, da Hermès, é considerada a bolsa mais cara e cobiçada do mundo. O motivo para isso vai além do design atemporal, do material e da sua confecção manual: é a exclusividade e a escassez do produto que sustentam tamanha demanda. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Em 2026, uma clássica Birkin […]

A Birkin, da Hermès, é considerada a bolsa mais cara e cobiçada do mundo. O motivo para isso vai além do design atemporal, do material e da sua confecção manual: é a exclusividade e a escassez do produto que sustentam tamanha demanda.
Em 2026, uma clássica Birkin 25 de couro é vendida por a partir de US$ 13.500 (cerca de R$ 69,6 mil) nas lojas da Hermès. Já modelos mais raros vão além, chegando a custar milhares (ou até milhões) de dólares no mercado de leilão. Porém, no caso da Birkin Bag, não basta apenas ter dinheiro para comprá-la. É preciso estar qualificado para tal.
A marca francesa é conhecida por exigir compras em outras linhas antes de conceder acesso às bolsas mais disputadas, prática chamada de “bundling”. Além da fidelidade à marca, também é preciso ter paciência: a conquista da bolsa depende não só da disponibilidade do item desejado, como também da aprovação do vendedor da Hermès, na qual pode demorar meses ou até anos – é a famosa “lista de espera”.
No entanto, há quem diga que comprar a icônica bolsa esteja ficando mais fácil. É isso que aponta uma análise da Bernstein sobre resultados de leilões das bolsas Birkin e Kelly, da Hermès.
Ficou mais fácil comprar uma Birkin? Entenda o que está acontecendo com a estratégia de escassez da Hermès

Um dos principais termômetros da escassez é o chamado “prêmio de revenda”, isto é, por quanto uma bolsa é vendida acima do preço oficial no mercado secundário. Segundo o relatório da Bernstein, no caso da Hermès, esse prêmio diminuiu: está no menor nível desde 2017.
Hoje, compradores ainda desembolsam, em média, cerca de 50% acima do varejo por modelos de segunda mão. No entanto, essa média é fortemente influenciada pela Mini Kelly, um modelo de altíssima demanda. Quando ela é excluída da conta, versões maiores da Birkin e da Kelly passam a ser negociadas praticamente pelo mesmo valor das lojas, principalmente considerando as comissões cobradas nos leilões.
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De acordo com Luca Solca, analista da Bernstein, os prêmios atuais de revenda sugerem que as listas de espera encurtaram, e que a oferta da Hermès está mais próxima da demanda, conforme explicou para o The Wall Street Journal.
Em outras palavras, quando o mercado secundário deixa de pagar muito acima do preço oficial, a pressão pelo acesso imediato do produto tende a diminuir. Com isso, a fila de espera pode se tornar menor do que já foi.
E a Hermès não é um caso isolado
No mercado de relógios de luxo, marcas como Patek Philippe e Rolex, que também operam com listas de espera e oferta limitada, enfrentam um cenário parecido.
A escassez do produto nas lojas (mercado primário), impulsiona preços mais altos no mercado de revenda (secundário), que permite ao consumidor adquirir a peça de forma imediata.
Por exemplo, modelos da Patek são revendidos por um valor 11% mais alto sobre o preço original, segundo a WatchCharts. Um Nautilus em ouro branco de 41 mm de diâmetro, vendido pela relojoaria por a partir de R$ 426 mil, pode ser encontrado na plataforma Chrono 24 por valores superiores a R$ 1 milhão, para se ter uma ideia.

Ainda assim, a retenção de valor, frequentemente usada como termômetro da demanda, também perdeu força. Dados da WatchCharts mostram que os valores adicionais pagos na revenda de relógios Patek e Rolex vêm diminuindo há três anos. Desde janeiro de 2024, o prêmio da Rolex caiu para cerca de 7%, praticamente metade do nível anterior, enquanto o da Patek recuou de 38% para 11%.
O que explica essa queda?
Alguns fatores ajudam a explicar esse movimento. O primeiro deles, segundo o Wall Street Journal, é que o mercado passa por um processo de ajuste depois do pico observado durante a pandemia, quando investidores e especuladores impulsionaram os preços de relógios e outros itens de luxo.
Ao mesmo tempo, a oferta no mercado secundário está crescendo: mais proprietários estão colocando peças à venda para gerar liquidez, o que pressiona as cotações.
A alta dos preços no varejo não fica de fora dessa equação: nos Estados Unidos, os relógios da Patek ficaram até 22% mais caros no último ano, em parte devido a tarifas de importação. Enquanto isso, os valores de revenda não acompanharam o mesmo ritmo. Dessa forma, a diferença entre o preço oficial e o de segunda mão tende a se estreitar.
Comprar um Rolex ou Patek Phillippe vai além do dinheiro na conta

É praticamente impossível entrar numa boutique da Rolex pela primeira vez e sair dela com um relógio no pulso. Assim como a Birkin da Hermès, a oferta dos modelos é limitada, é preciso construir um relacionamento com a marca e a lista de espera pode durar anos.
O especialista em relógios de luxo Danny Shahid apresentou um outro caminho para buscar conquistar um exemplar da marca: “sugiro fazer sua própria pesquisa online e, depois, reservar um tempo para visitar pessoalmente um revendedor autorizado e de confiança. Ele pode assumir essa tarefa por você e reduzir significativamente o tempo de busca e de espera, diminuindo a sensação de frustração”, disse à British GQ.

No caso da Patek Phillippe, a compra pode ser ainda mais difícil. Para adquirir alguns dos modelos mais cobiçados da marca suíça, compradores precisam escrever uma carta ao CEO da empresa, detalhando quais modelos já adquiriram e se algum foi revendido.
Além de não ter nenhum ponto de venda no Brasil, a Patek também tem um ritmo de produção inferior: enquanto a Rolex produz cerca de um milhão de relógios por ano, a Patek produz a metade no mesmo período, de acordo com site de revenda Bob’s Watches. Por essa razão, a lista de espera pode ser ainda mais demorada.
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